Não passaram, não passarão


Pedro Correia,

istockphoto-876656164-612x612.jpg

 

Faz hoje nove meses. O ditador moscovita, Vladimir Putin, ordenou a brutal invasão da Ucrânia – reeditando a pior política de canhoneira imperial que caracterizou grande parte do século XIX e culminou na I Guerra Mundial.

Centenas de milhares de soldados russos foram mobilizados em 24 de Fevereiro de 2022 pela maior potência nuclear do globo contra o Estado vizinho, num ataque desproporcionado, não provocado e sem declaração de guerra. Objectivo: ocupar Kiev, desarmar o exército ucraniano, depor as instituições democráticas do país e deter ou assassinar Volodimir Zelenski.

Todos estes objectivos foram fracassados, tal como a ocupação de outras grandes cidades, como Carcóvia e Odessa. Putin falhou também na previsão de que a aliança euro-atlântica se fragmentaria. Pelo contrário: tornou-se ainda mais coesa, a NATO robusteceu-se com a admissão de dois novos Estados membros (Finlândia e Suécia) e Moscovo perdeu sucessivas votações na ONU, tanto no Conselho de Segurança (onde dispõe de direito de veto) como na Assembleia Geral.

Já em desespero, forçado a recuar perante a contra-ofensiva de Kiev iniciada a 29 de Agosto e que já levou à recuperação de mais de metade do território perdido nas primeiras semanas da invasão, o tirano do Kremlin organizou pseudo-plebiscitos para anexar quatro províncias ucranianas – uma vez mais, em grosseira violação de todas as normas do direito internacional, como a Carta das Nações Unidas e a Acta Final da Conferência de Helsínquia.

 

Confrontada com um poder bélico muito superior, que desalojou mais de 13 milhões de pessoas (quase um terço da população do país) e destruiu cerca de metade da sua rede de abastecimento energético e alimentar, a Ucrânia resiste. Unida em torno do seu líder, que recusou fugir da capital, recusando a oferta de refúgio que o Presidente norte-americano lhe propôs no final de Fevereiro.

Resiste com heróica tenacidade. Mesmo com o sacrifício de 50 mil vidas humanas, grande parte das suas infra-estruturas arrasadas e prejuízos económicos, sociais e ambientais incalculáveis. 

A resistência está a ser bem-sucedida. O invasor vem recuando há dois meses, falhadas todas as tentativas de ocupação das principais cidades, fracassada a intenção de liquidar Kelenski e tomar de assalto as instituições políticas do país.

 

Onde os russos chegam, impera a tristeza, a desolação e o silêncio das ruínas. Quando os russos são expulsos, irrompe o júbilo e renasce a esperança.

Muitos de nós, nesta parcela do mundo livre, estamos solidários com a martirizada nação ucraniana. Conscientes, no entanto, de que o Dia D ainda vem longe: há que prosseguir a resistência ao invasor, que soltou ali três dos quatro cavalos do Apocalipse e até já ameaçou com um quarto – para arrasar em definitivo com a Ucrânia.

 

Putin e os seus lacaios – incluindo alguns portugueses, civis e militares – enganaram-se redondamente Mais depressa a demencial clique do Kremlin desaparecerá do que a Ucrânia será riscada do mapa.

O país de Zelenski vai emergir mais forte que nunca deste filme de terror iniciado há nove meses, quando as botas russas violentaram solo ucraniano com a intenção de tomar Kiev pela força em poucos dias.

Não passaram.

Não passarão.

32 comentários em “Não passaram, não passarão”

  1. Zelenski será lembrado pelos ucranianos e europeus que ainda não nasceram. Putin também, mas por motivos diametralmente opostos.
    Poucas vezes é tão fácil escolher o lado que representa o bem e o que representa o mal.

    1. Patrocinado pelos EUA, Zelenski ficará aí uns 30/35 anos no poder. Mais ou menos a meio do “mandato” que visa unicamente a reconstrução, união, libertação e etc. e tal do povo ucraniano, começará a ser visto como hostil para os interesses ocidentais.

  2. O novo Grande Khan Mongol(oide) está a rebentar com tudo o que pode até o Inverno se instalar e sabe que apenas vai penalizar civis ucranianos, principalmente os velhos e as crianças que são os que têm mais fragilidades. Dizem que já não sai do bunker. Pudera!

    1. O velho abutre moscovita já mandou destruir cerca de metade da rede energética ucraniana, tentando condenar milhões de velhos e crianças ao frio.
      Imita Estaline, que há 90 anos ordenou a morte de milhões de ucranianos à fome.

  3. E o Catar é que mobiliza a canalha festiva?
    È no Catar que se espezinha o direito à vida, à saúde, ao agasalho, ao sono?

  4. A cultura da LGBT quer dar cabo do mundial do Catar. Manifestar apoio solidário a Ucrânia é que não. Será por Putin ser gay?

  5. Entretanto, o parlamento europeu declarou a federação russa estado apoiante do terrorismo, com parte da esquerda portuguesa a abster-se, e outra parte a votar contra a proposta. São os merdas do costume que na sua doentia veneração pelo bolor soviético, se vergam e mostram o dito. Nas televisões e nos blogues vão desfilando os sabujos, generais fantoches ou traumatizados por tudo o que é ocidental, vão debitando asneiras sem conseguir disfarçar a sua frustração pela derrota consecutiva das ondas assassinas que ao serviço do carniceiro do Kremlin, vão tombando em solo ucraniano. Por aqui não passarão certamente, pois quando abandonam a posição de rastejantes, e procuram aparecer, apenas se revelam invisíveis e como tal, desprezíveis. A história se encarregará de os marcar como escória. Na Ucrânia, continua a se claro que os assassinos de mulheres e crianças não passarão. E se para isso esta guerra tiver que durar mais cinco anos, que assim seja. De 1938 a 1945 a Europa resistiu ao terror nazi, e se agora em pleno século XXI tiver que fazer o mesmo, assim será. E quem achar que não se aguenta, que arrei ou fuja. Dos fracos não reza a história. Slavia Ucrânia.

    1. Sem surpresa, os deputados do PCP votaram ontem no Parlamento Europeu contra a resolução que condena a Rússia como Estado patrocinador do terrorismo.
      Resolução aprovada por esmagadora maioria: 494 votos a favor, 58 contra e 44 abstenções

      https://sol.sapo.pt/artigo/786294/pcp-vota-contra-classificacao-da-r-ssia-como-estado-patrocinador-do-terrorismo

      Sempre, sempre ao lado de Putin.

      1. 58 contra e 44 abstenções? ?
        Não haverá engano? Ou ainda haverá, mesmo assim, tantos putinistas ou contra a guerra duma forma geral?
        Também falta referir no ‘Não passaram, Não passarão’ o que está a acontecer a nível da economia mundial, devido às sanções aplicadas à Rússia, principalmente a crise energética.
        E por isso aparece destas constatações inocentes:
        Numa família do ocidente uma criança perguntou ao pai porque estava tanto frio em casa. O pai respondeu: por causa dos russos. A criança, querendo saber mais, voltou a interpelar o pai sobre o porquê.
        O pai respondeu: porque os russos invadiram a Ucrânia.
        E daí?, perguntou a criança.
        Tivemos de impor sanções aos russos para que eles tivessem juízo, respondeu o pai.
        E a criança pergunta: Pai, nós somos russos?

          1. Escumalha negacionista é a que nega o Holodomor, genocídio praticado por Estaline há 90 anos, quando condenou milhões de ucranianos a morrer de fome, e agora nega o Kholodomor, tentativa de genocídio praticada por Putin ao condenar milhões de ucranianos a morrer de frio

  6. Fantástico texto Caro Pedro Correia.
    A Ucrânia vencerá e o Zelenski será lembrado como o rosto de um povo que está disposto a morrer para poder viver. Um imenso respeito por este povo, pelos que continuam a lutar na frente de batalha, por todos os outros que ajudam como podem em condições desumanas e pelos tantos inocentes que morreram ou viram as suas vidas destruídas devido a esta brutal agressão.

    O canalha do Putin, quero acreditar, que, mais tarde ou mais cedo, cairá, o mais certo às mãos dos sabujos que agora o veneram, e não será agradável de ver e ainda bem. é o que merece não só pela destruição de um país soberano mas também pela completa falta de empatia que tem pelo seu próprio povo.

    1. Obrigado, Elsa. Tenho também a convicção profunda de que a Ucrânia vencerá. E sairá desta tragédia com imbatível força moral.
      Precisamente ao contrário da Rússia.

  7. Está excelente este texto, Pedro.
    E a fotografia também é magnífica.
    Tenho para mim que se Zelenski tivesse aceitado aquela boleia do Biden a Ucrânia não demoraria muito tempo a capitular. Às vezes um homem faz toda a diferença.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *