Quando não estou demasiado distraída com a minha vida e recebo aquelas chamadas irritantes dos call centres, reparo na deles. Diz que são mal pagos e obrigados a um ritmo de trabalho infernal. Há dias em que sinto pena de lhes dizer que não. E tenho momentos em que me incomodo com a minha própria pressa em enxotá-los sem dó.
Dir-me-ão que é a vida. Sem dúvida. É esta, cada vez mais, a vida que temos. E quem não tiver estaleca dança, ou atira-se pela janela.

… Ou mata o pai e a mãe. Mas isso não é em França; é mais por cá.
Acredito que o trabalho nos call centers seja muito stressante, ingrato e mal pago.
O problema é o telefone tocar fora de horas quando temos pessoas idosas e debilitadas em casa que ficam aflitas a pensar se terá acontecido alguma coisa aos familiares. Aquele lapso de tempo até atender o telefone, é deveras aflitivo para os idosos.
Deveria existir alguma maneira de não recebermos esses telefonemas, como temos os autocolantes para não recebermos correspondência publicitária.
Já pedi para retirar o meu número das Listas Telefónicas para tentar resolver este problema.
“ (…) O director de recursos humanos da ” France telecom ” Olivier Barberot – “defende que os números não são extraordinários (…)” da notícia do I – em relação aos 22 trabalhadores da empresa que se suicidaram no últimos 18 meses.
Teresa, tem mesmo que se “distrair”, volta e meio, desses casos e de outros da “vida que temos” senão a sua sensibilidade não aguenta, digo eu que fiquei impressionada com a notícia.
Os tecnocratas vivem cada vez mais para os números e em função dos números, Maria. É impressionante, mas nada os impressiona.
Essa tirada desse senhor foi o que mais me chocou na notícia. Diz muito sobre a “cultura” da empresa.
Impressionante… Os números não são extraordinários… Quanta alienação.