Não havia necessidade…


fiodeprumo,

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Pessoalmente já exprimi aqui a minha posição relativamente à adopção por casais do mesmo sexo. Entendo que uma criança precisa de amor, seja ele dado pela família tradicional ou pelas famílias que o não são. As unidades familiares de hoje não são iguais às de há meio século e, portanto, os hábitos e os costumes terão de ir-se adaptando.

Na minha opinião, uma criança institucionalizada está pior do que numa família que tem amor para lhe dar, sejam dois pais, duas mães, uma só mãe ou um só pai. E se foi permitido o casamento entre pessoas do mesmo sexo e que um solteiro adopte uma criança, tenho dificuldade em aceitar que um casal do mesmo sexo não o possa fazer.

Posto isto, entendo de um profundo mau gosto e revelador de bastante desrespeito por quem pensa de forma diferente os cartazes com que o BE resolveu pulverizar o país, usando como símbolo uma pirosíssima imagem de Jesus, com uma frase na qual se afirma que ele tem dois pais.

Uma coisa é defender ideias que se considera estarem certas. Outra coisa é defendê-las exorbitando os limites, para ofender aqueles para quem Jesus representa algo de muito sério. A nossa liberdade termina onde começa a do nosso semelhante. Não havia necessidade!

Eu inclino-me para que estejam a faltar ao Bloco as causas que lhe davam alma. Agora, como situacionistas que são, começam a não ter temas fracturantes e portanto a perder a graça. Estão, de facto, a envelhecer!

0 comentários em “Não havia necessidade…”

  1. “Uma coisa é defender ideias que se considera estarem certas. Outra coisa é defendê-las exorbitando os limites, para ofender aqueles para quem Jesus representa algo de muito sério. A nossa liberdade termina onde começa a do nosso semelhante. ”
    Percebo o que diz. Mas o que se diz deste cartaz foi (muito provavelmente) dito a respeito de Galileu quando começou a “faltar ao respeito” à Igreja e não só. E foi dito de Turing quando, há cerca de somente setenta anos, foi metido na cadeia (na Inglaterra, não num país islâmico) por ser homossexual, acabando por morrer prematuramente (com 43 anos). Para quem não saiba: Turing foi um genial matemático britânico que deixou investigações importantíssimas que constituiram a base dos computadores e conseguiu decifrar os códigos secretos utilizados nas mensagens dos nazis. Um grande contributo para a derrota dos Nazis. Turing é um nome que nenhum matemático de hoje desconhece!
    Quando se fala de tabus … é sempre um problema porque se quebra o silêncio sobre questões que, tacitamente, todos (ou quase) deixamos de lado.
    Para mim uma pessoa ofender-se com palavras, pinturas, poesia, caricaturas, etc. é um disparate. Embora haja palavras, pinturas e caricaturas que contrariam as minhas crenças. Digo sempre: não se ofenda, discuta.
    E que são temas fracturantes: são temas onde preferimos o faz de conta. É?

    1. O seu raciocínio resultará nisto: se um imbecil pegar numa fotografia de minha (ou de sua) mãe e lhe aplicar uma legenda insultuosa, eu (ou você) não só não me deverei indignar como terei o dever de o convidar para um cordial debate sobre as suas (dele) razões.

      Certo. É Portugal, está muito bem assim e nem podia ser de outra maneira.

      Costa (mas não esse António).

      Nota: mas não me interprete mal; o facto de eu me ofender não me dá o direito de declarar guerra e lançar sentenças de morte sobre meio – ou mais – mundo. É aliás ensurdecedor o silêncio das esquerdas sobre essa questão. Tudo o que cause problemas ao malvado Ocidente neo-liberal é, enfim, bem-vindo e mais que merecido. Não havendo inocentes e sendo todos os alvos legítimos , evidentemente.

      1. ” se um imbecil pegar numa fotografia de minha (ou de sua) mãe e lhe aplicar uma legenda insultuosa,” Desafio o imbecil para um duelo. Acha?

  2. O BE aos poucos e poucos vai revelando a sua conversão, o que me deixa muito satisfeito.

    A minha satisfação diz respeito ao facto de eles saberem que nós os cristãos, tal como Jesus, aceitamos que um filho, para além da mãe, deve compreender a sua dupla filiação: a Celestial e a biológica, e/ou adoptiva nos termos de diversidade de género.
    No caso em concreto esta dupla paternidade deve começar a ser discutida sem tabus e/ou vergonhas, e diz respeito à Virgindade de Maria.

    No entanto, os autores do cartaz, como os recém-convertidos, devem iniciar este processo com os passos das primeiras letras. Isto é: compreender que em matéria de concepção existe um fenómeno natural designado por Partenogénese, em inglês Parthenogenesis (que vem da palavra Pártenon), onde a fêmea pode procriar sem intervenção do macho. Este fenómeno levado à dimensão do cristianismo obriga-me a anexar alguns links para desfazer alguns equívocos e ignorância dos autores do cartaz, são estes:
    http://megaarquivo.com/2010/12/11/1720-gestacao-virginalo-que-e-a-partenogenese/
    http://megaarquivo.com/2013/12/24/9504-partenogenese-estudo-investiga-gravidez-em-mulheres-que-se-declaram-virgens/

    Porém é necessário introduzir neste comentário a Universidade de Tulane, aqui:https://tulane.edu/liberal-arts/jewish-studies/, para poder chegar a este estudo:
    http://fellowshipoftheminds.com/2013/12/25/the-christmas-miracle-scientific-evidence-of-the-virgin-birth/

    Todavia, para complemento deste estudo estarei disposto a uma abordagem sobre o sudário de Turim.
    Aguardo que me peçam para continuar este diálogo.

    Por fim, os autores deste cartaz têm de começar a mentalizar-se que há certas sensibilidades que não podem ser tocadas por ignorantes.

  3. Tudo o que é construído com chavões de ideias sem uma ideia para o país acaba nisto: uma raposódia de chavões a propósito e a despropósito!

  4. A sorte do Partido Socialista é não ser governo.

    Governo é o Costa mais o a Liga e a CGTP.

    Isto era motivo suficiente para derrubar um governo socialista, se o PS fosse governo.

  5. Não me surpreende!
    Para se afirmarem os/as autores de tão descabida ideia ainda têm muito que caminhar e era saudável fazê-lo com sabedoria, bom senso e alguma humildade.

  6. Quanto ao blablabla do 1º parágrafo e parte do 2º: Não é preciso um vínculo jurídico para dar amor a uma criança.

    Quanto à adopção conjunta por homossexuais: é o estado a atestar uma impossibilidade física, já que não ninguém filho de dois homens ou de duas mulheres. Aliás, transposto o limiar da verisimilhança, porque não estabelecer a filiação em relação a 3 ou 4 pessoas ou animais, ou mesmo objectos inanimados?
    É tão possível ser filho da Lua como de dois marmanjos.

    O direito ao serviço do construtivismo totalitário. Não é por acaso que a ficção jurídica da adopção nasceu em Roma, muito claramente ao serviço da vanglória imperial. Por um documento com a mesma força legal, foi feito um cavalo senador.

  7. Mais uma vez o tuga a fazer por aparências coisas quasi irrelevantes.

    Já isto também do BE é bem relevante:
    Joana Mortágua: “A abertura da ADSE a outras pessoas que não funcionários públicos (e respectivos familiares) “não faz sentido”, porque “estaria a alargar o acesso de utentes aos hospitais privados com prejuízo claro para o SNS”. Por isso, “a ADSE deve manter-se como um sistema fechado aos funcionários públicos e às suas famílias”

  8. Todos os que venceram a travessia da pré puberdade dos filhos , seguramente se sentiram incomodados com as leviandades inconsequentes ou não, com que tão inconveniente e inesperadamente nos brindaram. Aprendemos à custa de alguma arrelia e muito embaraço a desvalorizar, a não achar piada ou sequer sorrir. Penso que este caso é idêntico. Sai um disparate e todo o mundo o comenta em vez de pura e simplesmente o votar à ignorância e ao esquecimento que merece. Sempre sobrevalorizámos os ideiotas e desvalorizámos os seus disparates … e continuamos para bingo.
    Posto isto, é historicamente impreciso.

  9. Acho que estão a perder tempo com uma coisa sem importância nenhuma, feita apenas para o efeito mediático. Polémica é o que eles querem que exista, onde não há indignação nenhuma. Bem ao estilo dos seus amigos jihadistas e de outros fanáticos que não existiriam sem exposição mediática — que procuram sofregamente. O fanatismo é assim: precisa da indignação e de uma subversão básica da moral para se expandir e impôr. Não caiam na esparrela. Deixem-nos implodir-se sozinhos.

  10. Dá prazer ver a repercussão que o cartaz do Bloco teve. A reacção generalizada , de vários quadrantes políticos, mostra a diferença para o caso de ser a gozar com Maomé. Por cá é assim que se encara a religião: uns levam a sério (mais ou menos) outros gozam e maltratam outros riem. Sinto-me feliz por nenhum crente pensar em acções mais violentas do que palavreado mais que conhecido, género eu respeito muito a religião mas … e seguem-se umas banalidades. É caso para dizer: o Bloco atingiu plenamente os seus objectivos.
    Os crentes acreditam que depois de morrerem vão para o paraíso, os não crentes gostariam que isso fosse verdade. E que o paraíso fosse um regabofe da pesada. Oxalá que seja.

  11. Sabe Helena, a adopção de crianças por casais gay é de facto um tema complicado. Ao ouvirem está polémica, as minhas filhas com 10 e 14 anos depois de uns momentos pensativas disseram ambas que preferiam viver numa instituição do que ter de passar pela vergonha de perante toda a gente terem de assumir que tinham 2 pais.
    Sabe que para os miúdos o saírem fora do “normal” e o sentirem-se diferentes pode ser muito traumático!
    Foi só uma opinião …

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