
Martin Luther King no Memorial de Lincoln, em Washington (1963)
Não há paz sem liberdade. E não há liberdade sem esperança. Um político de excepção vislumbra motivos de esperança mesmo entres os clarins da guerra. Um desses políticos foi Abraham Lincoln, autor da mais memorável mensagem de esperança, proferida em plena Guerra Civil norte-americana, a 19 de Novembro de 1863.
Foi o chamado Discurso de Gettysburg: demorou apenas cerca de três minutos. Três parágrafos, 255 palavras – não era necessária nenhuma mais. As forças da União haviam ali derrotado quatro meses antes o insurgente exército confederado do Sul que se batia contra a abolição do esclavagismo, cortando amarras com a política humanista do Norte. Mas Lincoln, embora galvanizado por essa vitória militar recente, pôs de lado a retórica triunfalista e deixou no cemitério local um apelo digno de um estadista: «Compete-nos a nós, os sobreviventes, garantir que aqueles que caíram no campo de batalha não morreram em vão e que nesta nação, sob os auspícios de Deus, renasça a liberdade – e que o governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareça da face da Terra.»
Cem anos mais tarde, este discurso teria sequência num outro, proferido junto ao Memorial Lincoln, em Washington, por Martin Luther King. «Tenho o sonho de que um dia esta nação se erguerá e viverá o significado autêntico do seu credo — termos por verdade evidente que todos os homens foram criados iguais. Tenho um sonho — o sonho de que um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos dos antigos escravos e os filhos dos antigos donos de escravos se sentarão juntos à mesa da fraternidade», declarou o reverendo justamente distinguido em 1964 com o Nobel da Paz.
No tempo de Lincoln ainda não havia Nobel. Mas ele tê-lo-ia merecido, mais do que todos os presidentes americanos que viriam a ser galardoados no século e meio seguinte — de Theodore Roosevelt a Barack Obama. Pela força inspiradora do seu exemplo. Pela eloquência dos seus vibrantes apelos em defesa da dignidade humana. Pela tenacidade e pela coragem de que deu provas no cumprimento de um ideal: nenhum ser humano merece ser condenado à escravatura.
Um ideal que lhe custou a vida: viria a ser assassinado em 1865. Mas o seu apelo de Gettysburg ainda hoje ecoa — nos EUA e no mundo.

Bom dia, Pedro.
Eu diria também que pelo silêncio não há Liberdade, e essa liberdade é o conjunto de muitas vozes, é importante não nos calarmos. Obrigada por dar voz à liberdade. Sem o jornalismo estaríamos cercados de silêncio.
Muito grato por tão expressivas palavras, caríssima Alice.
No tempo de Lincoln ainda não havia Nobel. Mas ele tê-lo-ia merecido
Não estou bem certo. Lincoln foi um grande causador da guerra, com a sua obstinação em manter os Estados Unidos. Contrariamente à propaganda oficial, Lincoln optou pela guerra, não para libertar os escravos do Sul (isso para ele era mais um meio do que um fim), mas para manter a união de todos os estados.
Para já, você não está «bem certo» do seu nome. Daí ter-se mantido anónimo.
Este “anónimo” cheira um bocado a “balio”, ou será bafio, ou lavoura?
Os gajos dos itálicos sou eu e o balio. Como não era eu, deve ser o dito cujo.
Marca inconfundível. E também por aparecer a dizer que Lincoln não mereceria o Nobel que foi dado a Roosevelt e a Obama.
Melhor do que uma assinatura.
Não há paz sem liberdade.
Tretas. Veja-se Portugal durante a Segunda Guerra Mundial. Tinha paz, mas não liberdade. A paz era, de facto, a sua grande vantagem.
Veja-se a Rússia hoje. Nem paz nem liberdade.
Excepto para os funcionários do Ministério da Verdade. Os mesmos que repetem a ladainha: “operação militar especial” porque o regime totalitário aboliu por decreto a palavra guerra.
Quem a pronuncia vai preso. E pode nem sair vivo da prisão.
Responder a um anónimo?
Não é um anónimo, é o Lavoura.
E que tens tu com isso? Respondo a quem me apetece.
Sublinho: nenhum ser humano merece ser condenado à escravatura.
Não apenas à escravatura física: também à escravatura moral.
E nenhum povo merece ser escravo na sua própria terra.
muito simples para mim
os gringos fundadores eram todos esclavagista
se compravam pretos era porque africanos pretos lhos vendiam
a venda continua em outros locais do mundo bem conhecido de todos
‘se compravam pretos era porque africanos pretos lhos vendiam’
Prontus, está tudo justificado. Para quê milhares de palavras para esta tão simples vortex
Dizer Não
Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.
Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.
Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de «elitismo», mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.
Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.
Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.
Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela.
Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.
Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenanmo-nos em gado sob o comando de um pastor.
Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.
Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.
E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade.”
Vergílio Ferreira
E só assim seremos inteiros para poder viver em paz com os outros e com nós próprios e termos sonhos factíveis de liberdade.
Muito bom, Pedro, obrigada.
Eu é que agradeço a partilha dessas palavras tão vibrantes e verdadeiras, Dulce.
Bem, isto é um bocado negacionista
É para fazer negaças aos que se negam a tirar a máscara do anonimato