Não há lei da rolha que resista


Pedro Correia,

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Bem pode António Costa tentar impor a lei da rolha no PS quanto ao caso Sócrates. Do estabelecimento prisional onde se encontra, o ex-primeiro-ministro tudo faz para contrariar este desígnio. Assumindo o máximo protagonismo de que há memória entre nós num cidadão em regime de prisão preventiva, insiste em captar para si próprio a luz dos holofotes. Não para se defender das acusações que lhe são imputadas – e em parte tornadas públicas no acórdão do Supremo Tribunal de Justiça que sustenta a legalidade da sua detenção – mas para acusar indiscriminadamente tudo e todos. Ministério Público, jornalistas, polícia, professores e o juiz Carlos Alexandre. Para apontar o dedo acusador ao Estado de Direito.

 

Imaginando-se na condição de preso político em ditadura – ele que tem todas as garantias processuais conferidas pela legislação produzida durante o seu mandato como chefe do Governo, ao contrário do que sucede com os opositores políticos na Venezuela, onde vigora um regime que ele tanto admira. Opositores como Leopoldo López, sujeito desde Fevereiro a um duríssimo regime de prisão preventiva, impedido de receber visitas dos próprios familiares e sem data marcada para julgamento num país onde a magistratura funciona hoje como mero braço punitivo do poder político.

Como escreve o Luís Rosa, em editorial no jornal i, «José Sócrates quase que se deve ver como um Nelson Mandela – ou tantos outros homens políticos que afrontaram verdadeiras ditaduras totalitárias em nome da liberdade, da igualdade de direitos e de uma sociedade próspera e justa. Não cabe na cabeça de um mitómano como Sócrates que esse tipo de comparação seja insultuosa para a memória dos verdadeiros combatentes contra todas as ditaduras que existiram e continuam a existir por esse mundo fora».

 

Segundo o princípio dos vasos comunicantes, quanto mais Sócrates se esforça por preencher as atenções mediáticas mais se esvazia o capital político de António Costa potenciado pela sua recente eleição como secretário-geral do PS. Imaginar, neste contexto, que as duas realidades funcionarão daqui por diante em compartimentos estanques é pura estultícia.

Razão tem pois Sérgio Sousa Pinto, um dos novos membros do Secretariado socialista, em declarar hoje sem rodeios em entrevista ao i: «Caso Sócrates prejudica objectivamente o PS.»

Como um eucalipto voraz que seca tudo à sua volta.

40 comentários em “Não há lei da rolha que resista”

  1. Sócrates o zarolho, atrevo-me. O CM pensa que o homem está em pânico, eu também, e o advogado parece estar a ficar cada vez mais inquieto ou feroz bem á imagem do dito cujo. “José Sócrates dispara em direcção ao sistema, jornalistas, juízes, polícias e professores.” “Quem nos guarda dos guardas?”. Será que este presidiário não tem memória, e não percebe que tudo que agora dispara são apenas restos das munições que consumiu desbragadamente enquanto se presumia como dono e senhor incontestado desta quintarola sempre ajoelhada a seus pés? Faz falta um autocolante nas grades da prisão a letra vermelha, dizendo-lhe que desde a sua despedida tudo está a melhorar em vez de piorar, afirmando o seu mau exemplo.

  2. Boa tarde,

    tenho visto muitas referências ao acordão do STJ relativo ao primeiro habeas corpus. Todos os jornais lhe fazem referência e agora aqui tamebm.

    Onde posso ler o acordão? è um documento publico?
    Gosto de ler os originais… alguem pode ajudar?

    Já encontrei uma cópia que alguem publicou sobre o despacho relativo ao segundo habeas corpus…muito puco interessante.

    Espero que possam ajudar.

    obrigado,
    miguel

  3. José Sócrates ainda não se deu conta que é vitima de si mesmo. Não obstante, não significa que ele não possua a noção do que está mal no sistema político e social em Portugal.
    E é tão evidente que ele possui esta noção que vai ao ponto de identificar a cobardia do sistema político.
    Sócrates pretende enviar uma mensagem que se traduz em algo assim: “sei que estou nesta situação, mas recuso a aceitar-me como morto. Sei também que incomodei muita gente ao ponto de ter atraído sobre mim tanto ódio, desprezo e admiração. Mas os que me perseguem não são aqueles que eu efectivamente prejudiquei, mas outros que não beneficiei.”.
    Com suas cartas ele está a atrair a atenção da opinião pública sobre si mesmo, pois certamente já se deu conta que o PS mais cedo ou mais tarde vira as costas ao seu problema.
    E também sabe que aquilo que aponta é reconhecido publicamente como causas da perversidade do sistema.
    Não obstante as opiniões de grafologistas que dizem estar Sócrates em pânico, eu partilho de uma outra opinião. Sócrates está tenso e desconfortável, e está consciente que não agiu diferentemente de todos os demais, e deram-lhe a oportunidade de ele soltar a revolta que o habita desde que o PR dissolveu o parlamento.
    Sejam quais forem as razões de sua detenção, este caso vai mobilizar a opinião pública contra as instituições que deviam salvaguardar os interesses dos cidadãos; e no final Sócrates sentirá que sua predestinação messiânica foi cumprida.

    Quanto ao PS, duas palavrinhas apenas para realçar que a porta para o regresso de Seguro à cena política está aberta e o caminho bem mais limpo que aquele que enfrentou até ao golpe de que foi vítima.

    Passos debruça-se agora num discurso de mãos limpas e de desaparecimento dos donos de Portugal, que não teve o mínimo de intervenção, que poderá virar-se contra si mesmo.

  4. E mal seria se não prejudicasse.
    Não foi ele Secretário Geral do PS durante uma porrada de anos? Não foi ele secretário de estado, ministro e primeiro-ministro de governos do PS durante cerca de 20 anos? Não é ele um político inteiramente conotado com o PS?
    Assim sendo, a organização que o acolheu e o idolatrou, poderia passar incólume a um terramoto destes? Podia, mas não era justo. Parece-me.

  5. a Venezuela, onde vigora um regime que ele tanto admira

    Pode sustentar esta afirmação? É que não me lembro de alguma vez ter ouvido Sócrates dizer que admirava o regime político venezuelano.

    1. Não só Chavez como mandou a Força Aérea exibir-se nos festejos do Golpe de Estado do Ditador Líbio Kadhafi.

  6. apontar o dedo acusador ao Estado de Direito

    Estado de Direito?! Qual?

    O Estado onde o segredo de justiça é sistematicamente violado? Onde magistrados do Ministério Público sopram a jornalistas criteriosamente escolhidos notícias sobre a investigação, as buscas e as detenções, que estes jornalistas depois gostosamente publicam, sem que jamais a Lei seija aplicada e os magistrados ou os jornalistas sejam punidos?

    Qual Estado de Direito qual carapuça!!!

  7. Penso inclusive que seca não só o PS, mas todos aqueles que têm ambições de chegar ao poder integrados em forças políticas que já o exerceram… nesta guerra o desfecho parece-me que corrói tudo o que mexe.

  8. Este comportamento, de vitimização, era mais do que esperado. É essa a sua personalidade e é essa a forma como sempre lidou com os problemas: eleva-se a si próprio num pedestal que os restantes tentam partir a todo o custo.

    Na Visão desta semana vem um relato interessante de como era o comportamento de José Sócrates, na altura nosso primeiro, que afirmava que o governo era o “seu governo” tentando controlar aquilo que faziam e diziam todos os ministros (mesmo os seus mais próximos), para além de um comportamento, quase patológico, de perseguição com os jornalistas e a justiça (que transpirou para fora de São Bento no final do seu segundo mandato).

    Mesmo dando algum desconto aos relatos publicados, o que foi contado vai em linha com o comportamento que ele apresentava em público.

    Na sua cabeça, pela sua personalidade, ele é efectivamente um lutador que enfrentou o regime e que o vai derrotar. Nos seus pensamentos à noite esta situação só termina (como escrevi à uns dias) com ele a gritar – CABALA!, num dos canais de televisão que estiver disposto a recebê-lo.

  9. Eu Toy Mãozinhas estou na preventiva de Alcoentre à espera de julgamento aqui chefe não deixa escrever cartas para as comunicações sociais. Eu estou na preventiva suspeito de ter apanhado (do chão) uma carteira d’um turística viajante no eléctrico 28… Como senhor engenheiro eu estou inocente e quero provar por meio dos médios que estou inocente vitima duma cabala ( não confunda co robalos) mas não publicam minhas alegações. O meu primo Zé Piroeta ~já pediu abioscorpos mas como foi escrito em papel de jornal o nosso Supremo não aceitou. Eu venho pedir o favor de me dizerem se eu e amais presos na preventiva temos direito a publicar nossos direitos de defesa nas comunicação insociais?

    Obrigado espero favor d’uma resposta

    Bom Natal deseja o Toy ~Mãosinhas

  10. O Maduro? Um “democrata”…O López?Um “Democrata”…ui! Ali prá queles ladecos é tudo uma marabilha, pá! é vêr onde “estudaram”… empregos? É no Pitról,nunca por menos. Tudo com muiiita descendência “… e nem falta o braço com o punho á “lá socialista!!Tem de ser.Nada como ser mais um mártir…
    Quanto ao resto da escrita,tá bem..

  11. Um homem não chega para tudo.E nem sempre há tempo para afinar as leis.
    Mas vê-se logo que um pilha-galinhas ou um faquista de fancaria estão sujeitos a preventiva mas nunca um ex-governante e muito menos um ex-primeiro ministro.
    Há diferenças.

  12. “ao contrário do que sucede com os opositores políticos na Venezuela, onde vigora um regime que ele tanto admira.”
    Pode sustentar esta afirmação? Diga onde e quando JS afirmou tal coisa.
    Essa obsessão com JS mais parece paranoia. Isso tem tratamento.
    Fazia-lhe bem ir ali ao “tempo contado” do Rentes de Carvalho ( que você diz admirar) e ler os Castelhanos.

    1. Já cá faltava a saudosista da União Soviética. Dos “bons tempos” em que qualquer crítica política exigia tratamento psiquiátrico.
      Acorda, kamarada. Esse tempo já passou.

      1. É mais fácil pôr rótulos à laia de insulto do que dar uma resposta concisa sobre afirmações gratuitas.

      1. Mas o Pedro tem alguma coisa contra o facto de o Sócrates ter eventualmente feito lóbi a favor da Lena na Venezuela? Isso tem permitido a muita gente continuar a trabalhar, em vez de ir para o desemprego, como aconteceu com tantos milhares de trabalhadores da construção.
        Quais são então os limites da realpolitik? Eu não gosto particularmente dela, mas há tantos exemplos de tantos governantes, de tantos regimes democráticos, ao longo da história e mesmo na actualidade que não me parece um argumento particularmente interessante atacar o Sócrates também por isso. Ele já tem pontos fracos que chegue sem ser preciso desvalorizar a própria argumentação anti-Sócrates atacando-o por tudo e mais alguma coisa.

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