Não há coincidências (7)


Ana Vidal,

 


Do, Re, Mi / The sound of music (1959) – Rodgers and Hammerstein

 

Não me batam. Eu sei que The Sound of Music é um dos filmes da infância ou da adolescência de quase todos nós e que, apesar das repetições ad nauseam de que somos vítimas todos os Natais, continuamos a comover-nos com a ingenuidade da história e a beleza das melodias. A canção  Do-Re-Mi é um desses mágicos momentos do filme, em que a maçadora aprendizagem do solfejo se transforma numa brincadeira divertida e contagiante e a cumplicidade se estabelece definitivamente entre Maria e as crianças. Do-Re-Mi acabou por ganhar vida própria e tornar-se numa das primeiras melodias ensinadas nas escolas de música, pela facilidade de memorização das sete notas da escala básica.

 

Nem a canção nem o filme precisam de apresentações, pelo que não vou alongar-me. E talvez a canção não seja um vulgar caso de plágio, já que me parece mais uma propositada e provocatória piscadela de olho ao compositor alemão. Ou até mesmo uma pequena vingança, se tivermos em conta o teor da história. Mas uma coisa é certa: a vertiginosa sequência melódica de Wagner dá o mote à canção, sem que haja lugar a grandes dúvidas. E, que eu tenha apurado, não há registo de “inspirações” reconhecidas. Fica a curiosidade.

 

 


Tannhauser Overture – Richard Wagner


Sou uma apaixonada pelas geniais aberturas e coros de Wagner (embora nunca tenho tido a paciência de ouvir as óperas completas, que são intermináveis) e esta é uma das minhas preferidas. Vale a pena ouvir estes sete minutos completos, pela sua beleza, ainda para mais quando a batuta é a do grande Karajan. Para quem não quiser ouvir tudo, peço a especial atenção para o intervalo de tempo que vai do minuto 07′:16 ao 07′:24 deste video. E depois digam-me o que acharam.

 

Obrigada à Gi pela preciosa dica de hoje.


24 comentários em “Não há coincidências (7)”

      1. A ante mortem (bestial, como fazes isso dos itálicos :o) também. Podíamos talvez chamar-lhe itálico inveja aziática fim de itálico, só para culpar a mundialização.

        1. A inveja aziática é como a prima gripe: fica-se amarelo e não há necessidade…
          (os itálicos – e os italianos – são uma fraqueza minha, que queres?)

  1. Tenho sido toda ouvidos para a tua série, mas pela primeira vez parece-me que é excessivo considerar que isto é plágio. Vou mais na psicadela de olho, como referes no post, na inspiraçãozita, que não tem mal nenhum.

    1. Amigos, estou inconsolável por ter-vos tirado as últimas ilusões… é quase como ter sido eu a dizer-vos que o Pai Natal não existe! Não acreditem no que eu digo, ok? Sou uma mentirosa compulsiva e só quero exibir-me, pronto.
      🙁

  2. Fa – a long long way to run
    Sol- a needle pulling thread
    La – a note to follow so

    Qualquer coincidência é mera semelhança! 😉

  3. Acht Minuten, Ana?!
    Acht Minutem?!
    Just einen Blick, nichts anderes, Ana! 😀

    (tenho este Wagner num disco da minha grafonola, com coro… é de arrepiar)

    (e sim, adoro quase todoas as músicas deste fabuloso filme)
    🙂

  4. Tenho alguma dificuldade em ver aqui um plágio. Terá sido coincidência, daquelas que há?

    E as óperas de Wagner NÃO são intermináveis, Ana. 🙂

    1. Quem sabe, Paulo? Mas é uma grande (e longa) coincidência, convenhamos. Enfim, se for comparada com as cerca de 16 horas da tetralogia de Wagner, por exemplo, a duração da coincidência é de um nano-segundo cósmico…
      (Estou a meter-me contigo, claro. Não resisti.)
      😉

      1. Que exagero, Ana! O “Anel” costuma ficar-se apenas pelas quinze horas e mais uns trocos, o que, como vês, é coisa pouca. E o Senhor Dammann – que os deuses não no-lo devolvam -, quando era intendente da Ópera de Colónia, até conseguiu um feito notável: apresentou-o numa maratona de dois dias. Consta que foi a sorte grande que saiu aos massagistas da Renânia do Norte-Vestefália.

          1. Penso que só mesmo lá na Fália. Na Itália, para não irmos mais longe, caiu completamente em desuso.

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