Um dos problemas do debate político é ter sido tomado por um discurso demasiado preso a aspectos tecnocráticos e financeiros. É preciso traduzir os números abstractos para linguagem que as pessoas percebam. Tomemos um exemplo. A dívida subiu 14 mil milhões de euros em 2016. É uma ordem de grandeza que o cidadão comum não domina. Está tão fora da sua realidade que não consegue tomar posição. Ajudemos então o cidadão com alguns dados complementares, estabelecendo depois relações que lhe sejam perceptíveis. Marcelo, que diz que está tudo a correr muito bem, dá muitos abracinhos. Estimemos que são, em média, 10 abracinhos por hora. Pois muito bem. Isto significa que de cada vez que Marcelo dá um abracinho a dívida sobe coisa de 160 mil euros. Portanto, em linguagem simples, Marcelo e Costa saem-nos, por atacado, à módica quantia de 160 mil euros por abracinho. Ou seja, o equivalente a um apartamento de gama média. Aqui está algo que o português comum não tem qualquer dificuldade em compreender.
Não há abraços grátis
Rui Rocha,

Onde se foi inspirar para inventar esses números?
Nalgum comunicado incendiário do DAESH?
Sabe que isso corresponde a 8% do PIB?
Ora, se o anterior governo deixou a dívida em 129,4%, neste momento deveria estar em 137,4%.
Ainda não vi nenhum soldado da guarda pretoriana anti-geringonça apontar este número.
Muito menos nenhuma entidade pública.
A coisa anda em 40 a 50 milhões/dia: http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/joa o-cesar-das-neves/interior/peso-da-reest ruturacao-5552999.html
Caro Rui Rocha:
Usando a linguagem Jeronimês, acho que cometeu um erro «colossal» que o fez caie numa contradição «insanável».
Foi escolher como autoridade o principal conselheiro económico de quem iniciou a louca correria da dívida com prego a fundo.
Sabe o que foi o NSRFP?
De 1989?
Que um ministro das Finanças do dito apelidou de Novo Sistema Ruinoso da Função Pública (trocando o Retribuitivo por Ruinoso).
Eu sei que a autoridade a que o Rui recorreu invocou o habitual bode expiatório (ou «bode respiratório», se usar a linguagem Jorge Jesusês) de todos os nossos males desde que o Viriato andou pela Lusitânia: o indizível Sócrates, o que enublece a visão de qualquer um.
Mas o problema mantêm-se: qual a % actual da Dívida?
A ser verdade que subiu 14 mil milhões em 2016.
Pode ver a Dívida crescer ao segundo, ainda há um mês (tomei nota) era 231.387.990.863 euros (não esquecer que somos apenas 10.374.289 de portugueses. Dizem que a austeridade acabou mas, como é costume com o PS, empurram-na com a barriga e depois arranjam uns bodes expiatórios, nacionais ou internacionais, para deitar as culpas portanto, não vale a pena dizer a dívida actual porque, simplesmente, não pára e pode vê-la sempre que lhe apetecer:
http://www.nationaldebtclocks.org/debtcl ock/portugal
A dívida tem muito que se lhe diga.
Não pode ser posta nos moldes em que se punha antigamente entre gente honrada. Acho até que o conceito de gente honrada não tem cotação nas bolsas.
Julgo não ser necessário sequer explicar esta declaração. Seria ocioso, redundante e inútil.
Se levarmos as coisas até às últimas origens (porque as últimas consequências estão à vista de toda a gente), concluiremos até que a relação entre credores e devedores está completamente invertida.
Por isso, enquanto não se corrige a situação de forma mais consequente, faz muito bem Marcelo distribuir abraços, como quem embrulha os poucos tostões que Costa vai devolvendo aos portugueses.
Bom Natal!
João de Brito
Bom Natal, João de Brito.
Não sei se o seu exemplo é o melhor. Parece-me que bastaria dizer que a dívida subiu, durante, 2016, à razão de 1.500.000 euros à hora, ou seja, mais de 25.000 euros por minuto. Uma bagatela, para os nossos governantes, uma tragédia para os nossos filhos e netos.
Sim, provavelmente seria suficiente.
Uppps……Portugueses já deram 13 mil milhões para a Banca
http://www.dn.pt/portugal/interior/portu gueses-ja-deram-13-mil-milhoes-para-salv ar-bancos-4948381.html
Boa Crítica .
Mas falaste quando fomos todos obrigados a ir aos aumentos de capital para a CGD?
Tudo banca…também não foste obrigado a ir aos privados, onde nem dividendos tiras? Adoro tutear.
O menino José tinha que fazer uma redação sobre o mocho. Começou assim: Não sei falar do mocho vou falar da vaca.
Neste blogue vigiava-se muito o défice. Agora diz-se:
Não sei falar do défice, vou falar da dívida.
Esqueceu-se de dizer quanto desceu durante os anos anteriores.
Então e os grandes abraços do Pedro Passos Coelho, ele não se ficava por abracinhos, a quanto é que nos ficaram em cada ano em que ele governou?
“E sei que afecto é dizer “não” no momento certo”
Mais aqui :
https://blasfemias.net/2016/12/21/caro-p residente-marcelo/#more-79100
Tenho de concordar com a prosa.