“Terminada a contagem dos votos dos emigrantes, conclui-se que a abstenção ficou ainda mais alta (44,14%) – é a maior de sempre numas legislativas. Em 75 dos 308 concelhos do país pelo menos metade da população não votou.” – Expresso
Enquanto discutem quem vai conduzir o Ferrari, e com quem, não seria mau que olhassem para estes números. Quanto mais baixa for a participação, concluo eu, mais desqualificada será a democracia.


Mas se nos cadernos eleitorais estão inscritos 9,6 milhões de pessoas, é evidente que a abstenção só pode ser elevada!
A abstenção é elevada porque os cadernos eleitorais têm pessoas que não existem, ou então que vivem no estrangeiro.
Esta é a ocasião ideal para pôr fim a um sem-número de anacronismos. Acabar com o absurdo “dia de reflexão” (como em tempos se acabou com a absurda regra de proibir sondagens durante a campanha eleitoral). Pôr fim aos anquilosados mecanismos de indigitação e formação de governo. Abrir enfim o sistema ao voto electrónico (que já vigora, por exemplo, no Brasil). Extinguir os dois círculos eleitorais da emigração (os que elegem menos deputados por eleitor) transferindo os votos dos eleitores residentes no estrangeiro para os cadernos eleitorais do seu círculo de origem, no continente ou nas ilhas. E sobretudo, acima de tudo, actualizar o recenseamento eleitoral. Os cadernos eleitorais portugueses estão cheios de mortos e de eleitores-fantasma que servem apenas para dilatar as percentagens de abstenção de escrutínio em escrutínio, falseando-as.
Acabar com o absurdo “dia de reflexão”
Não concordo totalmente. Acho útil um dia sem campanha eleitoral, para as pessoas esfriarem a cabeça. Apenas eliminaria a proibição de os media darem notícias sobre as atividades do último dia da campanha.
Abrir enfim o sistema ao voto electrónico
Isso seria um festival de pessoas a votarem por outras. Velhinhos que dariam a sua password a familiares para eles votarem por eles. Compra e venda de passwords para votar. Não concordo.
Extinguir os dois círculos eleitorais da emigração transferindo os votos dos eleitores residentes no estrangeiro para os cadernos eleitorais do seu círculo de origem
Isso é tão ridículo como sugerir que uma pessoa que nasceu nos Açores mas vive no continente tem que permanecer recenseada pelos Açores toda a vida.
Se uma pessoa vive no estrangeiro, então está recenseada no estrangeiro. Ou então, não está recenseada em sítio nenhum. Agora, não vai estar recenseada num sítio onde não vive e onde até pode nunca pôr os pés.
Eu tenho uma prima que vive há quarenta anos na Suíça. É natural do Porto mas, quando vem a Portugal (muito frequentemente), vai sempre para o Algarve e raramente vai ao Porto. Por que raio haveria ela de estar recenseada pelo Porto?
“Esfriarem” é Brasileiro. Agora percebo tudo.
os anquilosados mecanismos de indigitação e formação de governo
Como seria reformado o sistema, então?
Por exemplo, na situação atual, como é que se poderia formar um governo mais rapidamente do que ele está a ser formado?
Lembro que na Alemanha recentemente, e na Bélgica há mais tempo, e em Israel também recentemente, se demorou meses a formar governo. Os mecanismos “anquilosados” não são o maior dos obstáculos à formação rápida de um governo.
Caro Luís Lavoura concordo inteiramente consigo.
Obrigado por apresentar argumentação simples, fácil de entender e incisiva.
Não concordo consigo, Sérgio. E não concordo que sejam os políticos a olhar para os números. São os cidadãos que devem rever suas atitudes, projectos e sentido de interesse.
O círculo político não é nada mais e nada menos que o reflexo de uma sociedade que pensa da mesma forma e age e desinteressa-se da mesma forma por todos os demais.
O corporativismo nacional é a estrutura base da nação que tem berço numa falsa postura familiar, social, empresarial e até mesmo religiosa. Portugal é o país onde se pensa, age e exige que se alinhe pelo conceito da camisola. Como assim acontece, não se admire que esta postura clubista tenha conduzido ao paternalismo e infantilismo social.
Portugal e cada pessoa em si mesma possui as características anteriormente referidas. E quer enquanto governantes, quer enquanto empresários, quer enquanto família, quer enquanto religiosos, quer enquanto trabalhadores reflecte-se em simultâneo tal paternalismo/infantilismo. Mas sempre convencidos que cada um individualmente é o sabichão da corte; e sempre que possível este marialvismo sobressai, em particular quando se pensa que o exercício do poder se transforma em posse e não em responsabilidade.
Portanto, não nos admiremos que a cultura de exigência e de combate social passe única e exclusivamente por exigir dos outros e aos outros o que não se é capaz de fazer.
A sociedade corporativista e cada um individualmente age como um fariseu e doutor de leis que coloca fardos em cima de outros, mas que cada um não está disposto a carregar nem é capaz de o fazer.
Para conduzir um Ferrari não basta olhar para a montra, é necessário conhecer-lhe a potência, o comportamento e a estrada ou pista onde o mesmo pode ser conduzido. E é necessário treino e dureza, mas não a vaidade.
Já agora, aqui o 488 GTB: soU XI
https://www.youtube.com/watch?v=5gd_UDJq
https://www.youtube.com/watch?v=IrvnTpL-y
Há uma solução simples para o problema da abstenção: os abstencionistas passam a não contar para nada. Não dão direito a eleger deputados.
Seria assim: suponhamos que há um milhão de eleitores recenseados em cada um dos círculos eleitorais A e B. Numa eleição, votam 600 mil pessoas no círculo A e 400 mil pessoas no círculo B. Então, o círculo A elege 6 deputados e o círculo B elege 4, Em vez de elegerem um número de deputados de acordo com o número de recenseados (o que daria 5 deputados a cada círculo, dado que ambos têm o mesmo número de recenseados), elegeriam um número de deputados proporcional ao número de votantes.
Seria bastante simples e deixar-se-ia de falar de abstenção de uma vez por todas.
É de facto preocupante a percentagem de abstenção nas últimas eleições. Um povo que não se importa com os rumos do país, que não vota quando é chamado para isso, não tem legitimidade para depois vir criticar o que quer quer seja.
Eu votei nestas últimas eleições. E para quê? Dizemos que vivemos numa democracia, que a voz do povo é soberana e blá, blá, blá, e depois acontece esta palhaçada que temos vindo a assistir desde 4 de Outubro. Estamos na iminência de um governo de esquerda (que andava sempre às turras durante a campanha eleitoral, tanto que cheguei a pensar que o imperativo era abaterem-se entre eles), de ter um primeiro ministro que não foi escolhido pelos portugueses, que se passeia como um pavão pelos corredores do poder, de que aliás parece estar com muita fome; temos um PCP e um BE que na sua primeira versão diziam ser uma coisa e em apenas uma semana mostram-nos uma versão completamente diferente.
Se calhar era bom reflectirmos um pouco sobre o elevado número de abstenção. Parece-me que as pessoas estão fartas destes partidos, destes jogos políticos, desta ânsia em chegar ao poder sem olhar a meios. Até o BE e o PCP, quer se concorde ou não, tinham um pensamento mais linear e coerente, estão agora dispostos a abdicar dos seus supostos princípios para apoiar um governo PS.
O voz do povo português não foi respeitada nestas eleições. Está a ser fortemente desrespeitada pela classe política. Isto não configura uma situação normal numa democracia. Talvez as pessoas se abstenham porque há muito que sabem que não podem contar com a classe política actual, uma vez que não tem um rosto, mas vários, consoante os seus interesses partidários. Como aliás se está a provar desde 4 de Outubro. Cumprimentos
A Tânia não parece estar consciente do facto de que votou numa eleição de deputados. A Tânia não votou para escolher o primeiro-ministro. Quem vota para escolher o primeiro-ministro são os deputados.
Se a maioria dos deputados achar que António Costa é melhor para primeiro-ministro do que Passos Coelho, então isso está perfeitamente dentro dos trâmites da democracia parlamentar em que vivemos.
Se a Tânia vivesse nos EUA, ou noutro país com um sistema presidencialista (na América há, creio, muitos), é que votaria diretamente para escolher o chefe do governo. Aqui, não – só vota para escolher deputados, e estes é que escolhem o chefe do governo.
Golpadas eleitorais também não ajudam. Eu só votei porque percebi que era útil votar contra o PS/Costa, apesar de ter considerado que não deveria votar enquanto não abolissem o AO, essa outra golpada nojenta. Mas se o meu voto for defraudado por uma coligação de derrotados provavelmente nunca mais me preocuparei em votar. A partir daí quererei é que isto tudo se f***.
Os votos em branco aumentaram quase 100% desde 2002.
As pessoas devem ter direito à não política.
A política é algo que pode ser necessário ou não, ou com mais ou menos intensidade num determinado momento de uma sociedade.
Logo a sociedade deve poder escolher se quer mais ou menos política.
A abstenção e voto nulo representado no Parlamento com lugares vazios é uma das maneiras da população demonstrar a necessidade ou não de política .
E quantos mais lugares vazios menos poder deve ter a política de mudar o que está.
Por exemplo a maior parte da melhoria da qualidade de vida dos Portugueses nos últimos 40 anos foi-o pela tecnologia e não pela política.
Tecnologia que os portugueses contribuíram pouco. E para a qual os políticos portugueses ainda contribuiram menos.
— “a sociedade deve poder escolher se quer mais ou menos política.”
Concordo totalmente. Aliás, acho que em Portugal —talvez por ser um país de funcionários públicos— há demasiada política e intromissão do Estado e das instituições na vida civil. E fico muito triste que as pessoas não liguem A com B e que até pensem que mais Estado e mais intervenção paternalista de capatazes dos partidos na sua vida é bom. Não é. É péssimo. Uma sociedade civil mais forte é mais saudável.
Mais uma razão para nos afastarmos dos islamismos e dos comunismos, que reprimem a sociedade civil e a criatividade invididual. Idealmente há muita gente aqui que não se importava de viver nessas sociedades onde têm todos o mesmo nome. Uma coisa absolutametne terrível.
Por favor emigrem em vez de os querer trazer para cá.
Também me preocupa o cada vez mais elevado grau de abstenção nas legislativas. Contudo há que ter em conta nestas ultimas eleições com o elevado número de portugueses que foram empurrados para a emigração pelo governo-treva que nos (des) governou durante os ultimos 4 anos. A esmagadora maioria desses portugueses continuam inscritos aqui nos cadernos eleitorais, mas não passam de eleitores fantasma.
Usar o direito de livre circulação na UE não é emigrar. Nos Estados Unidos há migrações de pessoas – e Portugal sempre as houve! – consoante a economia dos estados.