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Felipe González, ex-chefe do Governo e ex-líder socialista espanhol, deu pela primeira vez uma entrevista ao diário El Mundo, seu antigo inimigo de estimação a que noutros tempos não hesitava em chamar “Imundo”.
Deste diálogo que acabou de quebrar um gelo de 29 anos, conduzido pelos jornalistas Antonio Lucas e Pedro Simón, destaco as seguintes frases:
«Puigdemont tem a obrigação de apresentar-se perante a justiça, porque é um foragido. Parece que não está disposto a assumir essa obrigação. Confunde a imunidade parlamentar com impunidade. Mas quem está acusado de cometer delitos graves não pode pretender que um processo eleitoral o torne imune e impune.»
«Receio que a irresponsabilidade de personalidades como Puigdemont ponha em risco o desafio da descentralização, que foi e é muito positivo para o funcionamento de Espanha.»
«O contributo de Espanha para a crise foram a precariedade laboral e a desvalorização salarial.»
«Somos um país de emigrantes. Durante dois séculos, só soubemos exportar exilados e emigrantes.»
«Tsipras [primeiro-ministro grego] perguntou-me se não me senti frustrado ao chegar ao Governo. Disse-lhe que não. Retorquiu: “Eu senti-me frustrado, porque em certas coisas fiz o contrário do que prometi (entre outras, cortou para metade as pensões de reforma). Respondi-lhe: “Isso foi porque tu chegaste ao poder como revolucionário e eu cheguei como reformista”.»
«A tentação de Maduro é eleger quem se apresentará pela oposição [às eleições presidenciais]. O regime da Venezuela converteu-se numa tirania muito semelhante à do Tirano Banderas, de Valle-Inclán.»
«A ideologia perde força quando se usa como um escudo para esconder a ausência de ideias.»
«Na vida, não escolhemos os nossos amigos. Só estamos em condições de escolher com quem não tomamos café. Quer dizer, os nossos inimigos.»

Uma lição vinda do outro lado da fronteira. É só escolher.
Lição, sim. Excelente entrevista. Boas reflexões.
Um Andaluz..politicamente pouco , muito pouco, andaluz.
Se bem que “aquilo” do Juan Guerra, “el hermanissimo”…
JSP
Andou à frente do seu tempo, reconvertendo a esquerda espanhola – à época, a mais sectária do continente – numa força moderna, reformista e transformadora da sociedade.
Aprendeu as lições da guerra civil, tal como alguns políticos da direita em Espanha, e soube dar um grande passo em frente, sem sectarismos, sem dogmatismos. Merece amplo crédito por isso. Tornou-se um do raros estadistas europeus, admirado em diversos quadrantes políticos.
“Andou à frente do seu tempo, reconvertendo a esquerda espanhola – à época, a mais sectária do continente – numa força moderna, reformista e transformadora da sociedade.”
A esquerda não, o PSOE, que não tarda nada é irrelevante.
Existe alguma esquerda em Espanha “menos irrelevante” do que o PSOE? Se há, deve ser tão anónima e andar tão escondida como você.
Que disparate, então uma pessoa com quem não queremos tomar um café é nossa inimiga? Não é! É simplesmente uma pessoa que não queremos ter como amiga – o que não significa que seja nossa inimiga.
Claro que podemos escolher os nossos amigos. Se recusamos tomar café com uma pessoa, isso quer dizer que estamos a escolher não a ter como amiga.
Eu jamais beberia um café consigo.