«Não escolhemos os amigos, apenas escolhemos os inimigos»


Pedro Correia,

felipe-gonzalez-efe-644x362[1].jpg

 

Felipe González, ex-chefe do Governo e ex-líder socialista espanhol, deu pela primeira vez uma entrevista ao diário El Mundo, seu antigo inimigo de estimação a que noutros tempos não hesitava em chamar “Imundo”.

Deste diálogo que acabou de quebrar um gelo de 29 anos, conduzido pelos jornalistas Antonio Lucas e Pedro Simón, destaco as seguintes frases:

 

«Puigdemont tem a obrigação de apresentar-se perante a justiça, porque é um foragido. Parece que não está disposto a assumir essa obrigação. Confunde a imunidade parlamentar com impunidade. Mas quem está acusado de cometer delitos graves não pode pretender que um processo eleitoral o torne imune e impune.»

 

«Receio que a irresponsabilidade de personalidades como Puigdemont ponha em risco o desafio da descentralização, que foi e é muito positivo para o funcionamento de Espanha.»

 

«O contributo de Espanha para a crise foram a precariedade laboral e a desvalorização salarial.»

 

«Somos um país de emigrantes. Durante dois séculos, só soubemos exportar exilados e emigrantes.»

 

«Tsipras [primeiro-ministro grego] perguntou-me se não me senti frustrado ao chegar ao Governo. Disse-lhe que não. Retorquiu: “Eu senti-me frustrado, porque em certas coisas fiz o contrário do que prometi (entre outras, cortou para metade as pensões de reforma). Respondi-lhe: “Isso foi porque tu chegaste ao poder como revolucionário e eu cheguei como reformista”.»

 

«A tentação de Maduro é eleger quem se apresentará pela oposição [às eleições presidenciais]. O regime da Venezuela converteu-se numa tirania muito semelhante à do Tirano Banderas, de Valle-Inclán.»

 

«A ideologia perde força quando se usa como um escudo para esconder a ausência de ideias.»

 

«Na vida, não escolhemos os nossos amigos. Só estamos em condições de escolher com quem não tomamos café. Quer dizer, os nossos inimigos.»

8 comentários em “«Não escolhemos os amigos, apenas escolhemos os inimigos»”

  1. Um Andaluz..politicamente pouco , muito pouco, andaluz.
    Se bem que “aquilo” do Juan Guerra, “el hermanissimo”…

    JSP

    1. Andou à frente do seu tempo, reconvertendo a esquerda espanhola – à época, a mais sectária do continente – numa força moderna, reformista e transformadora da sociedade.
      Aprendeu as lições da guerra civil, tal como alguns políticos da direita em Espanha, e soube dar um grande passo em frente, sem sectarismos, sem dogmatismos. Merece amplo crédito por isso. Tornou-se um do raros estadistas europeus, admirado em diversos quadrantes políticos.

      1. “Andou à frente do seu tempo, reconvertendo a esquerda espanhola – à época, a mais sectária do continente – numa força moderna, reformista e transformadora da sociedade.”

        A esquerda não, o PSOE, que não tarda nada é irrelevante.

  2. Que disparate, então uma pessoa com quem não queremos tomar um café é nossa inimiga? Não é! É simplesmente uma pessoa que não queremos ter como amiga – o que não significa que seja nossa inimiga.
    Claro que podemos escolher os nossos amigos. Se recusamos tomar café com uma pessoa, isso quer dizer que estamos a escolher não a ter como amiga.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *