Depois de terem sido privatizados (à força, é certo), de hilariantes campanhas publicitárias, que metiam índios e cowboys, e de alguns se terem tornado mainatos dos bancos e das agências imobiliárias, afinal os seus novos patrões, de quem recebem ordens e a quem prestam contas ao abrigo de inenarráveis protocolos, como se fossem uns quaisquer escriturários, os notários, de acordo com uma proposta que a sua Ordem pretende fazer ao Governo, querem instalar-se nos consulados. Não sei de que mais se irão lembrar, mas percebo esta necessidade que a Ordem dos Notários agora tem de garantir trabalho para todos. Espero é que isso não seja feito à nossa custa nem com a criação de novas burocracias, que venham a recair sobre os nossos compatriotas para lhes garantirem a tença. Sejamos sérios. É de trabalho e de euros que estamos a falar. A proposta não deve ser para valer. Ou bem que os notários são profissionais liberais ou o melhor mesmo é voltarem a ser funcionários públicos. Se hoje até fazem registos e pagam impostos, demonstrando terem o tempo e os meios que antes não tinham nem para uma simples escritura, sinal inequívoco de que estão a trabalhar mais e melhor, creio que se a Ordem insistir neste ponto então o Estado deverá voltar a dar-lhes a hipótese de retomarem o estatuto anterior à privatização, ainda que com prémios de produtividade. Seguramente que esta não voltaria aos níveis anteriores à reforma, eles deixavam de ter motivo para se queixar das expectativas frustradas e ficavam aliviados dos encargos e responsabilidades decorrentes do exercício de uma profissão liberal. Os cidadãos, esses, eram poupados ao mau gosto das suas campanhas publicitárias e a propostas pouco sérias como é esta dos consulados.
Não é que querem ser de novo funcionários?
Sérgio de Almeida Correia,

Muito oportuna, esta tua chamada de atenção.
(gosto do termo ‘mainato’, que utilizas bem a propósito, e que não lia há anos)
Nem mais.
Ao tempo que eu não via escrito mainato ” muito utilizada cá em casa…, achei uma graça :-))
Uma pequena correcção: Sócrates fêz aquilo que mais nenhum governo no mundo inteiro conseguiu alcançar: acabar com o funcionalismo público e destruir as carreiras da Administração Pública, coisa que Salazar e Marcello caetano nunca sonhariam fazer.
Através da Lei 12-A/2008 de 27 Fevereiro (“Regime de Vinculação, de Carreiras e Remunerações dos Trabalhadores da Administração Pública”)d e da Lei 59/2008 de 11 Setembro (“Contrato de Trabalho em Funções Públicas”) termino8 em Portugal a categoria de funcionário público. Do mal o menos: estavam tão mal vistos… já Hitler fêz o mesmo: dividir para reinar…