Não é privilégio: é um direito


Pedro Correia,

Enfim, 38 dias depois e só após um generalizado coro de críticas públicas – que abrangeu até o ex-Procurador Geral da República, Pinto Monteiro – os familiares dos mortos nos incêndios de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos vêem divulgada a lista oficial de vítimas, afinal ainda provisória e correspondendo em tudo à que o Expresso noticiara no passado sábado, contornando o absurdo manto de silêncio antes imposto pelo Governo e pelo Ministério Público.

Numa sociedade aberta e livre dos mecanismos da censura oficial que vigoraram em Portugal durante quase meio século, esta informação não é um privilégio: é um direito da opinião pública. Até para estancar a onda de boatos que já alastrava e poder ser sujeita a eventual contraditório.

Alguém imagina que as listas das vítimas dos atentados terroristas do 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, do 11 de Março de 2004 em Madrid ou do 14 de Julho de 2016 em Nice tivessem ficado ocultas como se constituíssem segredos de Estado?

10 comentários em “Não é privilégio: é um direito”

  1. O QUE DIZ MARCELO:
    “Em ditadura há 50 anos, eu lembro-me, era possível haver tragédias e nunca ninguém percebia bem quais eram os seus contornos porque não havia MP autónomo, juízes independentes ou comunicação social livre. Em democracia há tudo isso e é uma riqueza. Essa é a diferença do Estado democrático”.
    O QUE É PRECISO DIZER:
    Agora com a conivência envergonhada de V.exa. parece que o estado a que tudo isto chegou piorou antes de melhorar. Com descaramento muito mais visível.

  2. o absurdo manto de silêncio imposto pelo Governo e pelo Ministério Público

    O governo diz que não impôs manto de silêncio nenhum, que quem o impôs foi o Ministério Público (o qual, por lei, é independente do governo, e aliás tem a tradição de zelar muito bem essa independência). O facto de ter sido o Ministério Público a revelar a lista atesta que foi ele quem antes impôs o seu segredo.

      1. Percebo.
        Em Portugal o governo (ou, em certos casos, as Câmaras Municipais) tem que ter sempre a culpa de tudo. Nunca ninguém tem culpa a não ser o governo. O governo é o culpado de todos os males do país, a começar nos fogos florestais e a acabar nos altos preços dos apartamentos urbanos, passando pela caca de cão nas ruas ou pelo lixo fora dos contentores. A população, essa, é uma mera vítima da maldade governamental. O povo é um inocente. Tudo o que de mau acontece é assacado ao governo.

    1. Atesta que o segredo de justiça nunca existiu para esse efeito. Costa apenas se pendurou num mal medido galho de sobrevivência, e já não se pode estatelar mais porque está de rastos.

  3. “Incêndios
    Mação. Incêndio “descontrolado” ou “manhã tranquila”?
    O vice-presidente da Câmara de Mação diz que o “o incêndio continua completamente descontrolado”. A comandante da Proteção Civil, por sua vez, fala numa manhã “mais tranquila”.
    Marcelo já lá vai equipado com o pulverizador de gotas para borrifar água benta e adoçar a caldeirada com chá de ervas tostadas.
    Costa já só sorri às pinguinhas com a MAI ao colo.

    1. A culpa é obviamente do governo. E principalmente do seu principal responsável: António Costa. Tivéssemos outro Primeiro Ministro e nada disto aconteceria.

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