Políticos sem argumentos novos começam a usar o rótulo de ‘populismo‘ para atacar as ideias dos adversários. Como está mal definida, sendo repetida em múltiplas situações, esta acusação tenta formar uma amálgama de tudo o que vai desde extrema-direita ultra-nacionalista até às propostas mais lunáticas da extrema-esquerda. Enfim, ao tentar apanhar tudo, a palavra acaba por não definir coisa alguma.
As propostas populistas podem ser consideradas reacções ao fracasso do também mal definido neo-liberalismo que dominou as útimas três décadas. O Brexit foi evidente consequência do movimento populista, mas Donald Trump será um exemplo ainda mais certeiro. Que padrões encontramos? Os seguintes: violento discurso anti-elites; defesa dos perdedores da globalização; nacionalismo nostálgico de um passado mítico; a ideia de que a comunidade precisa de regressar às suas raízes perdidas; contestação do capitalismo ou, no mínimo, da ganância das grandes empresas sem rosto; recusa de mais poderes para organizações inter-governamentais não eleitas; rejeição da imigração em massa, devido ao efeito negativo no rendimento dos mais pobres, mas também devido à insegurança gerada pelo terrorismo islamita.
A grande crise foi provocada pelo fracasso das elites e pelo esgotamento de um modelo de globalização económica que não trouxe benefícios para vastos grupos da população. Por isso, nas sociedades industrializadas, será difícil para um político ganhar eleições sem adoptar algumas destas interpretações da realidade. Os elitistas e pragmáticos que defendem o statu quo terão dificuldade em encontrar argumentos contra a plataforma populista. Em resumo, se insistirem na rejeição pura e simples desta rebelião, os partidos tradicionais não poderão adoptar a sua parte lúcida. Essa estratégia separa-os irremediavelmente do eleitorado, na certeza de que uma alternativa ocupará o vazio. Aliás, isso já acontece: os partidos extremistas estão a tomar conta do descontentamento popular, assumem-se como os seus campeões e continuam a subir nas intenções de voto, perante a surdez e a impotência dos partidos tradicionais democratas-cristãos, liberais e social-democratas, que não conseguem mudar de discurso.

Muito bem!
No tempo da Velha Senhora, tudo o que era contra o regime era comunista.
Agora, tudo o que é contra o regime predominante é populismo.
Só um detalhe:
– O regime predominante atual não se salvará com um simples ato de contrição. Ele é intrtinsecamente perverso.
E o seu fim terá que ser como o fim da Velha Senhora.
Ou seja, terá de ser eliminado e substituído nos seus fundamentos, que são:
– O crescimento constante, a competitividade feroz e o consumo pelo consumo.
E a razão é simples:
– Tal regime é, inevitavelmente, insustentável quanto aos recursos e socialmente injusto.
Basta raciocinar…
João de Brito
“Os elitistas e pragmáticos que defendem o statu quo terão dificuldade em encontrar argumentos contra a plataforma populista”.
Bem, não confundamos vaidade com elitismo. E pragmáticos são aqueles que compreendendo a realidade, e as causas que conduziram ao presente, pretendem inverter o tal status quo.
O que acontece com os vaidosos, vulgo elites, em particular a saloia vaidade nacional dos que se julgam elites, não se resume na pretensão da manutenção do status quo, mas sim na perpetuação do ego.
O suposto elitismo não passa de uma construção com carácter mitológico cuja narrativa e interpretação carece de um melhor labor.
Escreveu Ortega que “Eu sou eu e a minha circunstância; e se não a salvo a ela, não me salvo eu”.
Para não andar por aqui com conversa de treta, resumo a interpretação desta afirmação à necessidade de desalojar de cada um de nós a cultura integral.
A filosofia é a arte que a razão usa para desinstalar as falsas premissas culturais enraizadas. Para tal, é necessário provocar e até mesmo afirmar que andamos armados ao pingardelho e que a vaidade só nos tem conduzido ao constante parir de filha(o)s da putice.
Políticos sem argumentos novos começam a usar o rótulo de ‘populismo‘ para atacar as ideias dos adversários.
O Luís Naves critica esses “políticos sem argumentos novos”, mas já fez o mesmo que eles, ao acusar de `populista’ a nova presidente do município de Roma, Virginia Raggi.