Não aprendem nem querem aprender


Sérgio de Almeida Correia,

Aquilo que há um ano era veementemente negado tornou-se ao fim de doze meses numa inevitabilidade.

Podiam ter aprendido alguma coisa com as meias-verdades e as aldrabices dos que os antecederam, mas a partidarite e a cegueira política e ideológica eram de tal forma graves que preferiram aldrabar os portugueses enquanto lhes atiravam areia para os olhos. Uma coisa é dizer que não há custos, outra é escamoteá-los, negá-los, ridicularizá-los desde a primeira hora para por fim acabar a admitir uma “minimização” de custos do lado dos contribuintes.

Qualquer solução teria custos. A escolhida pode ter sido a menos gravosa para os contribuintes, mas ainda assim não valia a pena ter mentido de forma tão descarada dizendo que os contribuintes não iriam suportar quaisquer custos. Se outros não houvesse sempre haveria os sociais.

É esta tão flagrante falta de seriedade no exercício do poder, no exercício da actividade política, e que persiste há várias décadas, que torna tudo mais difícil neste país. Pior só mesmo vir agora dizer que se se for governo se vai pagar a toda a gente e mais alguma.

0 comentários em “Não aprendem nem querem aprender”

  1. Acha mesmo? Durante anos os governos iam ‘literalmente’ para a cama com esta gente – e, pelo menos desta vez, alguem no governo e na regulação andou a bater o pé.
    Ricardo Salgado esperava – porque assim estava habituado – que o Governo e o Regulador viessem prestar vassalagem. Estava habituado na PT, estava habituado com o BES Angola, estava ainda habituado com ‘investimentos’ da Rio Forte, etc. Depois de perceber que tinha de fazer pela vida, ele e quem á volta dele se habituou a que ‘dinheiro e meios sempre apareciam’ andaram a salgar a terra, e a contar que era adubo. Sangrou a PT, esmifrou investidores com as histórias de ‘papel comercial’. Esperavam simplesmente que, perante o pandemónio, o “interesse nacional” pudesse mais uma ver ser a cosmetica para nova mama.Porque assim estavam habituados.
    O presidente do Banco de Portugal foi ingénuo? Claro que foi, pois esperava que esta gente ao menos tivesse vergonha e parasse com a ordenha. Provavelmente, sabendo o que hoje se sabe, tinha corrido com aquela gente mais cedo, um regulador como a CMVM teria corrido com aquela tralha da PT – que transformou uma empresa com serviços e tecnologias competetivas numa especie de entreposto financeiro para nomeados da ‘xuxalada’ e amigos de Lula da Silva- que andou a ajudar a festa.
    Mas sinceramente é facil ser general a recitar estratégia no fim da batalha. Os seus argumentos misturados com o asco que reiteradamente reserva para este governo e os seus actores pouco mais são que essa recita…

    1. Saber que o GES está a falir, deixar o BES fazer um aumento de capitais ao mesmo que tempo que se vem para a TV e para os jornais dizer que está tudo bem, não é só deitar-se na cama com esta gente. É incesto, porque eles são todos gerados pela mesmíssima mãe.

  2. Por isso é que o Senhor Engenheiro Sócrates tinha de pedir mais que muitas vezes aquilo de que gosta muito ao seu amigo Santos Silva, coitado.

  3. Mas diz-se. E com todo o descaramento, impunidade e irresponsabilidade. E perante um povo exausto, embrutecido e sedento de uma boa notícia, sem cuidar de saber se verdadeira ou sequer remotamente praticável, isso funciona muitíssimo bem atento o objectivo em causa.

    Que, bem se sabe (curiosamente o povo não o parece saber; suponho que o mais recente carro de luxo do Ronaldo, o “soft porn” diário dos serões da TVI e a anatomia insinuante de uma ou outra menina, daquelas que fazem de actriz nas novelas servidas à náusea – à falta da russa caída em desgraça -, lhe ocupem os neurónios), não é pagar o que seja, é regressar ao poder.

    Mas um povo estúpido sempre combinou muito bem com governantes (ou potenciais governantes) mentirosos. Para vantagem destes.

    Donde, está muito bem assim e nem podia ser de outra maneira.

    Costa

  4. Ainda há pouco tempo o José António Abreu repetiu como autor deste blogue, o mantra de que não haveria custos para os contribuintes. Como se o dinheiro crescesse nas árvores e os prejuízos do BES pudessem ser pagos com esse dinheiro crescido nas árvores.
    É evidente que, havendo prejuízos, e o dinheiro não crescendo nas árvores, alguém vai ter que pagar esses prejuízos. Se não forem os contribuintes, serão os depositantes de dinheiro nos bancos. Que, ao fim e ao cabo, são exatamente as mesmas pessoas.
    Parece que felizmente o José António Abreu já se apercebeu disso.

  5. Entretanto, Carlos César garante que um governo do PS compensará os lesados do BES. Enternece ver socialistas prometerem pagar prejuízos privados com dinheiros públicos. Mas não surpreende: já o fizeram no caso do BPN. Quaisquer esperanças de que tivessem aprendido a lição acabam de se esfumar. Uma das maiores mágoas de Ricardo Salgado só pode ser não ter encontrado António Costa como primeiro-ministro quando precisou de dinheiro público para salvar o grupo.

    (JAA, Delito de Opinião)

  6. “Pior só mesmo vir agora dizer que se se for governo se vai pagar a toda a gente e mais alguma.”

    Já foi dito. No mesmo momento em que se censura a forma como os investidores foram levados a crer que o papel comercial do BES era seguro, há quem levianamente leve esses mesmos investidores a pensar que o Estado vai pagar a toda a gente.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *