
Vasco Graça Moura dá aqui uma magnífica lição aos defensores do Acordo Ortográfico, que se têm multiplicado na praça pública a insistir na aplicação de um acordo internacional que não foi ratificado por todos os Estados de língua portuguesa e que por isso não tem a mínima hipótese de conseguir a unificação da ortografia do português, que era o seu objectivo. O resultado do acordo ortográfico será o absurdo de Portugal ir ficar com uma ortografia que mais nenhum país lusófono utiliza. Efectivamente palavras como “exceção”, aceção”, “conceção”, podem surgir escritas em Portugal mas não surgirão no Brasil nem em Angola ou Moçambique. Pergunta-se então para quê um acordo ortográfico que só estimula a divergência de ortografias?
O que já se verificou é que, apesar da teimosia de alguns órgãos de comunicação social em implementar esta ortografia, a esmagadora maioria dos colunistas não a aplica. Isso não significará que esta nova ortografia não é desejada? A insistência em fazer aplicar o acordo à força parece corresponder à daqueles meninos cuja boa acção era ajudar a velhinha a atravessar a rua, mesmo quando ela não queria atravessar a rua.
Sem desprimor para os argumentos apresentados por José António Saraiva, Henrique Monteiro, e Jorge Bacelar Gouveia, acho que até agora a peça mais elucidativa produzida sobre o acordo ortográfico é este texto de Pedro Santana Lopes. O mesmo, um dos responsáveis pela aprovação do acordo, faz uma acalorada defesa do mesmo, ao mesmo tempo que confessa que não adopta a nova ortografia, porque ainda não o decidiu fazer. Ora, se ele próprio não adopta esta estranha ortografia, porque é que defende que os outros o façam? Suspenda-se mas é este disparate e já.

Só de olhar para essa página daquilo que outrora foi um jornal dá vontade de morrer. Que coisa horrível ter de co-habitar com gente desta.
É bem verdade!
Bem … visto doutra forma, isto sim, é serviço público… é que as barbaridades vistas assim, em grande e a cores, até tem outra expressão! Dá vómitos só de olhar!
Retângulo … retângulo … e eu que pensei que não ia encontrar nada mais idiota que o “espetadores” …
«Retângulo» é dansar duas veses o tângulo, uma dansa arjentina.
No seu artigo, Vasco Graça Moura escreve por duas vezes a frase
a lei deve ser cumprida por todos.
Trata-se de uma frase muito curiosa quando, frequentemente, se vê os opositores ao Acordo Ortográfico (não sei se especificamente VGM) argumentar precisamente o oposto – que as pessoas devem ser livres de usar a ortografia que quiserem e que o Estado não tem nada que impôr uma qualquer ortografia.
As duas afirmações em nada colidem, porque estão em planos diferentes: uns consideram que o Estado não deve interferir na ortografia e por isso são contra esta imposição estatal que, ilegal à luz mesma do direito, torna tudo ainda mais absurdo; já os que crêem que o estado deve ou pode intervir na ortogtafia – ainda que essa intervenção deva ser meramente declarativa -, defendem uma lisura de comportamento que no caso está longe de existir. A mudança da grafia de dezenas milhares de palavras para obedecer a um critério estabelecido por um estado estrangeiro há oitenta anos é um crime de inculturação de dimensão totalitária digno de um Staline.
Lei que só o é quando todos ratificarem o dito. O que até aqui ainda não aconteceu e duvido que venha a acontecer!
Nós é que somos sempre muito espertinhos e gostamos de ser os primeiros…mesmo que seja na asneira!
Pronuncia-se Eis-presso ou Ispresso?
Para além de q o s intercalar se pronuncia “ch”
No dialecto português será Ichpresso? Mas “mê-je-mo” assim…
Pronuncia-se saco de plástico.
Cumpts.
Sugestões de leitura:
1 s-depois=f706306
http://aeiou.expresso.pt/o-acordo-20-ano
2
copy/past de comentário na notícia linkada no post:
“Depois de perder a guerra das razões da filologia, [VGM] agora agarra-se [agora] às razões da legalidade.”
Leia também este comentário ao texto que citou:
“Um assiste a um filme, enquanto outro prega um prego.
Ambos são “espetadores”, segundo o Acordo Ortográfico.
Brilhante!
Já agora, se defendem a modernização da escrita, pq não se inclui no acordo a verdadeira grafia actual : axo k era do best, k4u “
há pessoas que a pregar parece que estão a pregar.
parece ser o seu caso.
há pessoas que ao lerem a frase “pregar o evangelho”, logo pensam como pregá-lo à parede.
parece ser o seu caso.
Não sei o que é isso tem de estranho. O evangelho foi pregado pelos apóstolos porque Jesus Cristo foi pregado na cruz. Não pregue tanto o acordo ortográfico e deixe de pregar pregos na nossa bela ortografia.
calculo a sua dificuldade perante a consulta de uma ementa de “pregado no forno”.
Especialmente se estiver pregado de tantas vezes ter de lhe responder.
Então o Leitão acha que atualmente fala uma língua que não tem homografas que não são homófonas?
Vamos partir do princípio que vai pensar um pouquinho e conseguir descobrir dois ou três pares de homografas que não são homófonas em cinco minutos.
Agora veja como é que tem resolvido o problema até hoje.
Vai descobrir que tem resolvido bem. Então, vai continuar a resolver.
É só uma questão de não querer ser anti-AO “porque não”.
Gosto especialmente da forma como resolve a acentuação. “Homófonas” leva acento e “homografas” não. Deve ser a regra – ou a ausência dela – no acordês. Mas há que ser a favor do acordo “porque sim”.
Faço notar que o Luís Menezes Leitão, nas duas respostas que deu aos dois comentários do Paulo Porto, não respondeu aos argumentos deste último, talvez porque não tenha mesmo resposta.
Talvez seja antes porque não encontrei argumentos absolutamente nenhuns. É por isso que as respostas foram dadas nos mesmos termos.
«Palavras do nosso dialeto»??????
Já não me lembrava desta, porque nunca mais comprei esse jornal.
Mas dialecto? O Português de Portugal é uma língua, não um dialecto!
Escreve-se “dialeto” segundo o Expresso, que é um jornal diletante.
Realmente o Expresso está enganado.
O Português, quer nas formas usadas em Portugal quer nas formas usadas no Brasil, é um conjunto de vários dialetos.
Não é só o português. Por exemplo. na língua alemã também existem dialetos, alguns bastante característicos e distintos do conjunto, sobretudo no sul da Alemanha, na Suiça e na Áustria.
Qualquer língua com alguma dimensão comporta vários dialetos. A nossa não é excepção.
Claro que c. também está enganado; o lisboês não é a “nossa” língua, é antes mais um dos nossos dialetos que os mais estúpidos teimam em confundir com Língua e com padrão línguistico recomendável.
c – embora não jogador de futebol – refere-se ao português “standarizado” de Lisboa que se pode referir como o português europeu centro-meridional “standarizado”, que costuma ser designado por português europeu.
A língua em que se expressava o Expresso era esse português, que é supra-regional de facto.
Ensinamentos recolhidos in “Fonética do Português Europeu” do Prof. António Emiliano
Esta questão do «acordo ortográfico» serve, acima de tudo, para aquilatar do estado da literacia em Portugal, incluída a democrática, e de como uma campanha de propaganda gizada por especialistas e executada por uma organização discreta com membros proprietários de órgãos de comunicação, na banca e no estado, permite impor concepções de ortografia caducas desde há muito (a da aproximação da escrita à fala, é, hoje em dia grotesca: fala e escrita são, desde há mais de 70 anos concebidas como media autónomos de um mesmo sistema, como nota A. Emiliano – o que as neurociências apenas têm confirmado), que envolvem uma violentação de uma intensidade inaudita dos hábitos de escrita e de um factor maior da identidade de uma comunidade.
Serve, também, para ver o conservadorismo anquilosante dos meios intelectuais portugueses (e brasileiros) que se permitem atitudes de um incrível paternalismo colonialista para com países como Angola e Moçambique.
Por último, e o mais doloroso, para verificarmos como a democracia é ainda, em Portugal, uma formalidade, que, no que deveria ter de substancial, não encontra expressão nas instâncias do poder. De facto, o pensamento político português é, na prática, o despotismo esclarecido: o «acordo», visto por políticos (a maioria deles gente de poucas letras) como um avanço da razão é imposto ao povo – que não sabe bem o que quer, e que, se o soubesse, havia forçosamente de aquiescer…).
Tudo isto por causa das ambições políticas de um país estrangeiro com 75% de analfabetos…
É demasiado mau para ser verdade, mas é assim mesmo.
Veja-se também como anda o AO a ser aplicado: http://www.jrdias.com/pdf/JRD_AO_CHOLDRA _ORTOGRAFICA.pdf
Que esperar do jornal mais responsável pelo estado do país e que a um mês de chegar o FMI coloca na primeira página o FMI já não vem…
É o grupo da elite que se sente sempre orfã para justificar o seu poder quando não tem um qualquer apoio externo e internacionalista.
Aviso: depois do desacordo ortográfico virá outro qualquer projecto vindo da mesma gente.