Não acertam uma (actualizado)


Pedro Correia,

 

17 de Agosto:

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luis Carneiro, disse hoje à Lusa que não há portugueses entre as vítimas do atentado de Barcelona.

 

18 de Agosto:

Portuguesa de 74 anos entre os mortos em Barcelona, havendo outra desaparecida, informa o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

 

19 de Agosto:

Morreram duas portuguesas no atentado das Ramblas, em Barcelona. A segunda vítima agora identificada é uma mulher de 20 anos que estava dada como desaparecida. A notícia foi confirmada este sábado pelo primeiro-ministro, que tem estado em contacto com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas,

 

16 comentários em “Não acertam uma (actualizado)”

  1. Caro Pedro Correia, a primeira notícia está mal redigida e induz em erro. Em abono da verdade e de José Luís Carneiro, que conheço há muitos anos, o que o SE diz na referida notícia é que não havia vítimas portuguesas entre os feridos e os quatro mortos identificados até ao momento das declarações. Garantir outra coisa seria tonteria.

    1. Caro José Carlos: manda a elementar transparência política que nenhuma informação destinada a apaziguar a opinião pública seja transmitida antes do apuramento integral dos factos.
      Esta é uma diferença fundamental entre profissionalismo e amadorismo político.
      Que alguém com a experiência política do secretário de Estado das Comunidades tenha cometido este erro, avalizado com a chancela da agência Lusa, é algo que não deixa de me surpreender.
      A questão de fundo, compreendo-a bem, é a necessidade imperiosa que o Governo sente de transmitir “boas notícias” no mais curto prazo possível. Imitando assim, na vida real, aquela velha anedota do suicida que se atira do 35.º andar e ao passar pelo sétimo piso alguém lhe pergunta de uma janela como estão as coisas e ele responde: “Até agora tudo bem.”

      1. Compreendo o que diz, mas a pressão da comunicação social, legítima num caso como este, faz os responsáveis políticos serem presos por ter cão e por não o ter. Se JLC não respondesse, ficaria mal visto. Respondendo com a informação que tinha até então, não poderia dizer algo diferente do que disse.

        1. Caro José Carlos: o secretário de Estado, que está na vida política há mais de 30 anos, não pode desculpar-se com a pressão dos jornalistas. Ele conhece isso muito bem.

      2. Está a dizer que só se pode fazer o ponto da situação no fim?

        Isso não daria azo a posts irritados de gente a escrever coisas do tipo: Já se passaram várias horas e ainda não temos nenhuma informação do governo?

        1. Eis um comentário tipicamente marxista, neste caso (para variar) tendência Groucho:
          https://www.goodreads.com/quotes/1185-those-are-my-principles-and-if-you-don-t-like-them-well
          É bem lembrado: faz amanhã 40 anos que Groucho Marx morreu.

          Há uma variação bastante menos sofisticada deste preceito, versão tuga, imortalizada pelo célebre filósofo Pimenta Machado: «O que hoje é verdade amanhã é mentira.»
          https://www.publico.pt/2004/03/16/desporto/noticia/toni-para-mim-pimenta-machado-morreu-1188698

          1. Perguntam ao Secretário de Estado quantos portugueses há entre os mortos nos atentados de Barcelona. Ele tem várias hipóteses:

            Diz que não sabe – já dá para dizer que é um inútil que devia saber.
            Diz o que é público até essa altura – nesse caso acusam-no de mudar os números conforme os tempos.
            Também pode não responder e depois apontar o dedo a quem respondeu.

            Sendo a comunicação das informações sobre o que se passa no terreno de responsabilidade do governo catalão, não percebo como é que um SE português pode ser responsável por inexatidões.

            Citando um autor desconhecido: Adivinhar é proibido.

          2. Citando o Marx de que você não gosta, “a política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em toda a parte, diagnosticá-los de forma incorrecta e aplicar-lhes a terapia errada.”
            Nesta acepção, o secretário de Estado é um político exemplar.

    2. Dizer qualquer coisa do género:
      “Até ao momento não há registo de vítimas portuguesas. No entanto, a identificaçaõ das vítimas não está concluída e o governo português está em contacto com as autoridades espanholas para verificar se há portgueses. Vamos actualizando a informação sempre que que tivermos novos dados.”

      Era credível e era honesto. sem precipitações. Ou não?

      1. Obviamente, Marta. Desde que o bom senso impere, o que não foi o caso. Houve apenas a precipitação de dar “boas notícias” ao País.
        Com os resultados que ficaram à vista.

  2. Não é o governo. Não são os governos. Oxalá assim fosse. É o Estado. São os serviços públicos que não funcionam, não funcionaram, e raramente funcionam em situações de stress. É uma vergonha. É humilhante. É triste. E quando ouvimos o PM , os PMs a dizerem que não têm informações que os façam aumentar o risco de atentado em território nacional isso significa apenas que os serviços de informações europeus não comunicaram qualquer informação ao Estado português e não que os serviços portugueses tenham alguma ideia própria do que se possa passar em Portugal.

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