Para que conste. Nada me choca que Eusébio esteja no Panteão, só me incomoda porque aquilo não tem um ar nada confortável, é tudo muito mármore, branco e ascético, muito frio e deve haver poucas farras, como o Eusébio gostaria e que se saiba a Amália também era rapariga para alinhar numas festas e cantorias. Sou contra qualquer visão elitista da vida. Não acho que um escritor possa, a priori, valer mais do que um futebolista ou uma fadista. Ai de nós se as margaridas rebelo pinto desse mundo granjeassem um lugar na casa dos deuses apenas pelo seu epíteto e ai de nós se, a juntar-se aos que já lá estão, fosse aquela a última morada dos tonis carreiras deste canto luso apenas porque há que garantir quotas e igualdade de género. Os portugueses são feitos de muitos, e nesses muitos, cada um se destaca e se ergue sobre os demais pela sua grandeza, igual se escritor, futebolista ou artista plástico, igual se andou a jogar futebol com uma bola de trapos ou a estudar francês e a tocar piano. Como diria um poeta e um homem grande ‘para ser grande, sê inteiro’. É quanto chega, mas nem todos lá chegam.
Nada teu exagera ou exclui
cronicasnofeminino,


“!Nada me choca que Eusébio esteja no Panteão,” A mim nada, mesmo nada, me choca, já vi tanta coisa! Algumas dão-me é vontade de rir. Nesta de Panteão, e para ser levado a sério, deveria ter uma disposição que vedasse a possibilidade de qualquer maduro ir para lá sem terem passado 50 anos sobre o falecimento. Assim é uma brincadeira ridícula própria de Cavaco e companhia.
Bem, nem vale a pena ir por aí, as coisas que se têm visto nos últimos tempos põem o tal porco a andar de bicicleta a um canto, tem razão. Podia ser um critério sim, mas a minha questão não é tanto essa. Desta vez, o Cavaco deve estar meio inocente, já que foi a AR que votou por unanimidade a trasladação de Eusébio. E olhe que quase conto os dias para que este país fique menos conspurcado.
Não se trata de elitismo. O problema é que Eusébio representa um clube não o País. Com a camisola das Quinas nunca ganhou nada e já outros foram bem mais longe. O que se trata aqui é da pieguice benfiquista do Regime, mas como tb já tive oportunidade de dizer noutro lado não estou minimamente preocupado com quem atafulham o templo republicano. Acho é que deviam tirar dali
Almeida Garrett.
‘Pieguice benfiquista do regime’ é bonito.
Rejeito completamente essa sua tese !
Aquando do falecimento de Eusébio inúmeros adeptos de outras cores reconheceram (já muitos o tinham reconhecido em vida) a Grandiosidade de Eusébio que até ver (só para lembrar) fez parte de uma geração de futebolistas que fez o maior brilharete da Selecção Nacional de Futebol que sendo um desporto é muito mais do que um mero desporto.
Para mim Eusébio merece inteiramente esta forma de agradecimento do Povo Português.
De um Português com memória e coração Azul e Branco !
P.S. – Para mim será sempre o Maior, Sempre.
Mas o Constelação de Heterónimos descansa no templo das viagens,ao exterior e
com ele ao Interior.Descanse em paz até àquele dia “que tu sabes quando é”.
Era uma mensagem subliminar, claro. A fotografia que acompanha o post é minha e sei onde a tirei 🙂 Não precisam todos de ir para o Panteão, mas essa seria uma outra questão. O meu ponto é que já que existe um Panteão, que na verdade não me diz muito, não me choca que um dos que lá repousa e se destacou no seu mester não seja um homem de cultura erudita. Não gosto de elitismo. Não mesmo.
Sem dúvida,ponham lá quem quiserem,não penso ir lá,nem dou grande crédito àquilo.
Aproveitei a sua foto para pedir que pelo menos deixem Este em paz,está bem onde está,e nunca foi “de companhias”.E lê-lo será a melhor maneira de o homenagear.
Companhia era o que não lhe faltava com aqueles heterónimos todos, mas sim, está bem onde está, se opinar nos é permitido quanto à última morada dos grandes, e quando tirei a fotografia estava Maio num dia de sol deslumbrante em Lisboa. Nunca os Jerónimos me tinham parecido tão belos. Ler é sempre a melhor maneira de homenagear um escritor, não posso concordar mais.
Uma das qualidades mais notórias deste “regime” (entenda-se por regime o conjunto de valores operacionais e práticas que a cúpula governativa dispõe e deixa para a comunidade) é a divisão e as escolhas unilaterais que dividem o povo em humores contrários. Optam por más opções simbólicas (como a bandeira ou a ortografia) e têm um discurso miserabilista que reflecte más escolhas e um posicionamento que destrói a unidade do Povo. Será um tique republicano ou uma característica de um povo? Não arrisco dizer. Mas arrisco dizer que a imagem da República é muito pobre. Basta ver as fotos da cerimónia que estão no Observador: parece um funeral da máfia napolitana. É tudo feio, porco e mau.
Se vamos falar desta gente que nos (des)governa, a conversa é outra. A fileira de camafeus que nos tem desgraçado a vida não acolhe o menor apreço da minha parte e não vejo o dia em que eles todos desapareçam de vez. Envergonham-nos, desprezam pessoas, têm um discurso moralista abjecto e são mentirosos compulsivos. Contudo, o problema não é da República. Sou republicana convicta. Para o bem e para o mal, e deste mal sei bem do que falo, a voz do povo deve ser ouvida.
Mas esse é o problema da República: são escrivãos com mau gosto promovidos a chefes, sem sensibilidade para compreender que um País é feito de símbolos. Duvido que possa ser outra coisa dado a sua natureza burocrática e ideológica, sem nada de anterior e ulterior à pobre coisa que constitui.
Quem repousa no Panteão que seja conhecido no resto da Europa? Dos que lá estão
Eusébio e Amália são os UNICOS que são conhecidos em todo o MUNDO!Não esqueçam: em todo o MUNDO!
Verdade. Mas aquilo deve ser um bocado frio, não acha?
um Papa recente teve a feliz ideia de renovar os santos, e montou no vaticano uma fabrica, tipo fazer salsichas, e desatou a fabricar santos, como se o mundo estivesse a acabar. O problema do Panteao é o espaço, muito espaço para poucos mortos. Sem saudosismo, mas gostava de conhecer o objetivo que presidiu á construçao do Panteao. Ok, parece que á luz da nova onda, é justo receberem Eusebio. Mas pelo andar, o Panteao nao tarda está esgotado…
Tenho uma duvida: será que o falecido Manuel de Oliveira (cineasta) tambem terá direito a ir para o panteão?
Eu também tenho uma dúvida: será que o Saramago alguma vez irá para lá?
É que todos estiveram “quase” a ganhar, mas ele foi o único que efectivamente ganhou um prémio de prestígio mundial: uma honra para Portugal e para a Língua Portuguesa.
Só que há uma enorme diferença entre o vermelho e o encarnado, não é?
Gosto que o Pessoa esteja onde está e lamento que a Sophia, tão magnificamente solar, esteja naquele gélido local.
Este poema do Ricardo Reis era um dos favoritos do Saramago.
🙂 Antonieta
Saramago nunca reuniria o consenso que reuniu Eusébio e a estou convicta de que a sua família não concordaria. Na minha humilde opinião, acho que fariam bem porque Saramago detestaria estar naquele lugar. Por outro lado, nunca nesta legislatura. Mentes pequenas e ignorância é o que mais pulula na classe dirigente. Gosto de homenagens singelas e o local onde repousa Saramago tal como Pessoa têm essa singeleza. Retomo algo que já disse antes, nem todos os grandes têm de repousar no Panteão.
Sou uma fã confessa e assumida da escrita de Saramago 🙂 e tenho com o seu nome uma relação de afecto por questões pessoais.
Completamente de acordo, Leonor, ele detestaria ir para o Panteão.
Gostei muito de saber que também aprecia a escrita do Saramago.
🙂 Antonieta
Saramago é dos único escritores que continua a maravilhar-me pelo seu génio. Quando releio o “Memorial do Convento” é sempre com renovado espanto.
Bom fim-de-semana, Antonieta, e boas leituras 🙂
Não faço ideia, mas palpita-me que só se o Panteão fosse no Porto 😉