Nada como um bom resumo


Ana Vidal,

 

“Sabe VEXA qual é o nosso mal? Não é má vontade dessa gente; é muita soma de ignorância. Não sabem. Não sabem nada. Eles não são maus, mas são umas cavalgaduras.”

Sr. Vicente, republicano e mestre de obras em “Os Maias”

15 comentários em “Nada como um bom resumo”

  1. Apenas acrescento que o sr. Vicente serve para caricaturar o republicanismo e os republicanos, o que pode não ser perceptível apenas pela leitura do excerto transcrito. E acabaria por, prémio de consolação, fazer as cocheiras — se não tivesse sino nomeado governador civil.

  2. Concordo em absoluto. Infelizmente a ignorância atrai outra característica que nos define tão profundamente e nos penaliza tanto – A Indiferença, tão bem traduzida nas seguintes palavras de Bertolt Brecht:

    “Primeiro levaram os comunistas,
    Mas eu não me importei
    Porque não era nada comigo.

    Em seguida levaram alguns operários,
    Mas a mim não me afetou
    Porque eu não sou operário.

    Depois prenderam os sindicalistas,
    Mas eu não me incomodei
    Porque nunca fui sindicalista.

    Logo a seguir chegou a vez
    De alguns padres, mas como
    Nunca fui religioso, também não liguei.

    Agora levaram-me a mim
    E quando percebi,
    Já era tarde.”

    Será que alguém em Portugal tem noção de que tarda em demasia o momento de acordar para um novo espírito e uma nova ordem que estabeleça uma perseguição implacável a toda a espécie de mediocridade, à corrupção, ao clientelismo e ao sectarismo egoísta e parasitário que se apoderou dos espírito do povo em geral e dos políticos e governantes em particular?

    O problema de Portugal é essencialmente cultural e espiritual. Com grande custo reconheço que à situação de Portugal se aplica a expressão: “Cada um tem o que merece!” e isto é apenas o princípio.

    Este comentário será entendido por muitos como proveniente de uma mente utópica dominada por um espírito sonhador. Faz parte do modelo de pensamento corrente.

    Lamento que não haja na consciência dos portugueses a compreensão de que os maiores feitos da nossa história, se fundaram em projetos de natureza utópica levados a cabo pelo espírito sonhador dos nossos heróis que sujeitos á dor e o martírio mereciam hoje ser lembrados, respeitados e seguidos no seio de uma Nação mais decente.

    Vou parar por aqui pois muitos portugueses do Séc. XXI acham este discurso parolo, de tão parolos que são.

    Da humanidade cuidam os humanos, de Portugal cuidam os portugueses, do universo cuida Deus.

    Deus está sempre satisfeito!… então e nós?

    1. Só um pequeno comentário a latere, mera curiosidade: há uma enorme polémica relacionada com a autoria desse poema, cuja versão original é atribuída a Maiakovski e não a Brecht. Há ainda outros nomes na berlinda, como Martin Niemöller e até o brasileiro Eduardo Alves da Costa. Confesso que não sei exactamente quem tem razão, mas parece que é pacífico ser a versão de Brecht uma adaptação e não o original.

      1. Suponho, aliás, que Brecht não hesitou em plagiar, roubar até. Ter-se-á, por exemplo, apropriado de escritos das suas amantes. Afinal, no socialismo, tudo é de todos, e a propriedade individual um crime.
        Acrescento que muito aprecio a obra de BB, mas tal não me cega.

      2. Obrigado Ana pela questão levantada. Proponho assim que na aparente dificuldade de se poder obter um esclarecimento absoluto sobre a autoria daquelas palavras, a atenção se detenha no texto em si mesmo 🙂

      3. Por acaso sempre o entendi como de Brecht, e embora se diga ” o seu a seu dono “, por ora interessa-nos o discorrer do poema, e esse está tão certo, não é Ana?

    2. Olhe que não !!!!!!!!!!!!!!

      Ainda existem Portugueses no séc. XXI que pensam e tentam agir como descreve que deveria ser norma e não excepção.

  3. A Ana tem de nos dar o desconto. A Ana até leu os Maias. Está noutro patamar, alcançou um outro grau de sabedoria vedada aos demais mortais. Seja gentil com os ignorantes.

    1. Vá-se catar, Panurgo. Não faço ideia da razão dessa marcação comigo, mas perdi de vez a paciência para as suas ironias pífias e não tenho nenhum respeito por cobardes que usam o anonimato para morder as canelas dos outros. Este foi o último comentário seu que aprovei, fica desde já avisado. Passe bem.

  4. Cavalgaduras? é favor sim, isto de chamar cavalgaduras a estas montarias é um acto de favor.

    Aproveitando agora o tema dos Maias, ouvi dizer que Portugal já encontrou uma solução sólida de governação. Significa isto, ó panurgo, qu´andas a chatear a minha Aninha, que a partir de agora esta nação não mais se confrontará com um banho de água fria, pois com um governo sólido só se pode esperar que tudo se resolva à pedrada. É isto que determinam os sólidos. Passámos assim de um estado líquido para outro ilíquido.
    E está bem visto, afinal o problema, ó panurgo, é mesmo de liquidez. Os gajos são mesmos bons a dar cabo do que é líquido, principalmente quando essa liquidez se encontra nos bolsos dos outros.

    O nosso PR, ó panurgo, que zela pelo sumo interesse da nação – repara bem na palavra sumo, é líquido também -, farto de tanto sumo, acaba de rejeitar o que é líquido (percebes, ó panurgo?). A partir de agora teremos uma cagada, que é sólido, ó panurgo!.

    Aninha, os cumprimentos bem medidos deste seu servo literário.

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