Nada a ver com serviço público


Pedro Correia,

Por uma vez, inteiramente de acordo com um comunicado da ERC. Os tempos de antena que a defesa de Carlos Cruz teve no Prós e Contras de segunda-feira e na Grande Entrevista de quinta-feira, sempre na RTP, sempre em horário de grande audiência, negam a matriz de “serviço público” do canal oficial de televisão. “Sem colocar em causa os princípios consagrados na Constituição e na Lei sobre a liberdade de imprensa – antes os reafirmando -, o Conselho Regulador recorda as especiais responsabilidades do serviço público de televisão no cumprimento dos princípios éticos e deontológicos do jornalismo e no respeito pelas decisões dos tribunais num Estado de Direito”, refere o comunicado. E muito bem.

20 comentários em “Nada a ver com serviço público”

  1. No caso Casa Pia, nenhuma decisão do tribunal ainda transitou em julgado. Muito menos se conhece a fundamentação das penas decididas na 1ª instância há mais de uma semana.
    Aqui, portanto, o comportamento da RTP pode ser criticado sob outras perspectivas que não a do respeito pelas “decisões dos tribunais”.
    A ERC continua, pois, a ser o que sempre foi: uma inutilidade gritante, cuja imediata eliminação devia figurar entre as medidas de contenção da despesa pública.

    1. Na semana que passou, nos programas a que me refiro, a RTP concedeu a CC um tratamento que nem de perto nem de longe dispensou a outros arguidos ou a outras partes processuais. Isto é inaceitável numa TV de ‘serviço público’, tenha ou não a sentença transitado em julgado. É só isto. E já é muito.

  2. como se comentou o facto no Contra Capa:

    Eu:
    É perfeitamente inacreditável, e nisso sim, tem razão o CC, “a monstruosidade” a que se tem assistido: a maior campanha de sempre de descredibilização da justiça portuguesa na comunicação social, com o apoio explicito da televisão estatal.

    Pendulo:
    Recorde-se que além da Polícia e Ministério Público, houve, no mínimo, 5 juízes (os três do julgamento, o da instrução e ainda outro que agora não lembro) que acharam que o CC tinha cometido crimes. No entanto as tv em geral e especialmente a RTP continuam a dar voz a este indivíduo como se fosse vítima de um boato. A RTP não existe para , como diz a ERC, “servir, ainda que de forma involuntária, para transmitir convicções próprias “.
    (…)

    Recorde-se que houve uma denúncia, a polícia investigou e achou que sim, apresentou ao Ministério Público, este também achou que sim, apresentou a um juíz que achou que sim, depois houve o juíz de instrução que achou que sim e que estava tudo pronto e era caso para julgamento. Finalmente um colectivo de três juízes achou que sim,….(deixo o resto da frase para a caixa 🙂

  3. Liberdade de imprensa

    Ainda que as televisões privadas se prestem a esse «voyerismo», isso vem na linha da respectiva qualidade assente nos «big brother» que produzem. Mas o que não é aceitável é que a pública se preste a entrevistar através da Judite Sousa. O que só vem confirmar que é dominada por meia dúzia de jornalistas pseudo vedetas que fazem o que entendem( com o dinheiro dos outros) e a coberto da chamada « liberdade de imprensa».

    1. A RTP comete muitos erros, mas deste não me parece que possa ser acusada.
      Segundo se depreende do post e de alguns comentários, a televisão pública devia limitar-se a ser um eco das decisões do poder, neste incluídos os tribunais, é claro.
      Sempre gostava de saber quem perderia um minuto com tal xaropada…

      1. Tenha lá paciência, mas V. é que parece limitar-se a ser um eco da RTP.
        Em jornalismo, o espaço dado a um cidadão não deve ser especialmente diferente do que é a dado a todos os cidadãos que estiverem em circunstâncias idênticas.
        No caso da RTP, um serviço público sustentado pelos nossos impostos, esta regra (e tantas outras) deve ainda mais ser escrupulosamente cumprida e servir de exemplo por redobrados motivos.
        Capice?

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