
(Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo)
O PCP substitui o secretário-geral. O processo é menos relevante do que os anteriores semelhantes – Cunhal foi um vulto maior e Carvalhas liderou um partido bem mais relevante do que o é hoje. E tem esta dimensão de farsa, a da rábula da “construção biográfica” do novo secretário-geral, apressadamente enfarinhado como padeiro, carpinteiro (que não aprendiz) e até de acólito católico – esta última uma dimensão bem interessante, até exemplar, que ainda não vi analisada. Enfim, adornos curriculares ridículos mas menos graves – pois desprovidos de dimensões administrativas e até jurídicas – do que os antes cometidos por ministros alemães. E não só…
Mas nesta substituição o que mais me impressiona é a reincidência do elogio generalizado ao anterior secretário-geral do PCP. Mais uma vez – como quando tombou doente e foi operado – é quase unânime a vontade de o elogiar, sua integridade, gentileza, educação e coerente pertinência, a sua democraticidade, o seu “contributo”. Vem isso dos responsáveis políticos do país e dos articulistas mais mediáticos, bem como dos feixes de cidadãos opinadores nas “redes sociais”. Não me parece necessário, nem mesmo justo, convocar toda a história do movimento comunista internacional (qual “Livro Negro do Comunismo”) para a confrontar com Jerónimo de Sousa, e dever-se-á respeitar a especificidade histórica do PCP e a autonomia deste seu secretário-geral. Mas esta saudação generalizada, verdadeira ovação à saída, esconde a realidade das concepções defendidas pelo PCP sob a direcção deste seu secretário-geral, as mundividências protegidas e promovidas, as leituras da História e, assim, os anseios de futuro.
Vou-me repetir – pois já aqui perorei mais longamente sobre o assunto. Em 2022 – ou seja, não num recuado tempo, de desconhecimento produzido pelas repressões e censuras -, logo após o começo da guerra na Ucrânia, o PCP de Jerónimo de Sousa proclamou, invocando-a, a “notável solução que a União Soviética encontrou para a questão das nacionalidades e o respeito pelos povos e suas culturas“. Esta é uma consideração inaceitável, que se diria “negacionista” se viesse de outros recantos da paisagem política. E é, também, horrível. E é este homem, responsável pelo partido que promove esta ignomínia, que as pessoas vêm saudar, em nome de uns quaisquer dotes pessoais, que até dizem “carácter”, e de um “legado” democratizador.
É uma paisagem intelectual patética.

Que sabe o jpt da história da União Soviética para vir condenar a notável solução que a União Soviética encontrou para a questão das nacionalidades e o respeito pelos povos e suas culturas?
Eu ainda recentemente li uma breve história da União Soviética, escrita por uma historiadora norte-americana, na qual se dizia que efetivamente as nacionalidades foram bastante bem tratadas pela URSS. Houve um período, de facto, em que a única nacionalidade que não era privilegiada na URSS era a russa.
Lembro-me de numa visita recente à Lituânia ter visitado o castelo de Krakai, o qual foi totalmente restaurado e reconstruído durante o período soviético, numa preservação da memória histórica e da glória do povo lituano.
No holodomor então houve um respeito gigantesco pelas nacionalidades e sobretudo um tratamento de luxo para com os cidadãos. E nos gulags também havia um tratamento exemplar e 1 respeitinho enorme (mas para com os srs do regime claro).
Um regime que produziu milhões de vítimas mortais e milhões de prisioneiros em campos de trabalho forçado foi realmente um regime onde o “bom tratamento” era a palavra de ordem, não haja a menor dúvida. Enfim, se estiver a falar pelo respeito obrigatório à ideologia comunista sob pena de lhe cair uma deportação no sapatinho aí meu caro tem toda a razão, o “bom tratamento” não falhava.
O chamado Holodomor é uma invenção da propaganda nacionalista ucraniana. É um facto que houve uma terrível fome na Ucrânia nos anos 30 e é um facto que essa fome foi causada por uma política da URSS, mas essa fome não foi, contrariamente ao que a propaganda pretende, propositadamente dirigida contra os ucranianos e a sua nacionalidade, mas sim contra os agricultores de cereais em geral, fossem eles ucranianos ou de outra nacionalidade qualquer da URSS.
Quanto ao Gulag, é evidente que ele existiu, nem eu disse nada em contrário. Nem eu procuro branquear os enormes crimes da URSS. Somente afirmo, baseado na melhor história que conheço, que na URSS não houve uma política em geral contra as suas nacionalidades – bem pelo contrário, em muitos casos.
Recordo ainda que muitos dos principais dirigentes da URSS não eram russos. Muitos eram judeus (Trotski, Kamenev, Zinoviev), georgianos (Estaline), ucranianos (Khrustchev), etc.
A “Breve História da URSS” que referi no comentário anterior é de Sheila Fitzpatrick, uma historiadora norte-americana.
Como sempre a estranha ligação do Luís Lavoura ao Comunismo….
Holodomor existiu.
A Ucrânia foi o celeiro da URSS e foi também um das suas zonas mais Ocidentalizadas que até colônias Romanas teve no Mar Negro. O espirito sempre foi diferente. E foi punida por essas características.
” na qual se dizia que efetivamente as nacionalidades foram bastante bem tratadas pela URSS. “ _transfer_in_the_Soviet_Union
Patético. Não aparece nenhuma limpeza étnica no livro da historiadora Norte-Americana ? Deite-o fora.
https://en.wikipedia.org/wiki/Population
Deixo um aperitivo:
The Deportation of Koreans in the Soviet Union, originally conceived in 1926, initiated in 1930, and carried through in 1937, was the first mass transfer of an entire nationality in the Soviet Union.[25] Almost the entire Soviet population of ethnic Koreans (171,781 persons) were forcibly moved from the Russian Far East to unpopulated areas of the Kazakh SSR and the Uzbek SSR in October 1937.[26]
Lucklucky, a Coreia fazia parte do Japão.
“Lucklucky, a Coreia fazia parte do Japão.”
Qual a relevancia oara esta situação?
Nem sempre o comentador balio tem razão. Desta vez tem.
Não, anónimo, o comentador balio não tem razão. E por várias causas. Eu insisto no pecadilho da auto-referência – botei este postal que contém uma ligação para anterior texto meu sobre o assunto mais extenso. E nesse (que balio não foi ver, o que lhe permite afunilar a conversa para o livro que já leu, a visita ao castelo recuperado que fez e a questão ucraniana) deixei ligação a algumas fontes bibliográficas sobre a matéria (que não é a da referida questão ucraniana). Deixemo-nos de rodeios, a URSS teve nas suas décadas iniciais uma política “de nacionalidades” atroz, fenómeno que não se esgotou na forma de tratamento da população ucraniana mas sim numa forma de extermínio, deslocação, esmagamento, ou de “desvitalização”. E após Estaline o Estado soviético, se alterou a dimensão sanguinária anterior, teve uma política de esmagamento das “nacionalidades” – das especificidades – que consistia numa russificação generalizada, com amplas manobras de colonização, explicitamente induzida, ou seja, uma russificação demográfica – e muitos dos problemas explícitos e implícitos a leste e a oeste da Rússia que vamos vivendo advêm daí. E de facto não se trata de fazer o julgamento da História (o tal “Livro Negro do Comunismo” a que aludo no postal, dizendo-o descabido nesta questão), até porque estas políticas de esmagamento das particularidades “nacionais” (ou “étnicas”), com transplantes de comunidades e com colonizações demográficas, foram recorrentes em múltiplos contextos, uns mais tétricos do que outros. Pois o que se trata, de facto, é de alguém, um partido que se reclama democrata, considerar em 2022 que isso foi uma “notável solução”… E isto não é discutir se o Holodomor foi desta ou daquela dimensão, se o livro a ou o livro b são melhores, se o objectivo foi destroçar kulaks ou ucranianos ou outros quaisquer. É a desfaçatez do PCP e a indigência dos que o elogiam face a isto.
Jerónimo de Sousa mostrou ser um homem insensível que não merece nenhum elogio a não ser a recordação vergonhosa da sua posição em favor da invasão da Rússia a Ucrânia. Jerónimo de Sousa e o PCP não são mais do que uns capachos de Putin anti-liberdade.
Direi, pelo menos, que o vínculo a ideais de liberdade é-lhe, a ele em particular e ao seu partido, muito peculiar.
Julgo que a maioria dos leitores do DO é visita habitual. Ainda assim há a hipótese de algum leitor deste postal não o ser – em assim sendo deixo o esclarecimento para esses hipotéticos neófitos, o comentador balio (Luís Lavoura) é uma figura folclórica deste blog, e os seus comentários são acolhidos sob esse estatuto peculiar. São, por assim dizer, adornos tradicionais.
Discordo que os comentários do senhor balio sejam adornos deste ou outros blogs onde comenta (patrulha de troll). Quem escreve assim sobre tudo tentando branquear o quer que seja em que vivemos não deve ser ignorado pela sua pretensa embriagues comentatorial mas sim combatido com argumentos e factos susceptíveis de o fazer passar pela besta que é.
Concordo consigo caro anonimo. É inadmissível é que o jpt queira branquear os tomates do balio que são mais vermelhos que uma camisola do Benfica.
A putinofilia do comentador Lavoura é tão acentuada, ao ponto de se assumir como negacionista do Holodomor, que começo a interrogar-me se não integrará o comité central do PCP (na clandestinidade).
Com efeito Luis Balio Lavoura é um consabido militante integrista, e membro da respectiva direcção clandestina, do PC (Partido do Contra).
Tendência LL (de Luís Lavoura).
Como o nome dele indica, é camponês. Quando chegou à idade adulta (diferente da Idade da Razão e do Entendimento) fez, segundo a melhor doutrina que aprendeu, uma opção de classe. Qual a dúvida? Ele não é integrista; é patronimicamente íntegro.
Acho eu…
negacionista do Holodomor
Repare que eu não nego, de forma nenhuma, que tenha havido uma dramática fome na Ucrânia na década de 1930, nem nego, de forma nenhuma, que essa fome tenha sido causada por políticas (no sentido de roubar o mais possível de cereal aos camponeses) do Estado soviético.
O que eu digo é que não há, no registo histórico, qualquer indicação de que essas políticas tenham tido um objetivo genocida ou anti-ucraniano.
As ordens dadas pos Estaline eram “tirem o trigo aos camponeses para alimentar os operários das cidades”, não eram “tirem o trigo aos ucranianos para os matar a todos”.
Ao contrário do Holocausto, em que está perfeitamente documentado no registo histórico que o objetivo, claramente enunciado, não era simplesmente espoliar os judeus, o objetivo era mesmo matá-los a todos.
Você além de besta é um atrazado (com Z) mental.
Lavoura,
“In Stalin’s mind, the time had come to ‘secure Ukraine’ by requisitioning grain, teaching the peasants who had resisted collectivization a lesson, and purging the Ukrainian party apparatus of those who refused to follow his orders.”
“We should set ourselves the goal of turning Ukraine into a real fortress of the USSR, a truly model republic.”
“Stalin blamed Ukrainian nationalists at home and abroad for causing the Ukrainian peasantry to sabotage party policy and hide grain from the state, thereby undermining the industrialization campaign. (…) The famine that was beginning in Ukraine when the Politburo issued its resolution on procurements and Ukrainization resulted not only from Stalin’s policy toward the peasantry and the party apparatus but also from his shift of nationality policy that equated resistance to the grain requisitions with nationalism.”
“Most of the victims died in late spring and early summer, when food supplies ran out completely. Many died because they ate grass or early vegetables – their stomachs could not digest raw foodstuffs after months of starvation.”
“Altogether, close to 4 million people perished in Ukraine as a result of the famine, more than decimating the country – every eighth person succumbed to hunger between 1932 and 1934.”
“Was the Great Ukrainian Famine a premeditated act of genocide against Ukraine and its people?(…) Most scholars agree that it was indeed a man-made phenomenon caused by official policy, while it also affected the North Caucasus, the lower Volga region, and Kazakhstan, only in Ukraine did it result from policies with clear ethonational coloration: it came in the wake of Stalin’s decision to terminate the Ukrainization policy and in conjunction with an attack on the Ukrainian party cadres. The famine left Ukrainian society severely traumatized, crushing it’s capacity for open resistance to the regime for generations to come.”
São citações de The Gates of Europe, de Serhii Plokhy, págs. 252 a 254, na edição de que disponho (Penguin Books, 2015). Perdoará que as faça em língua inglesa, mas não confio nas minhas capacidades de tradutor. Você saberá muito sobre o átomo, é de crer, mas sobre a Ucrânia não lhe reconheço, perante estas fontes, tal dignidade.
Costa, temo que essa citação nada contribua para a compreensão do nosso Lavoura, dado que ele já leu uma breve história da Rússia (ou da União Soviética) da autoria de uma historiadora norte-americana.
Ah, certo… Ingenuidade minha, então, em tudo isto. Só lhe posso agradecer, jpt, a hospitalidade que concedeu ao meu comentário.
Costa, estou certo que a citação que teve a gentileza de aqui colocar é útil e/ou interessante a muitos dos visitantes (e a mim também o é). Apenas excluo balio (aka Luís Lavoura, e vice-versa) daqueles que poderão fruir com essa leitura.
Grato pelas suas palavras. O que aqui citei vale o que vale e o mérito que tenha não é meu. Creia que em momento algum pensei que alterasse sequer remotamente as graníticas certezas lavourianas. Quando invoquei uma minha ingenuidade procurava ironizar, nada mais.
É natural que Serhii Plokhy, sendo ucraniano (embora atualmente a trabalhar nos EUA), puxe a brase à sardinha ucraniana. Eu prefiro historiadores que exibem maior imparcialidade. Cito Sheila Fitzpatrick:
“os grandes objetivos de requisições impostos às quintas coletivas afetaram sobretudo as principais regiões produtoras de cereal [da URSS]. O atual governo ucraniano afirma que esta fome, conhecida na Ucrânia como “Holodomor”, foi o resultado de um plano deliberado de Estaline para matar ucranianos; no entanto, os resultados foram igualmente devastadores no sul da Rússia e no Cazaquistão. Parece pouco provável que Estaline quisesse realmente matar camponeses; queria que o Estado retirasse tanto cereal das aldeias quanto possível, deixando o mínimo para que os seus produtores camponeses sobrevivesem até à sementeira da primavera. O problema era que ninguém sabia qual era essa quantidade e Estaline certamente pressionava os funcionários locais a retirarem o máximo, recusando-se a ouvir quando lhe diziam que os camponeses não tinham mais reservas escondidas. […] quando Estaline finalmente se convenceu de que não estavam a fingir, mas que estavam realmente a morrer, já era demasiado tarde.”
“A Ucrânia […] desenvolveu o seu próprio mito de fundação nacional […]. Centra-se no Holodomor, a fome de início dos anos 1930, reinterpretada como um genocídio contra o povo ucraniano.”
Percebo. Estaline, sendo um tipo mauzinho – vá lá, ao menos conceda-se isso -, não acreditava na extensão da coisa até ser tarde demasiado tarde. E quando finalmente “se convenceu de que não estavam a fingir, mas que estavam realmente a morrer” (extraordinária sua formulação, esta: então um povo, um povo inteiro, fingia com manha pueril a morte de milhões; ou só depois de mortos milhões, coisa decerto muitíssimo discreta, se tornou óbvio aos olhos do Pai dos Povos – logo ele, o Pai dos Povos, na liturgia consagrada – que “estavam realmente a morrer”), a vida pacatamente continuou para ele e os seus objectivos. Isto é: ainda que tivesse sido assim, sem outros propósitos, sem outra explicação (acredite você), quando Estaline finalmente soube, pouco ou nada se preocupou. O que diz muito quanto ao assunto, embora talvez V. e a sra. Fitzpatrick, dotada pelos vistos de sólidos créditos de imparcialidade que à partida você doutamente nega ao ucraniano – por ser ucraniano (magno critério) – não queiram ver. Aquela, como se sabe, que é a pior forma de cegueira.
Quanto a isso do Holodomor ser um mito fundacional, ou o centro do mito fundacional, poderia remetė-lo, Lavoura, para outras e extensas citações do livro de que me socorro. E recuar centenas e centenas de anos. Mas não vale a pena. O autor do “post” tem claramente razão: seria absolutamente inútil. De modo que depois de do que você deixou acima, deixo-o eu com a sua “verdade”.
Mais uma sua “verdade”, aliás.
Isto de ler o blog Delito de Opinião e ir ao ‘Comentar’ é como cair na armadinha de uma planta carnívora, ou como sendo de uma Associação Desportiva, quem lá entrar não pode ser doutro clube ou, então, é atacado com sarrafadas sem hipótese de contraditório.
Mas, jpt, com o seu habitual, e interessante, tratamento de textos com palavras de 500 paus e outras mais valiosas, por falta de tempo ou por assim o entender, em vez de apontar para o comunicado do PCP “O PCP apela à promoção de iniciativas de diálogo e à paz na Europa” e quem quiser que lesse atira para o resumido “..notável solução que a União Soviética encontrou para a questão das nacionalidades e o respeito pelos povos e suas culturas”, em vez de “Posicionamento que teve expressão, nomeadamente, nas declarações de Putin proferidas no início desta semana que constituem uma grosseira deformação da notável solução que a União Soviética encontrou para a questão das nacionalidades e o respeito pelos povos e suas culturas.”
Isto a propósito do novo secretário-geral do PCP que substituiu Jerónimo de Sousa, por quem Pedro Correia tinha boas relações profissionais e que se saiba não contraiu, por isso, nenhuma doença crónica de comunismo obstrutiva de democracia.
anónimo ue, como vê eu aceitei-lhe o comentário apesar da perversão que nele está patente. Você queixa-se que os comentadores têm que pertencer “ao mesmo clube” para que não levem sarrafada e que não têm direito ao “contraditório” (essa irritante expressão que entrou na moda). O que é uma dupla incorrecção: a primeira é que o DO não é um “clube”, nesse sentido de comunhão de opiniões (qual um agregado orgânico que se oponha ao tal “contraditório”) como se pode perceber pelas diferentes perspectivas entre os vários bloguistas que aqui escrevem. Mas a segunda incorrecção é ainda maior: de facto há muita “contestação” nos comentários no DO – muito mais “contestação” do que “contraditório”, friso. Mas ainda assim é recorrente o gemido que você aqui entoa, o de não haver essa abertura a visões diferentes (as tais contestações). E eu sobre isso insisto na minha opinião, aqui repetida até à exaustão: as opiniões, em particular se querendo ser “contestatárias” ou “contraditórias” – assim apelando à ponderação dos argumentos e à contextualização-, que não estão assinadas são emitidas por sub-humanos, pois gente desprovida de dignidade. Dizer esta evidência não é típico de uma voraz planta carnívora, como você avente, mas apenas o normal de um tipo minimamente bem-educado, diferenciado de um holigão digital.
Quanto ao resto da sua ladainha prefiro a versão de similar conteúdo, ainda que mais desatenta, do comentador Luís Balio Lavoura. É que pelo menos ele assina.
Faço uma adenda: ontem morreu Gal Costa, tanto eu como o Pedro Correia fizemos postais evocando-a. Eu deixei um pequeno texto, anódino, e uma canção. Houve alguns comentários, entre os quais no tal registo “contestatário” anónimo – sob o qual praticamente tudo o que surge neste blog é motivo para resmungos. Eu aceitei-os, mesmo na impertinência total face ao habitual e plácido registo de “pesar” face às mortes das pessoas renomadas a que nos ligam quaisquer sentimentos ou memórias. E apaguei outros, um dos quais tinha este breve conteúdo “morreu uma eleitora de Lula” (e houve outros do mesmo teor). Toda esta impertinência, quantas vezes desrespeitosa, por vezes mesmo ordinária (e não falo do léxico mas sim do conteúdo) é anónima, e aqui é recorrente. E não é credora de sarrafada, mas sim de insecticida.
Caro jpt, os trolls são como as marés. De pouco serve desancar a lua.
Como já deve ter percebido, o facto deste blog não ter ainda prestado reverência à vitória da esquerda vermelha brasileira tem deixado um certo grupo de visitadores bastante nervoso. Ajunte-se-lhe os posts desinfectantes sempre que o PC mostra o que é, e o histerismo fica quase explicado.
Ah ganda anónimo, é isso mesmo.
Aqui no blog falar da esquerda vermelha (o Palmeiras joga de verde) brasileira é que nem pensar, Só se o Lula perdesse é que estava preparado um arraial de porrada.
anónimo, sim há uma tendência de alguns comentadores mais contestatários para exigirem que no blog se aflorem alguns temas. O que é algo com duas faces, por um lado é simpático que entendam o DO como um local e um conjunto de indivíduos bloguistas tão interessantes que queiram deles ouvir (ler) opiniões sobre um espectro amplo de assuntos que consideram relevantes. Mas por lado é cansativo, e até um bocadinho arrogante, porque as exigências nunca surgem em tom de convite mas sim de contestação, quantas vezes com corolários abusivos, tipo “não falam das eleições do Brasil portanto são não-sei-o-quê”. Dou um exemplo relativamente a mim mesmo: na plataforma Facebook, na qual coloco as ligações para os postais no meu Nenhures (muitos dos quais também aqui publico) e na qual o ambiente é muitíssimo mais aprazível (e onde há muitos mais comentários, já agora) – lá está, não há anonimato! – é comum amigos reais (ou virtuais, os “amigos-FB”) perguntarem-me por mensagem “não escreves/o que pensas sobre….?”, como por exemplo a recente selecção de três livros de escritores moçambicanos para os dez finalistas do prémio literário Oceanos, ou a obra da penúltima vencedora do Prémio Camões, a moçambicana Chiziane, ou qualquer dinâmica política moçambicana, ou uma outra escorregadela sportinguista, etc. São convites, desafios, curiosidades, normais, curiais. Aqui, no tal registo do anonimato poluente é diferente, é o “não falas disto ou daquilo porque tens objectivos esconsos, incoerências ou defeitos!!!” – claro que tenho incoerências, defeitos e que me é muito esconsa a razão desta mania de blogar. Mas, caramba, escrevo sobre aquilo que me apetece, e para o qual tenho tempo e paciência. E já é muito (demais, dirão muitos).
E este caso da mão na anca do anónimo ue é exemplar disso. Pois sobre as eleições brasileiras pelo menos eu (o tipo que botou o postal onde ele, anónimo ue, vem “amandar” a atoarda) já botei o que tinha para dizer -[ https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/l ula-da-silva-ou-bolsonaro-14711615 ]. Postal no qual coloquei ligações a vários outros textos que em tempos escrevi sobre o presidente brasileiro e seus simpatizantes portugueses (também em tempos botei sobre os seus oponentes portugueses, andam os textos pelos arquivos do blog). Está dito, nada mais tenho a dizer. E não tenho qualquer obrigação de o fazer, neste registo de hóbi que é o blogal. Mas nada disso impede o anónimo ue de vir “amandar a boca”, porque é só isso que lhe interessa, exsudar o azedume.
Quanto ao que diz sobre os trolls: em parte tem razão. Mas, como qualquer “nerlandês” (como agora tem de se dizer) nos poderá confirmar, as marés também se manipulam. Ou seja, pelo que percebo dos comentários nos meus postais aqui, e depois de várias querelas que muito me irritam (eu blogo por gosto, e o desconchavo arisco dos comentários é-me desagradável), é-me notório e satisfatório que vários anónimos residentes (os tais trolls) deixaram de me chatear. Ou seja, a maré virou um pouco. E isso é bom.
“…. É que pelo menos ele assina.”
Essa faz lembrar a da senhora perguntar ao expedidor do autocarro se havia lugares marcados, e lhe ter sido respondido, ‘minha senhora, cada passageiro escolhe o lugar que quiser’.
Por isso, assinado por José, Manuel, Pedro, Augusto, Carlos, António, Filipe, Joaquim, Eduardo, José e outros nomes que queira, vai dar ao mesmo.
O que vale foi ter sido jogador de rugby, embora não valesse sarrafadas, aguento bem com encontrões, não me aleijo por isso. E vou continuar a ler o blog, comentar, saber existir um mesquinho lapis azul da censura e, mesmo assim, até fazer parte dum blog com muitos leitores.
anónimo ue, sobre o seu queixume (pouco condizente com o estatuto de ex-raguebista): é assunto antigo, basto abordado, já cansativo. Resumo-lhe (a minha boa vontade é até já lendária, e peço-lhe que aprenda pois eu não durarei para sempre): 1) por definição (“por defeito”, se preferir) num blog não há “censura” pois isto não é um órgão de comunicação social – mesmo que haja comentadores anónimos atrapalhados e ignorantes que o julguem, demonstrando-o no azedume contestário que patenteiam. Assim sendo não há regras ou deontologia ou dinâmicas similares – entra nos blogs apenas o que os bloguistas querem, e isso é uma qualidade, uma virtude, e não um defeito. Alguns poderão dizer que estas plataformas comunicacionais, blogs, também são utilizadas por instituições ou empresas (até de imprensa), mas esses são fenómenos diversos, e a semelhança é de plataforma e não de “natureza” (propósitos e dinâmicas); 2) a dimensão anterior prende-se com a natureza de um blog – não é, repito, um órgão de comunicação social, é um espaço de conversação. O qual depende do autor (autores), se de monólogo (um blog sem comentários, para exemplo mais explícito) se de diálogo. Ora em assim sendo todos sabemos que num contexto conversacional, e ainda por cima recorrente, é absolutamente curial que as pessoas se apresentem – sim, “não vai dar ao mesmo” dizer o nome. É, para que não tenha a educação e a inteligência para o perceber, a diferença entre um homem que surge e diz “boa tarde, sou fulano de tal e discordo de si por estas razões”, o que provavelmente conduzirá a uma bacalhoada no final da conversa e a um “até breve”, e um morcão mais ou menos holiganesco sentado na mesa do lado a proferir impropérios (“contestações”) intrometendo-se na conversa. Ou, para ser mais explícito, a diferença entre uma pobre prostituta de rua com um qualquer “Ivette” ou “Janette” como “nome de guerra” e uma rapariga desinibida que levou a graça de Fátima ou Patrícia… Mas eu julgo que todas estas subtilezas, anónimo ue, são demasiadas para o seu entendimento.
“bacalhoada” não, mas sim bacalhauzada…
O Luís Balio Lavoura assina. Mas quem segue as suas intervenções ao longo de anos tem quase a certeza de que se trata de um colectivo.
Balio é o troll de estimação deste blogue. Teve até já direito a uma rubrica periódica que lhe era dedicada.
Troll genuíno, não de fancaria como esses ranhosos candidatos a Lavoura que borboleteiam por aí.
ou por outras palavras, Pedro Correia, balio é um troll mas é o “nosso” troll – ainda que eu, há algum tempo, tive o desprazer (até ciumento) de constatar que ele actua noutras paragens blogais com o mesmo ímpeto e estilo
anónimo, sim, eu também creio que Luís Lavoura (aka balio) é uma entidade metafísica plural. mas encarnou numa forma humana individuada.
O Henrique Pereira dos Santos já atestou no seu blogue que o balio existe e é uma só pessoa.
Sim, é verdade. E também neste DO há quem tenha prova visual da existência física da entidade.
Esta tolerância, quase benevolência, para com a esquerda radical terá possivelmente a seguinte explicação: nunca experimentamos na pele a subjugação directa a tal ideologia.
Por outro lado, talvez as pessoas pensem que, tal como tivemos uma ditadura de direita em português-suave, também uma possível tomada do poder pela extrema-esquerda tuga acabasse por se traduzir num sistema brando, em contra-ponto às experiências sanguinárias de outros países.
Pode ainda servir de justificação um remanescente sentimento de gratidão pela resistência e pela acção na queda do Estado Novo. Mas, com o fim dessa geração (para o Raimundo, Peniche é sardinha) e três bancarrotas, é mais que tempo de dar por saldada essa dívida.
Anónimos assim até dá gosto.
Bancarrotas, que é isso? Só se for em Lisboa com o Medina a dar borlas para todos os lados, menos a arranjar prédios em ruínas.
O Costa nem para o pitrol dá 20 paus e enganou os reformados com aquela treta das reformas.
Foi para mim uma lição de antropologia o facto de os Portugueses terem ficaram escandalizados com o apoio do PCP ao Putin…
Extraordinariamente não estavam nem estão escandalizados para destruição que o Marxismo-Leninismo representaria para as suas vidas se tivesse o poder e a guerra que o PCP iria fazer a boa parte da população portuguesa.
Foi o dia em que percebi que os Portugueses não percebem sequer o que têm dentro de casa quanto mais o mundo. Explica para onde vamos andando….
Lucklucky, você apoia Trump, que por sua vez apoia Putin, por isso não tem qualquer moral para falar.
Se Trump ainda lá estivesse, grandes probabilidades de Putin nem ter atacado.
Bastou ver o desastre que foi a saída Biden do Afeganistão para o Putin cheirar incompetência.
Trump foi o primeiro presidente americano a fornecer armas “Lethal aid” à Ucrânia com mísseis anti tanque Javelin em 2018.
Ou seja, Putin sente a falta da sua prostituta e então tem a necessidade de invadir países. Talvez devesses ir para Moscovo prestar vassalagem ao Putin, pode ser que assim ele já não invada outros países.