… parece-me boa ideia relembrar o que disse António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, numa entrevista ao JL/Educação em 2005. Questionado sobre o papel da escola e sobre as exigências que a sociedade lhe faz, dizia: “À escola cumpriria salvar o mundo e reparar todos os males. Perante isto eu faço uma provocação aos outros (e até a mim próprio), defendendo uma escola retraída, mais modesta e mais concentrada nas tarefas da aprendizagem.”
Na semana do início das aulas…
Ana Lima,

Esse é neste momento o meu sonho. Que me deixem tempo para o que verdadeiramente interessa e não me sufoquem em papelada. Mas não está fácil.
Percebo o que se quer dizer. Concordo, até: a missão essencial da Universidade é ensinar e convém que todos percebam ser esse o verdadeiro desafio, porque é justamente nesse nível de performance que vai residir a diferenciação, a competição, o sumo dos rankings. Contudo… vejo algum perigo neste pragmatismo. O desafio é muito maior do que esse e é absolutamente irrenunciável: continuar a manter a outra face, a investigação; e nunca retrair-se, se tal significar a não abertura ao mundo. Universitas significa mesmo universalismo, horizontes largos, espírito, atitude crítica, criação. Tem de constituir um espaço e um tempo para isso, senão…
A Escola não é universidade, Laura e o Nóvoa referia-se à Escola.
Estou muito mais descansada… 😉
Ensinar é abrir horizontes.
Eu concordo plenamente com o que António Nóvoa disse. Sugiro que se encete essa tarefa eliminando a disciplina de Educação Moral e Religiosa, cujo conteúdo pode e deve ser lecionada pelos pais dos alunos, sem necessidade que o Estado gaste dinheiro com ela.
Entretanto, eu já ficaria satisfeito se o meu filho mais velho tivesse uma professora de história que desse aulas, em vez de estar a tratar-se de cancro e, por isso, sem dar aulas, e se o professor de matemática desse o programa todo da disciplina, em vez de só dar dois terços dele por passar o resto do tempo a mandar calar alunos indisciplinados.
Luis Lavoura igual a si mesmo. Então a professora têm é de dar aulas e para isso inibir-se de tratar uma doença que ainda por cima pode ser mortal? Deve estar a brincar. Absurda e inaceitável insensibilidade! Se me disser que tem de haver mecanismos para obstar a estas situações, perfeito, agora assim é absolutamente inaceitável. Olhe eu que até sou avessa a essa coisa da Moral e Religião nas escolas começo a achar que lhe deve ter faltado alguma coisa para ver se deixa de olhar para o seu umbrigo. E descanse. Só há Educação Moral e Religiosa Católica ou outra se os pais assim decidirem e se houver número suficiente de alunos para abrir turma.
Claro que a professora não tem que dar aulas enquanto se está a tratar da sua doença, nem eu disse tal coisa. Mas é exigível que a escola, compreendendo tal situação, contrate temporariamente outra professora para a substituir.
É verdade que só há Educação Moral e Religiosa se os pais a quiserem. E até parece que há bastantes pais a quererem. Mas, na linha daquilo que António Nóvoa disse, deveriam ser esses pais a providenciarem essa educação, fora da escola, e sem ser a expensas desta nem do erário público (que é quem paga aos professores de EMC, quando os há).
Se ler a sua formulação vai entender a minha resposta. Mal vai a elite universitária neste país, valham-me os deuses! Ninguém escolhe estar doente, pode acontecer a todos. A Escola só pode pedir substituição depois de a professora meter um atestado médico de longa duração. Até aí não há mecanismos legais que permitam. O mesmo é válido para os professores que pediram reforma e que a terão num espaço muito curto. A Escola sabe que se irão embora mas até irem não pode pedir substituição.
Não sei se há muitos pais a quererem EMR ou não, duvido muito mas sei que na minha escola não há.
“A Escola só pode pedir substituição depois de a professora meter um atestado médico de longa duração”
Obrigado por me informar, não sabia. Vou falar com o diretor de turma do meu puto a ver se ele convence a professora a fazer isso mesmo. É que a senhora, mesmo não poucas aulas que deu no ano passado, mal conseguia dominar a turma, de tão fraca que estava.
De nada, Luis. Que tudo se resolva.
Se «concentrada nas tarefas da aprendizagem» significar acabar com as fantochadas do Halloween e os desfiles de Carnaval, estão estaremos perante uma verdadeira http://beijokense.blogspot.com/2009/06/r evolucao-cultural-na-educacao.html 