A moeda da governação de Sócrates tem duas faces. De um lado, a política interna. Ali estampada a incompetência e uma visão da política e da coisa pública que tem em Rui Pedro Soares a sua Vara de lança. O clientelismo socrático não é um exemplo. É, sobretudo, um sintoma. Do outro lado, a política externa. Esta, uma nódoa que nos envergonha estruturalmente. A incompetência e a videirice medem-se numa escala de reprovação técnica e moral (prática). As relações priveligiadas com déspotas e trucidários estão a um nível mais profundo de desrespeito por valores essenciais. A condenação que lhes deve ser dirigida tem raíz na ética. A mesma que fundamenta o carácter absoluto dos Direitos Humanos. Durão Barroso serviu de cicerone a Bush, Blair e Aznar. Sócrates pôs o nome do país nas lonas da tenda de Khadafi. Felizmente, esta é mais uma nódoa sobre a qual está a cair o pano. Do norte de África sopram ventos de liberdade. É um vento poderoso que tem a força de desmascarar as faces ocultas da hipocrisia a norte e a sul do Mediterrâneo. Aquele a quem Almeida Santos chamou o menino de ouro do PS está cada vez mais sozinho. Em Portugal e na frente externa, onde apenas lhe restam os abraços de Chávez para se acolher. Mais uma vez se comprova que nem tudo o que reluz é ouro. E hoje é o dia em que a agência do BES em Tripoli ainda não abriu.
Na pior nódoa está a cair o pano
Rui Rocha,

Dizes muito bem. São verdadeiras não-verdades sobre a vergonha do nosso não-orgulho…
Temos que lhes dizer que não, João.
Algum senhor jornalista fará o favor de perguntar ao nosso 1º ministro se admite conceder asilo político a Kadhafi e com local á escolha para montar a tenda? E como vai ficar essa coisa dos amigáveis negócios? Ou será que só existe autorização para perguntas de catálogo sujeito a aprovação prévia?
E parece-me que o catálogo não tem muitas páginas, Amarques.
… nem a agenda muitas datas livres.
Esta amizade já vem de longe. Se a memória não me falha ( Deus queira que sim ) já no tempo de Mario Soares, Khadafi era amigo. Já nessa altura foi recebido com todas as honras. Já nessa altura a amizade era tão grande que não foi levantado problema algum por ter sido recebido com ” pistola no coldre “.
A minha memória não vai tão longe, Zeparafuso. A ser verdade, a crítica aqui feita aplica-se inteiramente ao que descreve.
A história de velhas amizades desse calibre é longa. O falecido lider histórico palestiniano Yasser Arafat também se passeou por cá de pistola á cintura. E o fuzilado ditador Romeno Ceausescu foi recebido com pompa e circunstância se calhar de faca na liga para não destoar do fato engravatado. Sadam Hussein , creio nem ter tido tempo para nos dar a honra de uma visita, tão apaparicado, embevecido e ocupado com os bons préstimos dos nossos aliados e amigos da onça, USAmericanos de ocasião. “Uns que a história regista e outros que ingrata esqueceu”.
… e o bar “cuba libre” no parque das nações, encapsulado aquando da visita do Fidel Castro.
Sim, essa foi muito apropriada.
Chama-se track record, acho eu Amarques.
Ainda não vi nada tão bem escrito na imprensa. Esse pôr lado a lado apolítica interna com a externa, neste exacto momento, é de uma grande oportunidade. Triste também é, termos agora que questionar a forma como tratamos a nossa liberdade, todos nós!
JMP
Triste é.