O discurso de Seguro pode ser resumido numa frase: «Andámos uma semana a exigir felicidade para todos os portugueses e PSD e CDS recusaram-na.» Muita gente já o afirmou: as propostas do PS eram irrealistas. Tão irrealistas que a conclusão só pode ser: a vontade de conseguir um acordo era nula. Completou-se desta forma o processo de regressão do PS, a operar de novo num universo paralelo onde tudo é possível. Os efeitos nefastos da liderança Sócrates continuam (e, atendendo ao número e ao poder interno dos seus seguidores, continuarão durante muito tempo) a afectá-lo mas, bastante pior, continuam (e, porque o PS é fundamental ao sistema político nacional, continuarão durante muito tempo) a afectar o país.
Ciente do ninho de víboras em que Seguro é forçado a movimentar-se, Passos tinha maior margem de manobra. Ainda assim, o PSD parece ter ido mais longe do que se esperava (do que eu esperava, pelo menos). Aceitando a antecipação das eleições e a renegociação do memorando de entendimento com o PS ao lado, terá mesmo ido tão longe quanto podia. Restava-lhe o quê? Juntar-se ao PS na exigência de eleições antecipadas? Podendo ter existido bluff, existiu também inteligência e assumpção de riscos (se o PS aceitasse, o PSD teria de ir a jogo). O PSD avançou com o possível enquanto o PS exigia o impossível.

Coleguinhas de blogue: estando fora do Porto, com uma net leeeeeeenta e pouco fiável, agradeço que aprovem eventuais comentários a este ou outros </i>posts</i> meus. Se forem agressivos, não faz mal – desde que não incluam expressões que envolvam a minha mãezinha.
Comentadoras e comentadores: pelos motivos explicados acima, não esperem respostas a comentários antes de amanhã à noite. Mas estejam à vontade para os deixar (não sejam é muito agressivos para não colocarem dilemas complicados aos meus colegas).
“(…) o PS é fundamental ao sistema político nacional (…)”. A este sistema político talvez. Num sistema político mais sofisticado, o egocentrismo e a estratégia política pura não teriam lugar.
Talvez. Infelizmente, temos este – que reflecte bem o país.
O pessoal já tem clubes para joguinhos… uns são do Benfica, outros do FCP, outros do grupelho das maçãs podres, etc…
Acho que não têm departamentos de jogos políticos, mas dada a palhaçada pode ser solução.
Afinal uns têm jogadores no banco, outros têm deputados nas bancadas.
Vamos lá ver é se as fitas e simulações dos jogadores não levam ainda a uma invasão de campo…
A qual teria excelentes resultados, certamente. Mas é possível, embora talvez mais em Espanha, em Itália ou em França.
Jaa,
Aqui venho eu calmamente responder a seu post. Bem, parece-me que os professores destes miúdos já começam formalmente a deixá-los para trás, pois veja aqui: nterior.aspx?content_id=80059
http://sol.sapo.pt/inicio/Internacional/I
É óbvio que o discurso deles, antes de Setembro, será outro, mas o que era previsível aconteceu. A Alemanha não terá outra solução senão a de mudar de rumo, e Passos anda a passo de caracol. É lento no discurso, lento nas previsões, lento em entender a economia e lento a tomar a única atitude que só se espera de gente crescida. Por isto mesmo a lentidão permancerá.
Se há alguém inteligente e visionário, em materia económica e financeira, foi e é Louçã, todos os demais, de banqueiros a para-banqueiros, empresários do faz de conta a um não sei quê, acertaram sempre no seu umbigo. O PR oefereceu-nos a solução que estes últimos esperavam: uns por causa da exposição à dívida soberana e uns poucos em busca do crédito por falta de imaginação.
Este acordo não interessava a ninguém, e Passos mantém a fórmula que Sócrates e Teixeira dos Santos mantinham relativamente ao PEC IV, fazendo deste o salvador da nação, e apoiado por alguns banqueiros. Pudera, era, e é, ncessário garantir a cobrança dos títulos de dívida, doa a aquem doer. Eles jogam e os outros pagam, mas dizem que tudo isto é para ajudar a nação.
Passos fala no crescimento da produção industrial, mas sabem os que sabem que neste país a produção industrial tem sempre aumentos a apartir de Maio, pois o sector turístico felizmente ainda não dá mostras de uma crise profunda, e continua a existir procura externa. Este é o maior sector exportador que temos.
Neste contexto, sem qualquer defesa de partidos, o PS tem uma postura realista. Mas eu sei o porquê de isto desagradar a banqueiros e alguns empresários.
Não haverá investimento em Portugal nos tempos que vêm, e muito menos haverá enquanto a política europeia se subordinar à manobra de diversão alemã. Enquanto houver meninos isto não mudará nada. Mas um dia destes acabarão por ir com a água do banho.
O PR, infelizmente, acaba o mandato como já uma vez referi, isto é, de uma forma bastante humilhante. Até alguns brilhantes comentadores do PSD já falam em renúncia.
Mas para que não sejam só palavras eu digo-lhe algo mais: A baixa de IRC será estúpida se acontecer nos próximos dois anos. O que é necessário baixar é o IVA e o IRS, em particular à classe média e pensionistas, para devolver confiança aos cidadãos e à economia interna, estimulando a procura mais não seja nos bens essenciais. Não admira que a receita de IRS tenha subido, pois hoje, com a diminuição também dos valores a abater em sde de IRS, os cidadãos, em particular pensionistas, que não pagavam IRS estão a pagar o que nunca pagavam em sede deste imposto, e falo em escalões à volta dos 700,00/mês.
Por isto mesmo não me venham com conversa para adormecer boi.
A Alemanha fará o que achar ser melhor para a Alemanha. Algumas das medidas poderão ser benéficas para Portugal mas não é crível nem que os alemães se disponibilizem para financiar eternamente o nosso défice público (seria excelente: metíamos os desempregados no Estado e voilá, problema resolvido) nem que venha a existir nos próximos tempos crescimento económico suficiente para tapar o défice, em especial se se apostar essencialmente no consumo (solução tentada em 2009-2010, com os bonitos resultados que ainda se vêem). Com ou sem uma Alemanha mais ‘compreensiva’, o Estado português continuará a ter de fazer um esforço para equilibrar as contas. E a melhor solução implica cortes. O grande erro deste governo – como do de Durão Barroso (os governos de Sócrates são uma colectânea demasiado volumosa de erros para saber qual o maior) – foi precisamente não ter começado pelos cortes em vez de pelos impostos. Ainda hoje, se a Troika nos desse folga, eu preferiria cortar no Estado (admitindo que é constitucionalmente possível) e reduzir os impostos. Sendo que também aqui discordamos: estimular o consumo interno desequilibraria de novo a balança comercial, pelo que eu preferiria reduções no IRC, nas taxas que incidem sobre a energia, na parte da TSU suportada pelas empresas.
Já agora: acho curioso considerar-se que o programa da Troika falhou quando, na verdade, nós não o aplicámos. Nunca cumprimos a proporção entre despesa e receita(*) e nunca implementámos o corte na TSU defendido desde o início pelo FMI.
(*) Ao contrário de outros: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/53 14436.html
Só hoje posso responder a seu comentário, jaa.
A alemanha jamais poderá fazer outra coisa que não seja do interesse de todos, porque é do interesse dela; afinal ela cresceu também com o défice dos outros, e a sua sobrevivência depende da sanidade da economia europeia e do peso que esta tiver prante os EUA/RUSSIA/CHINA.
Em 2009/2010 não existiu nenhuma aposta no consumo, procurou-se injectar dinheiro para manter trabalho de construção. O estímulo ao consumo tem outra natureza, isto é, reforçar a produção nacional. Afinal não falamos de perfumes.
Por outro lado não se confunda poupança com controlar a despesa. Quando alguém poupa cria reservas para poder alocar noutras rúbricas, e o que existe na política de Passos/Gaspar, e agora a Maria, é efectivamente aumentar a despesa porque a receita diminuiu, consquentemente não há poupança. Com a baixa do IVA e do IRS há-de haver estímulo sim, o necessário para aumentar a procura de alimentos, vestuário, calçado e outros bens e srviços que se produzem internamente.
Claro que devia haver cortes, mas os cortes têm a sua oportunidade para ser feitos. A pseudo-reforma do estado, que tanto apregoam, só teria consequência positiva numa economia quente e não arrefecida, melhor, congelada. Para tudo tem de existir um sentido de oportunidade. A troika esfregou as mãos quando os doutos Passos e Gaspar lhe apresentaram uma solução que eles não se atreveriam a propôr, mas também se deram conta que o empréstimo seria pago pelos juros cobrados, que se manterão indefinidamente, uma vez que o abatimento da dívida, por este andar, nunca ocorrerá.
O IRC e a TSU são um fait-diver, o IRC libertará alguns meios de tesouraria para algumas empresas e até poderá colmatar parcelarmente o financiamento bancário que não é feito, mas não gerará investimento e não fará a economia crescer. E mesmo que haja uma baixa substancial do IRC também não existirá investimento externo. Não é este o momento para o investidor privado o fazer sem que o estado abra a bolsa. Quando muito poderemos assistir a fusões de empresas, mas não porque a economia cresça.
Se querem reduzir o défice reduzam significativamente pagamentos de PPP´s (afinal estamos numa emergência e não vale a pena andar a fingir que se reduz alguma coisita nas verbas mal contratualizadas), acabem com a subsidiação de grandes grupos, em particular os da energia, coloquem os beneficiários de outros subsistemas de saúde a serem atendidos no SNS (aumentará receita e diminuirá a despesa, porque estes subsistemas financiam a actividade privada de saúde) renegoceie-se os juros do empréstimo e coloque-se o saber dos militares na área da saúde, do medicamento e das TI ao serviço da nação.
Esqueçam os seguros de saúde, estes são negócio para países do terceiro mundo, tal como os EUA o são nesta e noutras matérias. O SNS só necessita ser bem governado, impondo também limite aos ordenados pagos, à anarquia no sector do medicamento e controlando o despesismo. Por isto mesmo, no meio de tanta miséria governativa, valha-nos um ministro como Paulo Macedo.
Mas a saída que nos oferecem é a seguinte: aumento do défice e da dívida. A Maria, a nova das finanças, mostra que levanta o nariz, mas por este andar também não vai longe.