Recebi hoje no meu email uma notificação do Facebook a avisar-me de que a minha prima (que morreu em Junho) faz hoje anos. É em momentos destes que se percebe até que ponto abrimos a porta à tecnologia digital para entrar na nossa vida. Fosse o Facebook um mensageiro humano e já muitos de nós o teríamos saneado por ser tão invasivo, tão insistente, tão presente, tão manipulador e por vezes, como hoje me aconteceu, chocante.

” já muitos de nós o teríamos saneado” Aposto que a senhora tem mais de 50 anos. Se tivesse menos não utilizaria o verbo sanear com este sentido.
Tem razão. Agora saneamento é mais do básico.
Tenho menos. Usaria tal sentido, não tivesse saneado o FB há mais de 5 anos – com menos de 40, portanto 🙂
Só vejo uma solução, Teresa: usá-lo sem lhe dar confiança.
É o que faço desde sempre, mas qual emplastro insinua-se, chama a atenção com notificações e lembretes e com a persistência de que só a inteligência artificial é capaz.
Lamento-lhe o choque, a dor, o desgosto – de há 3 meses e de agora.
Talvez lhe sirva de conforto pensar que a única AI com humanidade continua a ser a Amnistia Internacional – pelo menos enquanto não for “anistiada” :s
Sarin ainda acredita no “Pai Natal”, neste caso em algumas instituições!
Acha mesmo que há pessoas correctas?
Acredito no Pai Natal, no Coelho da Páscoa e em estrelas cadentes. A minha fé nestas é tal que, na última vez que vi uma luzinha voar no céu, fiz um pedido; afinal era um avião e, ainda assim, concretizou-se!
Só o tesouro no fim do arco-íris é que não me atrai – mas isso é por ser tão pura, logo, nada materialista.
Aposto que fechou a sua conta do Fakebook.
Não fecho porque me é útil manter esse canal aberto para fins muito específicos e porque sou preguiçosa e não trato de trocar o FB por outra rede, mais adequada.
é assim tão ultrajante que uma máquina nos lembre a data de aniversário de um ente querido que já partiu?! Será que não a lembraríamos nós mesmos? Se é alguém de quem gosta…talvez seja hora de lhe pôr uma florita. Ou, tão só, lembrá-la.
A máquina convida-nos a celebrar a data. Não vejo que isso seja possível quando se trata de alguém que já não tem anos de vida para festejar. Não diria ultrajante, mas no mínimo deprimente, no máximo chocante, este anacronismo. Depende da ligação que tínhamos ao falecido, se a morte foi recente, etc. É assim tão difícil de perceber?
Há quem troque vinte vezes o real pelo virtual, Teresa. Sem perceber que faz como a avestruz, que mergulha a cabeça debaixo do chão, alheia ao mundo circundante.
Cada vez mais é assim. A pontos de sentimentos reais e “virtuais” também se confundirem. O mundo está a ficar um lugar muito estranho…
E há também aqueles que se preocupam com as pequenas coisinhas, mas não com as grandes. Ser tão manipulador está na moda!
Está na moda, sim. Cada vez mais apreciado pelos pares e pelos que são objecto de manipulação.