O polémico veredicto do tribunal constitucional sobre o corte dos subsídios da Função Pública criou um problema que provavelmente vai ser resolvido com mais um imposto. Outro furo no cinto. A seguir rebentamos. Entretanto as tais reformas estruturais não descolam. Sabe-se que não se traduzem em colecta imediata, mas sempre aliviava sentir alguma democraticidade nisto e constatar que os intocáveis por uma vez não se ficam a rir.
Felizmente temos o Relvas. Ainda ontem, peguei no Expresso e em manchete o que vi? Não este imbróglio do corte dos subsídios, nem a crise do euro, nem o caso de polícia que abalou a Saúde, mas o Relvas. Há seis meses que ele é o assunto do regime. Começou com o caso Rosa Mendes. Foi ilibado pela ERC por unanimidade, ou seja, não contando apenas com os votos dos amigos, mas isso não interessa nada.
Logo a seguir foi associado ao escândalo das secretas. Provou-se que o super-espião o conhecia e lhe mandou uns sms. Suponho que só lhe deve ter mandado a ele, porque na Imprensa não martelaram quaisquer outros nomes. Sobre este assunto não se sabe mais nada, mas suspeita-se de tudo e isso chega, porque é catártico bater em Relvas. Com aquele risinho e voz de falsete Relvas, aliás, não engana ninguém. Se fosse actor em Hollywood só faria papéis de vilão.
A prova de que é mau carácter veio a seguir. Pressionou de forma inaceitável uma jornalista do Público. Uma jornalista com quem nem chegou a falar. As pressões foram desde logo desvalorizadas pela editora que o atendeu ao telefone, pela directora do jornal e, pasme-se, até pelo director do Expresso, um jornal que jamais poderá ser acusado de condescendência para com o ministro. Mas a banalidade deste género de contendas entre jornalistas e políticos não é argumento. Relvas não tem desculpa. Há qualquer coisa na expressão do seu olhar que não inspira confiança e isso basta.
Nas redes sociais e blogosféricas, nos cafés e nas tertúlias televisivas já lhe tiraram o retrato há muito tempo. Está na cara que não presta. Agora, com o caso do currículo académico ficou tudo ainda mais claro. Ceder às novas oportunidades de Bolonha foi inaceitável. Legal, mas inaceitável. Tal como as pressões à jornalista: banais, mas inaceitáveis. Tudo em Relvas é inaceitável. Não estudou e é ministro? Inaceitável.
Alguém se lembrou de investigar se copiava na escola? Aposto quanto quiserem em como ele copiava na escola.


Excelente comentário. Subscrevo.
Incrível como enquanto o país se afunda todos alinham em novelas rocambolescas que apenas levantam a poeira que não permitem ver o abismo já a um passo.
Isso deve ser porque o Sr. Relvas é um dos que nos puxam (ou empurram?) para o tal abismo.
Em nota lateral (mas não irrelevante) a cara Teresa Ribeiro lá se esqueceu do “caso” mais grave do Sr. Relvas…é que ele foi acusado, públicamente, pela Sra. Roseta de a ter tentado subornar, traficar influências e mais uma data de crimes que um advogado enunciaria.
Foi público, foi na televisão, com todas as letras.
O beneficiário dos desmandos do Sr. Relvas seria, de acordo com a Sra. Roseta, o Sr. Coelho, actual 1º ministro.
Sobre isto que é da maior gravidade, nada diz a comunicação social. E tb o esquece a Teresa… é pena.
Nem sequer tem direito a referência nas listas de trafulhices… porque será?
Miguel
Olá, Miguel, cá estamos outra vez a meditar sobre estas coisas. Jáse perguntou porque mais ninguém falou sobre o que disse a Helena Roseta? Mesmo o jornal do grupo Impresa que não tem largado o “osso”?
Olá Teresa,
è bem verdade…cá estamos.
Já, já me interroguei.
Não cheguei a nenhuma conclusão.
E a Teresa?
Possivelmente, não poderá explicar porque outros ignoram algo de tal gravidade…mas podia pelo menos explicar porque ignora, a Teresa, a única “acusação” verdadeiramente grave feita a Relvas (Bem…a estória das secretas, tb tem que se diga…)
miguel
Ad nauseam.
Oh Teresa…
Relvas é um modelo!
Sim, claro que existem espécies diferentes de modelos, completos e incompletos, patenteados e não patenteados mas, numa altura em que um ministro colega seu, instiga os jovens formados a procurar emprego fora do país, Relvas exemplarmente, demonstra o contrário; em primeiro lugar, os jovens devem ganhar experiência profissional, depois, pegar nessa experiência dirigir-se a uma universidade, de preferência Lusófona, e com essa experiência, requerer as competentes equivalências, em seguida, o canudo. Depois, é só esperar que o partido onde milita ascenda ao poder.
Relvas revela-se um modelo de inovação, de visão futurista e de sentido de oportunidade, que todos os jovens deveriam seguir… ou não.
Ora, quem nunca copiou na escola que atire a primeira pedra…! O Relvas está bem para o País, e o País está feito à medida para o Relvas. Para todos os Relvas que habitam esse malfadado País.
(Arre que nunca mais chega a hora de arrancar a relva desse jardim à beira-mar plantado… enfim, com os Jardim-neiros que por aí há, também não valeria de grande coisa…)
[E se – puro acaso – alguém se lembrar de fazer uma revolução: não as façam com Flores, por favor! Arrassem com tudo, não deixem pedra sobre pedra, ou deixem tudo na mesma, baralhem de novo para que tudo fique igual – mas flores não, por favor!]
(O País… Quanto mais longe se está dele, mais caricato nos parece…)
Vamos ver quantos alunos tiveram 32 equivalências e como e porquê foram elas dadas a Relvas.
Parece que, segundo afirmações do responsável pela universidade é uma situação comum.
Sr. Benjamin,
Lembro que neste país há dezenas de milhares de pessoas que estudaram depois do trabalho, no ensino nocturno. Lermbro-me de casos concretos, de gente fazia alguns kilómetros a pé, às onze da noite…
A sua pretensão de aligeirar o caso é obscena.
Não sei em que sílaba, palavra, ou frase, é que aligeirei o caso… Mas enfim, tendo concluído uma licenciatura em 5 anos, com 52 cadeiras(12+12+12+12+4), e um estágio, tudo feito sem qualquer repetição, e terminado com média 15, só posso concluir que sou um analfabeto funcional, vendo-me pelo prisma desse País. Por isso fui (vim) embora, até nunca mais. E volto a dizer, o Relvas está bem para o País – cada país tem os Relvas que merece. (Ou, em terra de cego, quem tem olho é rei).
Cara lavada, minha senhora, cara lavada. Um atributo inestimável, infelizmente cada vez mais desvalorizado.
Suponho que lhe custe a acreditar, mas tempos houve em que a cara lavada valia bem mais que a sinecura de um assento no governo ou as 30 moedas de louvaminheira. O meu avô, que Deus o tenha dilo-ia de outra forma: tenham vergonha!
O que é legal nem sempre é aceitável. A ética sabe disso. Mas parece que há quem não saiba!
Helena, ouviste ontemo insuspeito Marcelo Rebelo de Sousa? Ele tem autoridade para falar sobre este assunto, cos diabos, e o que ele disse é que estas coisas – com base em currículos profissionais conseguir títulos académicos – fazem-se, há muito anos, lá fora. Nos Estados Unidos há gente que ficacom canudo porque se destacou na equipa de basebol da faculdade!!
Gostaria muito que estes senhores que têm investigado com tanta diligência o saco de pancada do momento também se empenhassem em divulgar que outras figuras públicas ligadas à política obtiveram canudos pelo mesmo processo. Só na AR, disse-me um passarinho, haveria algumas surpresas….
Bolas, Teresa. Costuma ser mais meiga, mas, desta vez, nao deixou a coisa por menos. O Relvas deve ter mexido consigo:-)
Subscrevo e acho que começamos, todos, a perder a paciência. Já nao há pachorra para tanta imbecilidade. Parabéns pela sumula.
(Não consigo entrar no blogue, vai assim) O que mexe comigo, Teresinha, é perceber que a profusão de “escândalos” a envolver Relvas não é inocente. Só quem não quer perceber é que não vê que anda um grupo de gente a tentar por todos os meios afastar Relvas da política, a escrutinando tudo sobre a sua vida, ao melhor estilo americano. E eu detesto sentir-me manipulada. Já aqui o afirmei e repito, acreditem ou não, nunca morri de amores pela personagem, mas não gosto de andar em rebanho, lamento.
É claro que tudo isto é manipulado e intencional, e é claro que dá sempre jeito encontrar um bode expiatório que concentre as frustrações sem fim de um povo que está na miséria e que começa a revoltar-se. Só não vê isso quem não quer, tens razão. Já foi o Sócrates e agora é o Relvas. O pior, Teresa, é que eles se põem a jeito para o massacre… É de uma inacreditável saloice esta coisa dos cursos instantâneos. Quero lá saber se se faz lá fora ou não, está errado na mesma (salvo raras excepções devidamente justificadas, que as há) e em última análise é um insulto a quem estuda com esforço e sacrifício. Mas o que mais me preocupa é estarmos entregues a políticos que precisam de um curso superior, mesmo que seja falso, para se sentirem alguém.
Suponho que também houvesse um grupo a perseguir o Sócrates e que a Teresa na altura se tivesse sentido extremamente manipulada defendendo o PM desses ataques pessoais. Acertei? Porque se não acertei noto aqui uma certa duplicidade de critérios.
Ó Relvas, ó Relvas, doutoramento à vista…
(grande título, Teresa!)