Em texto anterior, escrevi que a União Europeia enfrenta um ano decisivo, não em 2015, mas em 2017. Esta circunstância obriga as potências a manter a actual estratégia ao longo dos próximos dois anos, pelo que a vitória do Syriza não poderia provocar uma mudança radical a nível europeu. Ainda este ano, vota-se no Reino Unido, onde se agiganta a incógnita do UKIP. Os conservadores parecem em condições de vencer, mas os eurocépticos ameaçam criar um parlamento instável. No final de 2015, votam Espanha e Portugal, com o centro-direita desgastado. Se em Madrid se formar uma coligação PSOE-Podemos, haverá incerteza; entretanto, em Portugal, deve manter-se estabilidade relativa, talvez com uma coligação de bloco central.
Nada disto é decisivo. Estamos ainda nos primeiros capítulos de um drama mais vasto e só em 2017 serão escritos os três episódios verdadeiramente importantes: referendo britânico, presidenciais francesas e legislativas alemãs. O calendário favorece os partidos tradicionais, que têm dois anos e meio para arrumar a casa.
Se David Cameron vencer, haverá referendo em 2017 sobre a manutenção do Reino Unido na UE, mas serão os partidos do poder a conduzir o debate. Caso Londres opte por sair, Paris e Berlim tentarão aprofundar a parte política da zona euro, embora isso dependa das presidenciais francesas, onde Marine Le Pen surge nas sondagens com um quinto do eleitorado. Apesar destes números, as suas hipóteses de vencer são mínimas, pois a UMP está a unir-se em torno de Sarkozy e os socialistas terão tempo para recuperar a popularidade de Hollande.
Após a decisão francesa, votam os alemães, que escolhem entre o actual rumo europeu da Alemanha e um caminho autónomo. A chanceler Merkel deverá renunciar ao quarto mandato e escolher sucessor, mas a maior incógnita tem a ver com a evolução do partido anti-euro, o AfD. Se houver muitas concessões ao Syriza, essa formação, Alternativa para a Alemanha, vai subir nas sondagens e começará a ameaçar o projecto europeu dos partidos tradicionais. Cada avanço do populismo, seja na Grécia, Espanha ou França, é um desaire para os alemães federalistas e um contributo para fortalecer os eurocépticos que querem o isolamento de Berlim. Em Portugal, há quem ainda não tenha percebido o verdadeiro perigo dos partidos populistas*: o que ajuda a desligar a Alemanha da Europa é um pesadelo para todos.
* Partidos populistas aqui definidos como formações radicais, à esquerda e à direita, geralmente eurocépticas, que estão a ameaçar os partidos tradicionais.

Pois “tendencialmente gratuito” e constantes défices obrigando a vender dívida para os nativos não terem de pagar/enfrentar as contas tal como elas são não é ser Populista?
Agora outros Populistas ganham porque a lógica – desde o racícínio, à própria qualidade do diálogo e palavras empregues na política – foram sempre Populistas.
O Europeísmo não é/foi Populista?
Não foi aceite porque prometia benesses infindas? : entramos para um clube rico e ficamos ricos sem nada mudar.
O Voto é ganho por aquele que promete maiores facilidades: Populismo.
Se o jogo é este o infractor sai sempre beneficiado.
O que é de alarmar é o PS a descambar para o Syriza e um Pré-Chavismo embrionário. Quando houver filas para comprar produtos essencias tal como na Venezuela talvez acordem, e aí talvez seja tarde demais.
Portanto, para o Luís Naves o importante para a Europa são as eleições no Reino Unido, na Alemanha e na França. As eleições nos restantes países são irrelevantes e, de facto, esses países até devem esperar pelas eleições nos países importantes para alterarem as suas políticas (conforme explicitou para o caso grego no post anterior).
Democracia à moda Luís Naves: os povos dos países importantes votam e os povos dos países irrelevantes obedecem.
Não escrevi isso. Leia lá melhor, por favor.
Escreveu:
“Sobretudo, este não é o momento adequado para mudar de rumo. Na Europa, o jogo decisivo será em 2017.“
Não sei como interpretar isto a não ser da forma que escrevi acima.
Duas questões:
1 – os partidos ditos radicais deixaram, ou deixarão, de o ser com a adesão popular;
2 – Um esfomeado estando à beira do prato para saciar parcialmente sua fome não equaciona estratégias, mas necessidades.
Já agora: 7-Novo-ministro-das-Financas-da-Grecia-d efende-outros-caminhos-para-a-recuperaca o
http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2015-01-2
A competição no mercado global deixa os pequenos países muito vulneráveis perante os novos blocos(China,India,A.Latina) na UE tirando a Alemanha, não presinto ninguem com estatura para ter sucesso sólido. As narrativas que enchem as cronicas são muito interessantes e variadas mas falar de radicais, QE, solidariedade são panaceias liricas comparado com a dura realidade. Num fim de semana na capital da Tanzania a Merkl e seus convidados fizeram 70 mil milhoes de euros de solidos contratos. Quem na UE poderia aproximar-se deste desempenho, mesmo com o euro emparidade com dolar e o dinheiro do QEa full speed? como dizia o poeta; conversa tem a nossa joana muita.
Se os blocos entram em proteccionismo sim, os pequenos são vulneráveis de outra maneira não. É nos países pequenos que se vive geralmente melhor.