
Lá de onde eu venho não há quem a não conheça, que tratamos por tu o que no frio encontra conforto para crescer. E de tal forma ali existe, ou persiste, que nunca imaginei que não fosse de conhecimento geral. Só me apercebi do segredo bem guardado quando, chegado a Lisboa para estudar, a não encontrei em lado nenhum. Já lá vão 20 anos e ainda recordo a peregrinação pelas mercearias. Não bastava que nenhuma a tivesse, nenhuma – ou ninguém, melhor dizendo -, sequer parecia saber de que falava eu quando perguntava pela cherovia. As coisas mudaram, bem se vê, e hoje a cherovia vai aparecendo, num ou outro supermercado, com um ou outro nome, que os há. Mas a noção de segredo, de uma coisa de covilhanenses, resiste, e ainda bem.
CHEROVIA FRITA
Ingredientes: Para 4 pessoas: 1 cherovia; 1 ovo; 1 chávena de farinha; sal; azeite para fritar.
Confecção: Corta-se a cherovia em talhadas finas e estas em pedaços com 10 cm de comprimento (a largura é a da talhada da abóbora). Põem-se de molho em água fria com sal até o dia seguinte. Com o ovo, a farinha, água e sal prepara-se um polme vulgar. Escorrem-se e enxugam-se num pano e passam-se os bocados da cherovia pelo polme. Fritam-se em azeite.

Não é a raiz da salsa, pois não? Aqui, na Alemanha, vende-se muito a raiz da salsa, que parece uma cenoura, mas é esbranquiçada.
Não Cristina, não é. É cherovia, em inglês parsnip. É muito comum na Cova da Beira e, vim a perceber, muito pouco conhecida no resto do país.
O meu dicionário da Porto Editora diz-me que cherovia é o mesmo que cherivia, uma planta de bolbo comestível. Depois fui à procura de um equivalente alemão. No dicionário que tenho em casa, do “Langenscheidts” (versão relativamente pequena), não encontrei a palavra. Procurei online e no site mao/search?source=auto&query=cherivia
http://www.linguee.pt/portugues-ale
encontro a informação que a cherivia também pode ser denominada “pastinaca” (Pastinaca sativa), em alemão, “Pastinake” e isso diz-me alguma coisa. É realmente um tipo de legume que se usava muito na Idade Média, por estas paragens, foi esquecido, mas está a regressar, já se pode encontrar em muitos supermercados. Na verdade, a pastinaca é mesmo muito parecida com a raiz da salsa, que, como disse, também se vende muito por aqui e que comprei para usar numa sopa, amanhã.
Hei de experimentar também a cherovia (ou cherivia, ou pastinaca)