Miss Merkel investiga


Cristina Torrão,

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Há ideias que uma pessoa nem sabe como classificá-las. Há dias, a RTL transmitiu um policial baseado na figura de Merkel. Depois de se reformar, a antiga chanceler retira-se para uma pequena povoação no Uckermark, uma região do Nordeste da Alemanha, perto da fronteira com a Polónia. E aborrece-se. Vem mesmo a calhar que uma importante personalidade seja encontrada morta, envenenada. A Polícia parece não ter muita pachorra para ir ao fundo da questão, conclui ter-se tratado de suicídio e encerra o processo. Miss Merkel resolve investigar de moto-próprio e a colagem a Miss Marple é óbvia. Para isso, até se ultrapassa o facto de Merkel ser casada e dá-se-lhe o tratamento de Miss.

Não vi este telefilme, mas, a julgar pela crítica, não perdi grande coisa. A redacção da revista só lhe dá uma bola vermelha, num total de três e, apesar de considerar a ideia simpática, diz que não tem pernas para andar. Não é, porém, de excluir que a Miss Merkel se transforme numa série. Este policial foi baseado num livro de David Safier, publicado em 2021, e teve muito sucesso, ganhou até um prémio (votado pelo público, depois de fazer parte de uma lista de trinta policiais, escolhidos por livreiros). E o certo é que o autor já escreveu a segunda aventura desta detective amadora.

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E em Portugal? Também teríamos vontade de ver ex-governantes transformados em detectives?

25 comentários em “Miss Merkel investiga”

  1. É que nem pensar. Salvo uma ou outra excepção, ficamos fartos deles, da sua cara, de tudo que a eles concerne. Mas, contudo, vejo no nosso Presidente da República Portuguesa um homem capaz para tais investigações:). É muito irrequieto.

  2. Considerando as vezes em que os nossos governantes, mesmo acontecendo à frente do nariz deles, argumentaram não terem visto nada, não terem dado por nada, não terem ouvido nada e não terem sabido de nada, vê-los como detectives seria demasiado irrealista para funcionar. Nem sequer funcionaria como sátira – pois o registo natural deles é de farsa.

  3. “E em Portugal? Também teríamos vontade de ver ex-governantes transformados em detectives?”

    Duvido, enquanto não saírem do registo do mister Bean é difícil.

  4. A única relação entre ex-governante e detectives que imagino, seria ver os primeiros detidos pelos segundos.

  5. Os alemães costumam ter mais respeito pelos títulos, devia ser Dr. Merkel (doutorada em química, salvo erro). Mas claro que a Miss Marple da Agatha Christie era bom demais para deixar de ecoar.

    Por cá deve ser mais tipo Arsène Lupin, mas uma das partes de “ladrão-cavalheiro” é capaz de suscitar dúvidas.

  6. Interessante seria, e não cobre direitos de autor, o Cabrita ser detective para se safar das aselhices que fora acusado.

    1. Agora lembrei-me de que, nos idos de 2011, publiquei no meu blogue um texto, digamos, satírico, sobre José Sócrates, baseando-me no 007. Era deste género:

      «O meu nome é Sócrates, José Sócrates.
      Toda a gente sabe que fui primeiro-ministro. Mas o que ninguém sabe é que, ao mesmo tempo, fui também agente secreto. É verdade! Ao serviço de Sua Majestade.
      Portugal não é uma monarquia? E quem disse que eu trabalhava para Portugal?
      Que Majestade servia? Não sei, nem me interessa. Um agente secreto que se preze, com ordem para matar, trabalha sempre ao serviço de Sua Majestade.
      Se eu era actor num filme? Não, era a vida real… Penso eu… Olhem, se querem mesmo saber, já nem sei bem.
      Agora? Acho que vou para França, disseram-me que dá muito prestígio. Depois, regresso com nova imagem, peço um vodka martini batido, não mexido, digo “O meu nome é Sócrates, José Sócrates”, e caiem-me novamente todos aos pés.
      Não acreditam? Esperem para ver!»

      O Sócrates é uma fonte de inspiração.

  7. É melhor não — conhecendo como conhecemos a capacidade inventiva das cabeças nacionais, provavelemente íamos ter mais uma ensaboadela sobre o estado novo.

      1. Ainda assim, imagino a Ana Gomes com um vestido indiano e umas sandálias com búzios a desvensar mistérios na Costa da Caparica

    1. V. sem marxismos uf!!
      “…..íamos ter mais uma ensaboadela sobre o estado novo.”
      Ensaboadela no sentido de uma grande lavagem? Ainda mais, assim ficava mais em branco e não se percebia.

      1. Ensaboadela no sentido em que esta gente que faz filmes e séries não consegue fazer nada sem espetar lá no meio a lenga-lenga do costume disfarçada de intelectualidade: o “fascismo”, a guerra colonial, o 25 de A, o Eusébio e etc. Se calhar é porque andam sempre de mão estendida para pedir subsídios para filmes e sabem que o júri dos “concursos” tem lá sempre o Manuel Alegre (que também se recusava a cumprir missões) ou qualquer outro guarda da revolução.

  8. Por cá é mais vontade de ver ex-governantes investigados por detetives, tal não é o nível de deboche a que se chegou.

  9. Li hoje andarem já a reescrever os policiais de A. Christie para os formatar nos dogmas dos inquisidores actuais.

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