Mais do que o défice, a recessão económica, as derrapagens financeiras, os malabarismos dos políticos, as quebras do segredo de justiça, a promiscuidade entre o poder e os media, a instabilidade geral, o descrédito nas instituições, os crimes de luva branca dos banqueiros, os desvios orçamentais, a corrupção instalada, as peixeiradas na assembleia da república, o oportunismo, o nepotismo, o desgoverno galopante… são notícias como esta e esta que nos levam ao tapete, como país. Às vezes, tenho vergonha de ser portuguesa.


Compreendo a sua indignação Ana.
Dói-me muito, também, constatar que não tem havido cuidado ou vontade para se fazer cumprir os princípios mais básicos dos direitos humanos…E, não me excluindo dessa responsabilidade, sinto um misto de culpa e impotência…
Também eu, Maria, sinto ambas as coisas. Indignar-me é manter-me acordada, pelo menos.
A Ana indignar-se, escrever sobre esses casos, já é muito. Obrigada.
(Nem sempre me expresso bem – daí a “persistência”)
Querida Maria, escrever sobre isto é quase nada. Tem, como já disse, a vantagem de ajudar-me a manter-me acordada. E talvez, com um bocadinho de sorte, ajude também outros a não se deixarem adormecer. Mas nada mais do que isso.
Mas obrigada pela sua simpatia, que se expressa sempre muito bem!
Sem mais palavras, Ana.
Cabe a cada um de nós a responsabilidade da mudança. Porque de certa forma os políticos limitam-se a espelhar uma sociedade doente. Mas urge fazê-lo.
Completamente de acordo, Cristina: a culpa é de todos nós, os que fazem o mal e os que o permitem.
Sem palavras.
Infelizmente, não é uma questão de país, Ana…
Talvez não, Fugi, mas é neste que eu vivo e é deste que gostaria de me orgulhar…
Li a primeira notícia e não achei que fosse nada de ter vergonha. Fala de um serviço de apoio aos idosos que, aparentemente, funciona bem e tem muito sucesso. Fico feliz, fico até orgulhoso, que haja um serviço desses.
A questão não é essa, Luis Lavoura. O que me envergonha é o número elevado de idosos que vivem em condições sub-humanas e se queixam de solidão, maus tratos e negligência, a começar pela própria família. Se isto não reflecte uma sociedade doente, então não sei o que o fará.
Estás carregada de razão.
Faço um reparo à segunda notícia a que te referes, que é do JN. Vejo nela a fotografia da vítima de Vila Verde, não sei bem porquê. Nem sequer sei a quem possa interessar. Se era para ilustrar o texto, uma foto de Vila Verde servia. Se era para registar alguém envolvido na triste história, fica por entender o motivo por que não estão ali os rostos dos criminosos em lugar do rosto da vítima. Por muitas lições que haja, continua tudo a insistir na mesma tecla.
Não há praticamente notícia em que apareça o rosto do criminoso, mas sim, sempre o da vítima. Não sei é procedimento apenas deste nosso país, se será desta forma em todos os outros.
Infelizmente, não é um exclusivo nacional. Até a tradicional fleuma britânica já deu lugar ao toda a espécie de ‘voyeurismo’ intolerante.
O berço dessa imprensa de voyeurs é exactamente o “reino de sua majestade”, João…
Fico curioso sobre qual será a pena aplicável pelo crime de escravidão.
Também eu. Depois da abilição da escravatura, nem sei se o crime estrá configurado na lei. Duvido. Maus tratos e abuso será o que vai constar dos autos, acho eu.
“abolição”, claro.
O crime de escravidão é punido no Art.º 159.º do Código Penal:
«Quem:
a) Reduzir outra pessoa ao estado ou à condição de escravo; ou
b) Alienar, ceder ou adquirir pessoa ou dela se apossar com a intenção de a manter na situação prevista na alínea anterior;
é punido com pena de prisão de 5 a 15 anos.»
Pode consultá-lo aqui: ostra_articulado.php?nid=109&tabela=leis&ficha=1&pagina=1
http://www.pgdlisboa.pt/pgdl/leis/lei_m
Ah! Muito obrigada pela preciosa achega, Nicolina.
Não tem de quê. Compreendo a sua dúvida. Era de esperar que uma vez atingido um determinado patamar civilizacional fosse possível eliminar alguns conceitos que julgamos não mais ter cabimento neste mundo em que vivemos. Infelizmente, a única realidade verdadeiramente imutável no Universo é a natureza humana e por isso estou convencida que esta norma há-de acompanhar-nos até ao fim dos tempos. u/textos_onu/dudh.pdf
A proibição da escravatura consta, também, da Declaração Universal dos Direitos do Homem nos termos seguintes:
«Artigo 4.º
Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.»
Texto integral aqui:
http://www.fd.uc.pt/hrc/enciclopedia/on