Miranda é uma nação


Pedro Correia,

Estou sempre a aprender com os cultíssimos leitores do DELITO. Um deles passou ontem por cá para me ensinar, a propósito do separatismo catalão, que «ter língua própria» é critério para aferirmos a existência de uma «nação».

Acabo de concluir, portanto, que Miranda do Douro é uma nação. Dá gosto ter leitores assim.

30 comentários em “Miranda é uma nação”

  1. Historicamente há duas formas de o conquistador impôr a sua língua ao povo conquistado. Depois da língua virá o resto.

    Uma é “impor à força”. É a mais rápida mas pode provocar reações nacionalistas, bem ou mal sucedidas. Daí ao Brexit é um pulinho . Se não fossem a Inglaterra e os EUA estavamos hoje todos a blogar em alemão. Aliás ainda não desistiram …!.
    A outra é via uma suave aculturação, o desejo das elites locais em promoverem-se adoptando a língua dos conquistadores.

    Vejamos o que as espadas de Roma romana e a Bíblia de Roma Católica conseguiram na Península Iberica e arredores: O Ibero-Romance vs o Occitano-Romance

    “…As chamadas línguas românicas,…
    … nas diferentes regiões da Espanha, onde são falados o catalão (que tem o valenciano como dialeto), o aragonês, o galego, o asturiano e o leonês;
    em Portugal, onde é falado o mirandês; ….”.
    https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_rom%C3%A2nicas
    Vale a pena consultar. A propósito!. A União Europeia virá a ser uma Nação?. Com que Língua?. Flamengo de Bruxelas?. 🙂
    Realmente intrigante o conceito de Nação vs Língua.

  2. É capaz de ter razão.
    As claques do Verdão têm língua própria e todos os sportinguistas reconhecem que o Sporting é uma nação.

  3. Ainda não consegui descortinar o que vai na cabeça de tanta gentinha comentadora, jornalista, politica para defender com unhas e dentes a “independência” da Catalunha.
    Então aqueles tarados historiadores(?) do Tavares “pobre” ao Rosas a comparar o cu com as calças afirmando que só houve 1640 por causa da Catalunha, não lembra ao careca.
    O Tavares “rico” ontem estatelou-se ao comprido com a embaixadora espanhola em Lisboa. Levou para contar.

      1. Meu caro Pedro Correia, a aposição desse sapo ainda lhe pode vir a valer alguns dissabores!! Olhe que, segunda parece, por causa da discriminação ou coisa que o valha pela superstição, ainda fecham aqui a tasca!!

  4. A grande questão da independência da nação de Miranda do Douro é a minoria que fala sendinês e que é em si mesma, et pour cause, outra nação.
    Isto das nações é só problemas, só problemas…

  5. Eu sou a favor da autodeterminação do povo afrodescendente do eixo Seixal-Moscavide.

    Isto da Catalunha lembra os referendos da UE. Antigamente pediam referendos para tudo e um par de botas, agora que se viu a poia que deu, são uns irresponsáveis por terem referendado a manutenção.

    1. Esse povo afrodescendente terá de falar uma língua própria para se assumir como nação, decorrendo daí o inalienável e inquestionável direito à autodeterminação.

  6. Se eles quiserem ser uma nação que o sejam.
    Qual o problema de outras pessoas escolherem outro caminho?

    lucklucky

  7. O Martim Moniz vai liderar a independencia do centro de Lisboa em relacao a Portugal…nao tem a mesma lingua que os portugueses e sao grandes apoiantes da causa dos extremistas catalaes

    1. E o Martim Moniz, dividir-se-á, de seguida, em várias nações. Tantas quantas as línguas ali faladas!

  8. O direito à autodeterminação deve depender de haver uma maioria de habitantes que desejem a mesma.
    Tudo o resto é conversa para enrolar.

  9. Pedro, temos mais um problema: se ainda houver quem fale rio-de-onorês ou guadramilês, da mesma família do mirandês, lá vai mais uma parte do distrito de Bragança…

    Abraço

  10. Lamento imenso que o Luís Lavoura (LL) até tenha estado ausente até agora para se defender desta sua campanha baixa, iniciada a partir de um dos seus muitos comentários… quem sabe se a “coisa” até não tem a ver com o facto estranho de que um comentário dele disponibilizado publicamente às 11:10, apenas recebeu um comentário seu às 20:23… enquanto, por exemplo, um outro, publicado às 11:37, mereceu resposta sua logo às 16:39.
    E isto para nem entrar na sua habitual leitura, reduzida por si a excertos isolados do contexto de discursos, que lhe servem mais do que seria normal, para concluir do modo que lhe é mais conveniente, as mesmas. Os excertos do “discurso” do FR são um exemplo disso… os do LL, nesse comentário, também não escapam a isso. LL nunca afirmou que uma “língua própria” é “A” condição «critério para aferirmos a existência de uma «nação»» – ele limitou-se a, a propósito de um excerto seu do discurso do Fernando Rosas, dizer que, sic, «nenhuma das nações é comprovadamente mais antiga do que a outra, pelo critério linguístico»… o que até, evidentemente, nem FR chegou a sugerir

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