Quem ainda não estava a par, ficou seguramente preocupado com a notícia de que há doentes cancerosos a morrer por falta de resposta do nosso sistema de saúde. Horas depois, a ministra da Saúde veio explicar publicamente que as listas de espera para cirurgias têm estado a diminuir e que, portanto, vai havendo menos mortos.
Era o que tinha para dizer ao País? Apenas com uma curta intervenção, Ana Jorge conseguiu riscar de alto a baixo a sua passagem pelo ministério. Será caso para nem a mencionar no seu currículo, porque acabou de matar o exercício que lhe estava entregue. Para cargos políticos, acredito que morreu.

É de uma infelicidade arrasadora. Há pessoas, que não têm estofo para ministros. Mas sabe, isso é a terminologia de médico, que falam de mortos e vivos com uma desenvoltura que nada tem de politicamente correcto e depois dá nisto
Deve ser isso. Por alguma razão, isso lembra-me o Princípio de Peter: perdeu-se uma médica, que era precisa, e um ministro, que também era necessário.
Ora nem mais.
Não há problema…
Também é para rasgar….
Sim? E isso é bom ou mau?
A brincar é bom.
A sério é muito mau !
Ou seja: nim.
Só se for a brincar com coisas sérias…
A decisão é sua, lembra-se?
Com a passagem riscada
nos comandos do ministério,
a justificação invocada
é um tremendo despautério!
A ministra enterrou-se
com as suas próprias garras,
com isso encerrou-se
o espectáculo destas cigarras.
Encerrou-se mesmo? Faço figas.
Também ouvi, João e fiquei chocada. Disse ela que era “preciso relativizar”, alegando que este ano morreram menos doentes por falta de cirurgia que o ano passado. “Relativizar?” Se eu fosse da família de algum dos desgraçados que morreram pelo caminho não sei o que me passaria pela vista ao ouvir essas sábias palavras.
Nessa situação, eu nem sei se não a relativizava.
Mas cuidado, não pode trocar as consoantes que ainda a revitaliza!
O melhor é trocar a ministra.
É mesmo terminologia de médico… Hoje à hora de almoço vi o pivot da sic questionar um responsável oncológico e a frieza era semelhante… o que interessa é referir que houve menos mortos e portanto eles nem percebem o drama gerado à volta disto. Gostava de saber se fosse a filha da ministra ou do senhor da oncologia a ter um cancro, se tinha muito que esperar… Triste.
É mesmo triste, Sara. Acredito que seja conversa de médicos, mas então falta um(a) ministro(a).