Mini jobs versus desemprego?


fiodeprumo,

“A outra face do milagre do trabalho alemão assenta nos “minijobs”, empregos com remunerações de cerca de 50 cêntimos à hora e que já contam com sete milhões de empregados na Alemanha.”

 

“Os dados do Gabinete Nacional de Emprego da Alemanha revelaram que o grupo de empregados com salários mais baixos cresceu três vezes mais rápido que o resto dos grupos entre 2005 e 2010. “Isto explica o porquê do milagre do trabalho alemão não ter levado os cidadãos a consumir muito mais”, afirma o “El Economista”.

Em 2011, o número de empregados na Alemanha ultrapassou os 41 milhões, o nível mais alto desde a sua reunificação, em 1991.”

 

Confesso que tenho mixed feelings em relação a medidas deste tipo que, se por um lado, permitem não morrer à fome, por outro, desqualificam o valor do trabalho. Mas tenho o mesmo sentimento quando comparo o preço horário de uma empregada doméstica a ganhar 7 euros por hora e uma explicadora de matemática a ganhar quinze.

 

NOTA:Recebi comentários indignados a dizer que a notícia que publiquei não corresponde à verdade e que ninguém na Alemanha trabalha por este preço. Vou tentar apanhar o El Economista e ver. Se assim for, peço desculpa.

Mas também, confesso, que só por muita ignorância ou má fé é que um jornalista não sabe traduzir espanhol.  

19 comentários em “Mini jobs versus desemprego?”

  1. E as novas raparigas da limpeza.
    Instituto Estudos Superiores Militares, umas velhotas em tarefas de limpeza, 2.5 euros hora.
    Uma certa Nova Economia.

  2. Essa coisa dos 50 cêntimos à hora está muito mal contada. Por favor, leia o comentário que deixei no post “Ensinar a pescar”, do Luís M. Jorge. E esses jobs não se chamam minijobs, mas “Ein Euro Jobs”!

    As coisas que se dizem, valha-me Deus!

    De resto, concordo com a sua posição sobre a dignidade do trabalho!

    1. Como viu, limitei-me a comentar uma noticia com fonte mencionada. E como conheço o El Economista e não sei alemão, cingi-me aos factos mencionados.
      Já agora pode fazer-me o favor de traduzir o que escreveu em na língua da Senhora Merkel?
      É que até falo razoavelmente inglês e espanhol e muito bem francês e português. Foi até onde consegui chegar…

      1. Eu traduzo-lhe isso rapidamente: “Ein Euro Jobs” significa simplesmente “Trabalhos/empregos de um euro”.

        Note-se que não se diz ao fim de quanto tempo se chega ao “1 euro”.

      2. Desculpe, mas ontem estava enervada com a notícia inenarrável citada pelo Luís M. Jorge e o comentário saiu-me um pouco agressivo. “Ein Euro Jobs” significa realmente empregos (ou será melhor dizer “biscates”?) de um euro – repare que, nesta expressão, só a palavra “ein”/um é em alemão; eu também podia ter escrito “1 euro jobs”. As pessoas ganham apenas um euro por hora e não custa chegar lá, é só estar desempregado. É um programa que tem como objectivo mantê-las ocupadas, o salário de 1 euro por hora é simbólico, já que essas pessoas recebem, por fora, uma série de ajudas sociais (renda de casa, conta da electricidade, etc.).

        A expressão “minijobs” também existe, eu só conhecia “1 euro jobs”, mas informei-me e podem-se usar as duas formas.

        Claro que este programa está longe de dignificar o trabalho que essas pessoas fazem. E é uma maneira de fintar as estatísticas do desemprego.

        Se há aqui gente a ganhar 50 ou 55 cêntimos à hora, só clandestinamente, à margem da lei.

        1. Obrigada Cristina. Como pode ver nos comentários, a minha homónima e um outro comentador já enquadraram a questão.

    1. Mais mortes por inanição?! Mais casas entregues à banca?!
      Roubos de champôs e polvo nas grandes superfícies?!
      Oh! não tenho mais tempo para mais especulações… tenho que ir ali responder a umas ofertas de emprego antes que me cobrem para trabalhar…

  3. Deixando de lado as questões de um ou meio euro, e da veracidade do artigo,

    “If you pay peanuts, you get monkeys”

  4. Helena, essa questão já foi hoje abordada um pouco mais abaixo, no nosso blogue, tendo-se chegado à conclusão que a notícia não fazia sentido. É preciso ter alguma cautela com as primeiras “notícias” que aparecem nas edições electrónicas de certos jornais e nas redes sociais. Muitas delas, como rapidamente se comprova, não têm o menor fundamento.
    Ando a fazer colecção dessas “notícias”. Um dia destes darei nota disso aqui. Hás-de achar piada, estou certo disso.

    1. Pedro às redes sociais não vou. Não as digiro. Tenho-as apenas para publicitar a saída de um livro meu.
      Os jornais electrónicos, como o El Economista, sim.
      E continuo a não estar segura nem da falsidade nem da veracidade da notícia que, suponho vi no Sol online, apesar de todos os desmentidos que aqui apareceram.
      Mas ando a investigar, porque não gosto de ficar com dúvidas.

    2. Já agora, Pedro, e para o caso de lhe ter escapado esta pérola do DN online:

      “O ministro português das Finanças pediu o apoio do homólogo alemão para um reajustamento das metas impostas pela ‘troika’, este é um dos principais assuntos de hoje na edição impressa ou no e-paper do…”

    3. Pedro, como podes ver pelo comentario da Helena, a coisa não é, afinal, tão falsa.
      Entretanto, eu própria – que não gosto de ter dúvidas e tinha-as, como afirmei na nota – andei a investigar e confirmo tudo o que a minha homónima refere.
      A situação existe e o números abrangidos pela mesma são de entidades estatísticas oficiais.
      As conclusões que queiramos tirar delas, é que podem divergir…

  5. Parece-me que a notícia base está correta exceto no valor que deveria ser de 2.5€/hora

    Da wikipédia (traduzido pelo Google do Alemão):
    Minor employment (also called “mini jobs” or “400-euro jobs”) is according to the German social security law an employment relationship with a low absolute level of pay (slightly paid employment) or employment relationship of short duration (short-term employment). A minor employment is exempt from social security, including income tax law, there are peculiarities.
    In March 2009, there were in Germany about 4.9 million workers only marginally (see statistics ).

    (e em português, ou quase):
    Emprego Menor (também chamado de “empregos mini” ou “400-euros emprego”) está de acordo com o alemão direito da segurança social uma relação de trabalho com um baixo nível absoluto de salário (emprego pouco remunerado) ou relação de emprego de curta duração (de curto prazo no emprego). Um trabalho menor é isentar de segurança social, incluindo a lei do imposto de renda, há peculiaridades.
    Em março de 2009, havia na Alemanha cerca de 4,9 milhões de trabalhadores apenas marginalmente (ver estatísticas ).

  6. Helena, deixo-lhe algumas notas sobre esta matéria:

    1. O que se publicou no El Economista é um resumo de um take extenso da REUTERS. O qual, além de reflectir as críticas, legítimas, feitas pela OIT e por trabalhadores ao dumping no mercado laboral alemão,enquadra bem a questão ( ao contrário do cherry picking praticado pelos colegas espanhóis).

    No take aponta-se, por exemplo, que se está a fazer a discussão quer da introdução de um salário mínimo na Alemanha ( nos sectores onde ele ainda não existe), quer da obrigatoriedade dos trabalhadores temporários serem pagos pela mesma tabela dos contratados , precisamente para por cobro ao dumping.

    Notas adicionais:

    2. Em 2008, o chamado limiar da pobreza na Alemanha (60% do rendimento médio) era de 929,30 euros.

    3. Qualquer pessoa com rendimentos inferiores a este valor tem direito ao apoio do Estado no quadro do ALG II, também conhecido por Hartz IV.
    Para além do apoio estatal para satisfazer a necessidades básicas: alimentação, habitação, educação, é possível conjugar o apoio com uma Arbeitsgelengenheit mit Mehraufwandsentschädigung (AGH-MAE prevista no §16d SGH II), erradamente conhecida como “ Ein-Euro-Job”, ou “emprego de um euro”. O que significa que alguém que receba Hartz IV – seja um desempregado de longa duração ou alguém cujos rendimentos estejam abaixo do limiar da pobreza mesmo trabalhando – tem a possibilidade adicionar mensalmente entre 200 a 400 euros (livres de impostos e contribuições sociais) ao apoio estatal. No caso dos desempregados de longa duração os “ Ein-Euro-Jobs” possibilitam o contacto com o mercado laboral além de do ponto de vista psicológico fazerem estas pessoas sentir-se úteis.

    Estas ocupações estão limitadas temporalmente a um período entre 3 a 12 meses e em regra a 20 a 30 horas por semana, são remuneradas com valores compreendidos entre 1 a 2,5 por hora.

    Os 55 cêntimos (aos quais, para se ser intelectualmente honesto, se teria de somar o apoio estatal e assim se obteria o real valor por hora) citados na notícia do El Economista e no take da Reuters são verídicos. Embora sejam um caso isolado de uma empresa de trabalho temporário, que entretanto foi processada pela Agência para o Emprego e que já indemnizou os trabalhadores em questão.

    4. O DIW, instituto alemão de pesquisa económica, concluiu que um em cada dez trabalhadores na Alemanha recebe por hora menos de sete euros, o que perfaz 3,3 milhões de pessoas.

    Há ainda cerca de cinco milhões de pessoas a receber menos do que oito euro por hora. A maioria dessas são trabalhadores a tempo parcial – na maioria dos casos mulheres e mães (devido quer ao sistema fiscal que penaliza as mulheres no mercado laboral como a factores ideológicos) ou os chamados “mini-jobbers” ( na maioria dos casos pessoas com um segundo emprego ou estudantes universitários).

    5. Há injustiça social na Alemanha? Obviamente. Mas, aqueles que percentualmente são afectados por ela estão abaixo da média europeia.
    Com todos os seus defeitos modelo de economia social de mercado, apesar de ter ser tido adaptado, ainda continua a assegurar o funcionamento de uma economia liberal consciente das suas responsabilidades sociais e onde a esmagadora maioria da população encontra uma existência digna. É insatisfatório? É.
    Não conheço todavia modelo melhor.

    1. Muito obrigada, cara Helena, pela precisão da explicação que, de certo modo, justifica a minha Nota em rodapé e as dúvidas que nela manifesto. É que tenho uma antiga empregada que foi trabalhar para a Alemanha e soube que esteve “empregada” em condições muito semelhantes.
      Posteriormente, depois de toda esta série de comentários, fui investigar o assunto .
      Mas a Helena acabou por ser ainda mais explícita do que eu seria.

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