37 comentários em “Milagre!”

  1. João:

    Pois, pois, J.Pimenta, a verdade será escrita daqui a uns anos quando estes jovens chegarem ás Universidades ou ao mercado de trabalho.
    Podem falar em Magalhães, Vascos da Gama ou outras coisas tais a conclusão é só uma bases seguras não existem.
    Os erros de hoje serão pagos amanhã e com juros, mas isso para este regime socrático da propaganda e das estatisticas não interessa nada, ou em último caso ainda criam um sistema idêntico ás “Novas (FALSAS) Oportunidades”, para criarem licenciados de aviário!!!

    1. Desculpe responder-lhe, caro Carlos, mas a verdade já foi escrita com os jovens que têm vindo a chegar às universidades e ao mercado de trabalho pelo menos nos últimos dez anos. Não havia Magalhães, nem Novas Oportunidades, nem estas estatísticas e bastava ter frequentado uma universidade pública como a que frequentei no princípio da década para saber que, mal, estas medidas não farão, até porque seria muito, muito difícil piorar.

  2. Em contrapartida o exame de alemão de 11º/12ª anos era muito difícil e algumas questões não muito bem elaboradas. Não entendo, juro que não entendo como estas coisas acontecem 🙁

  3. Chama-se a isto trabalhar para a estatística, o que já permitiu ao Presidente do Conselho dizer, com a sua nova voz de mel, que a educação em Portugal está cada vez melhor. Só falta mesmo decretar ‘exames’ feitos em casa em 20 linhas de folha A4, a enviar por fax a um domingo.

  4. É. Os bons exames são aqueles em que pelo menos metade dos alunos chumba.

    Aliás, os exames não servem para avaliar a qualidade dos alunos – é o contrário. Se muitos alunos passarem, é porque o exame é fraco. Quem está a ser avaliado é o exame, não são os alunos.

    (Nos exames internacionais para a entrada nas universidades americanas, há uma forma de classificação porreira: a nota do aluno é a percentagem de alunos que tiveram nota pior. Por exemplo, um aluno classificado com 95% quer dizer que 95% daqueles que fizeram o exame tiveram nota pior. Esta forma de classificar elimina a distorção derivada da – inevitável – dificuldade variável dos exames. Eu nos exames nas cadeiras que leciono sigo um princípio análogo: dou uma classificação a todos os estudantes e depois multiplico todas as notas por um fator maior que 1 por forma a que o melhor dos estudantes tenha uma nota não muito fraca.)

  5. Eu não disse, eu não disse? Neste post: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/605669.html

    De patti a 8 de Junho de 2009 às 17:40
    Se calhar o seu menino ainda não fez nenhum exame, daqueles com o selo do ministério da Senhora Dona Lurdes.
    Daqueles facílimos, que se fazem de olhos fechados.
    Daqueles de matemática com questões de escolha múltipla, onde é permitido o uso da máquina de calcular e onde nem precisam de justificar a resposta que escolheram: é só copiar o resultado que a máquina tão generosamente forneceu, ver se confere com algum que esteja no exame e pespegá-lo com a imensa alegria de terem acertado!
    Daqueles, onde os cálculos das áreas, perímetros, diâmetros e afins, estão todos arrumadinhos e bem organizados a um canto da folha de exame, para que os meninos, coitadinhos, não se lhes dê uma branca e se esqueçam das fórmulas durante os problemas.
    Daqueles, de acesso ao ensino superior que qualquer menino do 9º ano conseguia fazer, e que deram vómitos a muitos professores que andaram o ano todo a debaterem-se para conseguirem dar a matéria exigida e depois verem que no exame do 12º ano, só vem a tabuada do 5!
    Daqueles, cujos resultados nas pautas de notas foram aquém dos últimos anos e que por isso permitiram que meninos e meninas, sem saber como, entrassem na universidade, sem sequer saberem o que é uma equação.
    Mas isso, claro não interessa nada:
    o que interessa mesmo, são os números para o resto do mundo ver;
    o que interessa mesmo, é que os meninos passem de ano e burros ou não, é indiferente;
    o que interessa mesmo, é que os paizinhos não se chateiem muito com o assunto.
    (resposta ao Sr. Luís Lavoura)

    É a maior a Senhora Dona Lurdes, João.
    Finalmente somos um país que não se envergonha nas suas estatísticas sobre a educação.

  6. Caro Luís Lavoura:

    Realmente defende com unhas e dentes o indefensável. mas claro respeito o seu ponto de vista tenho é pena que no meu (nosso) País se estejam a formar nas escolas (a todos os niveis) carradas de jovens que nada nada sabem aliás basta ver alguns nem saberem a data da nossa indepedência e mais grave para o PM deste país é que nem sabem quem é José Sócrates, chegando a este ponto pergunto eu quais as causas que defendem ou poderão defender no presente e no futuro é que não nos esqueçamos serão eles o futuro deste país.
    Se isto não o preocupa realmente será melhor emigrarmos pois como deve calcular não são as estatisticas tão gratas a este governo que lhes irá dar de comer no futuro e sinceramente não poderão estar á espera de se licenciarem ao domingo que isso e a cadeira de inglês técnico é só para alguns!

    1. Eu não defendo nada, caro Carlos. Eu só digo que a qualidade de um exame não se avalia pelo número de alunos que têm nota positiva. Ou seja, o facto de 90% dos alunos terem nota positiva no exame não quer necessariamente dizer que o exame era facílimo, tal como não quer necessariamente dizer que os alunos são muito bons. Para se saber se o exame é bem ou mal feito, se é sério ou não, é preciso observá-lo à lupa – não basta mandar “bocas” como a deste post, dizendo que, se 90% dos alunos passam, então é porque aquilo é tudo uma reinação.

      Pode crer que eu, tanto como pai como como investigador científico, tenho todo o interesse e toda a preocupação em que a educação em Portugal seja séria e de boa qualidade, e que não me compadeço com facilitismos. Mas também não estou aqui para mandar “bocas” e, se não li o exame nem sei exatamente sobre que matéria ele versa, não estou em condições de “dar palpites” sobre se o exame era adequado ou não.

      1. Chega, Luís. Começa a ser cansativo. Aquilo a que acaba de chamar «’bocas’ como a deste post» fundamenta-se em duas ou três coisas muito simples que ninmguém em seu perfeito juízo põe em dúvida. A saber: os alunos terem achado as provas facílimas, as notas baixíssimas terem passado a altíssimas enquanto o diabo esfrega um olho e a realidade paupérrima a todos os níveis que nos rodeia e que ilustra bem a fraqueza dos programas de ensino e a escandalosa falta de exigência.

        Sobre o seu papel de pai, o que o meu amigo pensa já aqui entendeu divulgar amplamente e não me impressionou. Já como investigador científico, sempre lhe digo que deixa muito a desejar. Mas fique lá na sua, porque há uma coisa que nos distingue muito mais do que estas posições: a sua teimosia não é a minha.

  7. Caro João Carvalho

    Quem faz os testes são professores. Há uns anos era o problema recorrente das perguntas mal formuladas, de erros elementares, enfim … Deve lembrar-se disso. Não havia ano em que tal não acontecesse. Agora é este problema dos exames fáceis. Eu não consigo entender. Se os professores são permeáveis a supostas pressões, está mal. Se não são e a dita facilidade é da sua responsabilidade também está mal.
    Evidentemente que se pode sempre argumentar que o ambiente geral pode propiciar determinado comportamento. Mas, voltamos à minha primeira perplexidade. Onde está a dimensão ética e profissional dos professores que elaboram as provas? São escolhidos a dedo? Mas então, onde está a dimensão profissional, de classe, com obrigação de desmascarar isso e, assim, defender os valores que devem nortear a classe profissional?
    Veja bem. Não tenho posição sobre o grau de facilidade ou dificuldade dos exames. Não os conheço, nem teria competência para fazer essa avaliação. Basear uma convicção acerca disto só com base em opiniões de alunos parece-me insuficiente.

    :))

    1. A responsabilidade dos exames é sempre do GAVE, Maria do Sol. É esse organismo que tem toda a responsabilidade sobre as provas de exame e são eles que têm sempre a última palavra. As equipas nem sequer são conhecidas. Isto tudo para dizer que, mais uma vez, a responsabilidade é do Ministério da Educação.

        1. Pois, João, este processo de elaboração de exames escapa completamente à classe e não se passa a nível de escola. Todas as orientações vêm de cima. Se há pressões não são do amigo, do tio, do gato e do vizinho…

          1. Acho que a constituição das equipas é sigilosa, porque tal como disse, a responsabilidade é sempre do GAVE. Imagine que eu faço um exame, o meu nome nunca aparece, é sempre o GAVE que responde por tudo. Só se houver alguém que queira denunciar algo é que se poderá saber se houve pressões ou não.

      1. Sim Leonor. Não questiono isso. E, se existe tanta evidência destes facilitismos, deveriam fazer uma avaliação rigorosa … Tudo bem. O que eu lamento e a ser verdade que o GAVE extrapola as suas funções de organização do processo e se intromete no conteúdo da tarefa da equipa que faz os exames (que devem ser várias, porque cada disciplina exigirá um grupo dessa mesma disciplina) é que haja professores que colaborem nisso e manifestem uma falta de profissionalismo a toda a prova. Eu se fosse professora ficava mais preocupada com isso do que com o Ministério. Os ministros passam e os professores e o seu reconhecimento e valorização ficam
        Leonor, tome estes “bitaites” como dúvidas genuínas e não como afronta ou defesa seja do que for.

        :))

        1. Afronta, Maria? Credo, até cito o nosso querido Lino: vindas de si, Jamais!!!! 🙂
          Estamos só a conversar, claro.
          Sabe o que me irrita verdadeiramente? É que o GAVE não se meta mais no que toca a questões científicas e pedagógicas e inviabilize certos exames que têm erros e incorrecções ou outros que não cumprem os preceitos rigorosos da avaliação. Este ano, por exemplo, o exame de Português foi fácil o de Francês também, o de Biologia, pelo que ouvi, não é a minha área foi difícil e o de Alemão horrível. Este último conheço muito bem. E isto eu não entendo, como é que uns são fáceis, outros difíceis e outros assim assim. É uma injustiça. O que se quer é uma avaliação rigorosa e em consonância com os níveis de ensino e com os programas. Assim é muito mau e o GAVE só mostra a sua incompetência. Se as equipas que elaboram os exames são más, substituam-nas, tão simples quanto isso. Os alunos é que não podem andar ao sabor dos disparates do Ministério da Educação.

          1. Okay Leonor. De facto eu nunca viria aqui provocar ninguém. Por mim, por feitio e formação e porque seria uma injustiça para com todos do DO

            O que me diz, só reforça a minha preocupação com o desempenho das equipas de professores qu eelaboram as provas. Se houvesse uma indicação de facilitismo imposta “de cima”, então não haveria essa discrepância entre as várias provas. Continuo a pensar que as equipas deveriam saber um pouco mais de docimologia e exercer uma coisa que, nos professores me parece muito útil, porque é uma profissão que se exerce com base em princípios e não em leis: o bom senso.
            De qualquer modo, entendo que os organismos representantes da classe deveriam tentar esclarecer as coisas, convenientemente, doesse a quem doesse, de forma a salvaguardar o essencial.

          2. Concordo, Maria, as equipas deviam ser competentes e com formação. Não consigo entender, de forma alguma, como é que os exames saem assim e tem razão: a haver uma imposição de cima seria para todas as provas, se bem que também podemos ver as coisas por outro prisma. O número de alunos a realizar provas de Português é incomparavelmente maior do que os coitaditos que fazem Alemão, logo a probabilidade das queixas do Português é muito maior e do Alemão muito menor. Mas o problema é sempre o mesmo, falta docimologia , falta bom senso , falta formação.

        2. E já que comecei, refiro ainda outro aspecto:
          Essa coisa da curva de Gauss se aplicar ao resultado das aprendizagens dos alunos é a negação dos efeitos do processo ensino-aprendizagem. Exactamente porque o PEA não será para perpetuar o “natural” mas para o alterar levando cada aluno a aprender o que se entende como importante. Vejamos: se o PEA decorresse convenientemente, no final, quando muito, a curva seria em forma de Jota. O que não tornaria 90% uma percentagem assim tão absurda.

          1. Eu arriscaria outra explicação. As provas difíceis, fáceis ou assim-assim é coisa do acaso, incompetência, impreparação e pouca atenção do GAVE ou seja lá do que for.
            Cheira-me que as eventuais pressões estão canalizadas para o Português e Matemática. Porque são consideradas nucleares para efeitos vários, efeitos que incluem os números comparáveis do ‘ranking’ europeu ou algo do género. Este raciocínio serve para alguma coisa? É que, se o Português e a Matemática concentram as atenções gerais, por alguma razão há-de ser.

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