Conheci-o pessoalmente ainda nas instalações da Avenida Cinco de Outubro, por força da minha profissão, que tinha sido também a dele mas de cujo espírito nunca se apartou. Estávamos em campos opostos. Ele era então Provedor de Justiça e marcava a agenda. Eu tinha conhecimento do seu percurso cívico e político, tinha-o na conta de um jurista de excepção, de um democrata e de um homem sério. Ao contrário de outros, as vezes que com ele privei cimentaram essa ideia. Ao contrário de outros, não me desiludiu, e reconhecendo a importância do papel que em nome do meu constituinte desempenhava do outro lado da mesa, soube estar sempre acima das circunstâncias que o envolviam. E tratou-me, sendo eu um miúdo à beira dos trinta anos, com uma lhaneza, uma educação e uma lisura que não encontro em outros bem mais novos e com menos de um décimo do currículo que ele na altura já ostentava. Fará falta à família e aos amigos, sem dúvida. Mais ainda fará à cidadania, à advocacia e à política, onde são cada vez menos os homens e as mulheres que sabendo olhar para si e para os outros compreendem onde estão, sabem qual o seu papel e o que podemos esperar deles. Mesmo quando os outros não o reconhecem. Espero que a Provedoria de Justiça e os seus sucessores, tal como até agora têm feito, continuem a saber honrar a sua memória. Qualquer que seja a cor do poder. Ou do cão.
Menéres Pimentel
Sérgio de Almeida Correia,

Tratava-se de um homem do tempo em que a política ainda era entendida como uma actividade para se prestar serviço público e à qual se chegava com estatuto já feito no mundo real; não era portanto deste tempo de agora, do tempo dos arrivistas que estão na política para se servir, serem servidos e assim fazerem estatuto.
Paz à sua alma!