Memória de 4 de Dezembro


Rui Rocha,

Lembro-me de ser noite e de sair com o meu pai da Ordem da Trindade, onde a minha mãe estava internada. Passavam muitos carros a apitar, em direcção à Avenida dos Aliados, com pessoas a berrar, entusiasmadas, com bandeiras do Partido Comunista. Festejavam a morte de Sá Carneiro, umas horas antes, em Camarate. Alguns desses democratas ainda devem andar por aí a chorar baba e ranho pela morte do Fidel.

9 comentários em “Memória de 4 de Dezembro”

  1. Rui, penso que esses ainda não tinham ouvido Sá Carneiro, como se segue:

    A democracia económica postula a intervenção de todos na determinação dos modos e dos objectivos de produção, o predomínio do interesse público sobre os interesses privados, a intervenção do Estado na vida económica e a propriedade colectiva de determinados sectores produtivos; pressupõe ainda a intervenção dos trabalhadores na gestão das unidades de produção. A democracia social impõe que sejam assegurados efectivamente os direitos fundamentais de todos à saúde, à habitação, ao bem-estar e à segurança social; exige a abolição das distinções entre classes sociais diversas e a redistribuição dos rendimentos, pela utilização de uma fiscalidade justa e progressiva.

    Sá Carneiro sobre o capitalismo e a tecnocracia, “o poder é pertença de minorias compostas pelos detentores do grande capital e por membros da tecno-estrutura”

    1. Sá Carneiro assumia-se como social-democrata. Creio que o que transcreve não traz grande novidade, concorde-se ou não. Mas era isso mesmo: social e democrata. Dos comunistas não se pode dizer o mesmo.

  2. Sempre excelente. Agora já percebo melhor a sua veia de escrita. É do Porto. Parabens, não é que isso faça diferença, mas ajuda muito a clarear ideias.

  3. Tem razão, Rui: também me lembro dessas manifestações de regozijo pela morte de Sá Carneiro, por parte de apaniguados do PCP, Partido que ele combateu lealmente.

  4. Também vi na televisão grandes festejos em Miami pela morte de Fidel Castro.

    Acho sempre muito feio festejar a morte de alguém. Pode não se lamentar essa morte, mas festejá-la é repugnante.

  5. Lembro-me dos foguetes que ecoaram logo após o anúncio do acidente nas terras do Seixal…
    Diremos que eram outros tempos, mas lendo a hagiografia de Fidel compreendo que o PcP ficou cristalizado no tempo.

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