Percorro ruas e avenidas de Lisboa e vou-me lembrando dos cinemas que existiam ainda não há muitos anos espalhados pela cidade. Quase todos desapareceram já, devorados pelos novos hábitos de consumo, que nos mandam recolher a casa e olharmos a vida e os filmes pelo quadradinho da televisão.
Na Avenida de Berna, atrás da igreja, existiu em tempos o cinema Berna: abriu em 1970, com uma fita que fez um “estrondoso sucesso”, como então se dizia: Borsalino, com Jean-Paul Belmondo e Alain Delon. Outros tempos, outros hábitos: a filmografia francesa arrastava então multidões.
Outro cinema que teve inauguração com uma película falada em francês foi o Satélite, ali ao Saldanha, espécie de irmão mais novo do imponente Monumental. Coisas da Vida, assim se chamava a fita inaugural do Satélite, com Romy Schneider e Michel Piccoli. Esteve cerca de um ano em cartaz, algo impossível nos dias que correm. E havia o Apolo 70, ao Campo Pequeno: vi lá um dos filmes da minha vida: Apocalypse Now, de Francis Coppola.
No Império – outro cinema que fechou, situado na Alameda Afonso Henriques, vi em estreia Encontros Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg. Inesquecível.
Nostalgia e cinefilia são dois vocábulos que caminham a par: por mim, associo antigos cinemas de Lisboa a filmes que jamais passarão de moda. No Camões, perto da praça do mesmo nome, vi a Lolita, de Stanley Kubrick. No Caleidoscópio, em pleno jardim do Campo Grande, chorei a rir com Uma Noite na Ópera, dos Irmãos Marx e vibrei com Intriga Internacional, de Alfred Hitchcock.
Ligarei sempre o Berna a outro filme de Spielberg, Os Salteadores da Arca Perdida, e a uma película que na altura me encantou e jamais revi: Bem-Vindo, Mr. Chance, do malogrado Hal Ashby. No Satélite, vi A Regra do Jogo, de Jean Renoir. No Mundial (às Picoas), E Tudo o Vento Levou. No São Luiz (ao Chiado), vibrei com o Correspondente de Guerra, de Hitchcock. E recordo como se fosse hoje a Guerra das Estrelas, de George Lucas, em estreia no ecrã gigante do Monumental.
No Estúdio, sala associada ao Império, esteve em exibição durante mais de um ano uma fita do Botsuana que fez furor: Os Deuses Devem Estar Loucos. Não a perdi, claro. Nem Kramer Contra Kramer no City Cine (Picoas), Um Cadáver de Sobremesa no Terminal (em plena estação ferroviária do Rossio, outro enorme sucesso de bilheteira na estreia deste cinema, em 1976), o francês Uns e os Outros no Star (na Avenida Guerra Junqueiro), A Semente do Diabo no Xenon (na Avenida da Liberdade). Sem esquecer o mítico Quarteto, onde assisti a filmes atrás de filmes – do Expresso da Meia Noite (1978) até Babel (2006). Ou o Alfa (na Gago Coutinho), onde vi Os Pássaros, de Hitchcock. Sem esquecer o Estúdio 444, na Defensores de Chaves, o Roxy, na Almirante Reis, o Aviz e o Ávila, na Duque de Ávila (assisti lá, na habitual terceira fila a contar do ecrã, a Vontade Indómita, de King Vidor), o Castil, na Rua Castilho, o Turim, na Estrada de Benfica, o ABCine, no Largo da Alvalade, o Alvalade e o Roma, na Avenida de Roma, o Cine 222, na Avenida da Praia da Vitória, o Europa, em Campo de Ourique, o Cine ACSantos, na Avenida da Igreja (onde vi A Morte de um Apostador Chinês, de John Cassavetes).
E, claro, havia o Eden, nos Restauradores: recordo-me ali da estreia de um filme português em grande estilo, ao jeito de uma gala de Hollywood – A Vida É Bela?, de Luís Galvão Teles, com Nicolau Breyner no principal papel. Do outro lado da Avenida, era o Condes: vi lá Serenata à Chuva e A Rainha Africana, entre outros clássicos. Mais acima, o Tivoli (onde vi o Doutor Estranhoamor) e o São Jorge, vocacionado para produções britânicas (uma das últimas a que ali assisti foi O Paciente Inglês).
Destas salas que nos proporcionaram tantas horas de prazer restam muito poucas – o Londres, o King, o Nimas – e nada garante que não fechem muito em breve. Lisboa é uma cidade que preserva mal a sua memória. E que parece ter deixado de gostar de cinema. Agora o que está a dar são as pipocas.





Caramba, Pedro… devemo-nos ter cruzado algures numa dessas salas… sem pipocas.
Muito provavelmente, Mike. Hei-de voltar ao tema. Ainda houve dois ou três cinemas que deixei de fora. Um deles, que ficava ali ao pé da maternidade, não consigo lembrar-me como se chamava.
Cine city?
Esse, se bem me lembro, era na cave do Imaviz.
Nimas? mas acho que ainda existe.
O Nimas existe. Digo isso no último parágrafo.
Gostei tanto desta evocação! Frequentei esses cinemas todos, mas teria dificuldade em lembrar-me assim de repente de uma boa parte dos que referiu aqui.
Se se lembrar de mais algum, diga-me, Ana Duarte. Havia também ali um entre o Campo Pequeno e Entre Campos, numa transversal da Av da República, mas ainda não me lembrei do raio do nome desse cinema.
Beijinho
Olá
Em busca da lotação do Nimas… aqui cheguei!
Não resisti… 7ª Arte!
7ª arte, assim se chamava essa sala de cinema.
Estúdio 444
CINEMA Sétima Arte.
E havia, ainda, o Galo no mesmo edifício do ‘Eden’. E, na rua dos Sapateiros, logo, logo a seguir ao Arco, mesmo ao cantinho, o ‘Animatographo do Rossio´ que tinha a particularidade de ter lugares em pé no fim da plateia. E o bilhete, para estes lugares, era um carimbo na mão. E o Paris e o Europa em Campo de Ourique. E o Jardim Cinema na Álvares Cabral com as suas cadeiras de verga, qual esplanada.
O Animatographo acho que ainda existe, ou existia há pouco, só com filmes pornográficos em sessões contínuas. Não falei desse porque só falei dos cinemas que frequentei. O Paris ficou fora da lista também por esse motivo: está lá hoje uma ruina, é uma das inúmeras nódoas que persistem em Lisboa, cidade que trata tão mal o seu património cultural e os seus edifícios públicos. Do Jardim Cinema lembro-me do bilhar e dos matraquilhos…
Bom dia Pedro,
Belo passeio. Também já pensei fazer o mesmo. Até tirei fotos dos cinemas que já foram e como tenho antigos programas ( quando os havia ). Já postei sobre o Condes e o Paris.
Não me lembro é do nome do cinema que houve ali Guerra Junqueiro ( onde hoje é a Zara ).
A ver vamos se a preguiça é vencida.
Cumprimentos
Esse cinema era o Star. Vi lá muitos filmes: O Segredo de Fedora, de Billy Wilder, por exemplo. Bem confortável, por sinal. Hoje os cinemas têm muito mais conforto e muito melhores condições de imagem e som, mas estão quase sempre às moscas.
Pedro, depois de ler este impressionante regresso aos elegantes cinemas lisboetas, tenho pena de não ter vivido em Lisboa… Certamente que hoje teria uma clara preferência pela magia do cinema em grande écran.
E não esquecer que ir ao cinema também fazia parte de um outro convívio de amigos, passar pelo café, ou por esplanadas replectas… hábitos calorosos que nenhum centro comercial pode algum dia substituir…
Olá, Ana. Também me apetece escrever um dia destes sobre cinemas fora de Lisboa que também frequentei. Hei-de tratar disso.
Fizeste-me recuar aos anos 70.
Em representação institucional, do extinto Instituto dos Têxteis (quando ainda chegava muito algodão de Angola e Moçambique e a nossa indústria de fiação e tecelagem ainda importava algodão do Egipto e de outros países), avancei muitas vezes para a velha Feira Internacional de Lisboa (Filtêxtil, Filmoda, Intercasa, etc.). No final de cada uma, em lugar de apresentar um relatório, publicava um artigo para uma revista chamada ‘Folha Têxtil’.
De cada vez que ia à FIL, eram vários dias em Lisboa, sempre com algumas noites dedicadas ao cinema. Portanto, sem ser frequentador, conheci por dentro o Berna, Apolo 70, Império, São Luiz, Monumental, Quarteto, Alvalade, Roma, Eden, Condes, São Jorge…
Excelentes cinemas, com óptima programação, mais diversificada do que a actual. E havia ainda o circuito das reprises, onde podíamos ver clássicos do cinema, nomeadamente nos meses de Verão. Foi a minha verdadeira Cinemateca, durante anos.
Fiz isso no Porto Verões sem conta.
Bem, fica o desafio a ti e outra malta do Porto aqui do blogue para desfiarem também as vossas recordações cinéfilas. Sobre o Batalha, o Águia d’Ouro, etc, etc.
… E o Rivoli e o Coliseu do Porto (com o maior circo de Carnaval) e o São João, hoje rejuvenescidos e nobres. E os modestos e saudosos Nun’Álvares e Vale Formoso. E o do Marquês de Pombal (não me lembro do nome), ao ar livre! A seu tempo aqui se dará conta destes e de outros.
Espero que alguém, até que eu possa substituir a distância geográfica por alguns dados que preciso de juntar, vá começando.
Vivi em Lisboa de 1990 a 1997 e conheci o Mundial, o Terminal, os Alfas, o Cine ACSantos, o Quarteto (que nostalgia quando soube que tinha fechado…), o Condes (guardo uma imagem das cadeiras serem em medeira, será verdade?), o São Jorge (já dividido em três salas e com os filmes que me interessavam sempre nas salas laterais, o que me fazia chegar ao fim com um efeito especial no pescoço), o Nimas (o pessoal era todo constituido por senhoras) e o Londres. Guardo também na memória o Novencento de Bertolucci visto em duas sessões na Cinamateca das 18h às 00h, legendado em castelhano comigo sentado no corredor pois a sala estava lotada.
Além disso foi nos Shopings.
A nostalgia dos anos que já lá vão turvam-nos uma correcta comparação das realidades, mas vendo friamente a ida ao cinema era menos formatada, cada sala tinha um cheiro, cada cinema tinha um espirito diferente. As pipocas são deprimentes, não fosse gostarmos de cinema… não sei o que seria.
Tem toda a razão. A nostalgia é feita um pouco de tudo isso.
O Condes não tinha as cadeiras de madeira. Eram almofadadas, julgo que em azul. (ou laranja?)
O Condes era o verdadeiro wide screen de Lisboa, com casa cheia até ao seu encerramento. Uma das suas imagens de marca era também as portas de saída para a rua do Condes.
Um belo verão fechou para férias! Nunca mais reabriu. Apesar de ser um edificio classificado foi destruido numa história nunca esclarecida. Hoje resta a fachada, tal como no Éden, no outro lado dos restauradores.
Bem haja a IURD que adquiriu o Império e o mantém enquanto sala, para o qual ainda tenho esperança que seja recuperado enquanto cinema.
V. meteu-me em Lisboa no tempo de um post, obrigado. [colecciona(va) bilhetes de cinema?]
[no momumental – A Queda do Império Romano é o primeiro que me lembro lá, mas com toda a certeza não o primeiro que lá vi – ainda havia os dísticos a dizerem às senhoras para não usarem chapéu para não perturbarem a visão dos outros espectadores. Isto nos anos 70. E havia programas distribuídos]
Meu caro, eu é que agradeço as suas palavras.
Por acaso não coleccionava bilhetes de cinema dessa época, o que hoje lamento. O Monumental era o mais imponente cinema da Lisboa de então. Nunca nos esquecíamos do primeiro filme que lá víamos. No meu caso, foi o ‘Mary Poppins’, em reprise natalícia.
Boa noite, Pedro.
Infelizmente, não pude desfrutar de todas estas salas de cinema que foram abordadas neste post. Só tenho 30 anos e, exceptuando o São Jorge, nunca entrei em nehuma dessas antigas salas de cinema. Como disse e muito bem, Lisboa já não é o que era…perdeu imenso do seu historial arquitectónico, do seu charme. Agora não dá vontade de ir ao cinema porque vivemos na sociedade da pipoca e dos telemóveis.
Convido-o a ver o meu blog: http://cinemasparaiso.blogspot.com, onde faço uma pequena e humilde homenagem a estas belissimas salas que já desapareceram de Lisboa, mas não da memória dos lisboetas.
bom dia, eu ando a procura de um filme que passou no Cinema Berna há cerca de 30 anos, mas infelizmente o cinema já não existe. Gostaria que alguém me explica-se, se souberem, o que aconteceu com os filmes do cinema. Se foram destruídos , ou se estão guardados em alguma espécie de arquivo. Obrigado.
boa tarde, como resposta ao ricardo, também constumava frequentar o Cinema Berna, vi lá bons filmes como o Borsalino, o Soldado Azul, mas o que eu queria saber era a data de estreia do Soldado Azul nesse mesmo cinema, alguém me pode ajudar?
Havia um que pouca gente conhecia, mas que frequentei muito, o Cine-Pátria. Ia lá muita vez com o meu irmão, quando miúdos, pois além de ser perto da nossa casa, e por isso podermos ir a pé, também era mais barato – quase metade do preço dos outros. Ficava no Beato, a seguir à manutenção militar. Agora é uma agência de um banco. Geralmente passava filmes que já estavam fora do circuito dos outros cinemas, daí ser mais barato. Vi lá muitos dos filmes do Bruce Lee, assim como o clássico “Star Wars”. Lembro-me que no mesmo fim-de-semana vi o filme três vezes. Duas no sábado (tarde e noite) e uma no domingo (noite).
Quanto ao cinema com as cadeiras de madeira, não era o Condes, mas sim o Éden, na plateia. O meu primeiro filme no Condes foi o “Música no coração”, foi a primeira vez que fui a um dos grandes cinemas de Lisboa. Era miúdo, e foi uma experiência inolvidável! Mais tarde vi lá outros clássicos, como o “Sete noivas para sete irmãos”, “Return of the Jedi”, e outros. Voltei lá muitos anos depois, numa onde de saudosismo, aquando da reposição de todos os filmes da saga “Star Wars”. Não o devia ter feito, pois acabei por destruir aquela imagem que tinha de um cinema fabuloso… Sim, a imagem era grande, mas o som era terrível, parecia quase um rádio de pilhas…
Não podemos ser saudosistas. Somos um País demasiado pequeno para serem viáveis salas daquelas dimensões, até porque o ir ao cinema era “O programa”. Hoje em dia, já não, o ir ao cinema faz parte, daí a integração nas superfícies comerciais. Com isto, não quero dizer que concordo, mas aceito, faz parte da vida…
Parabens. Que excelente memória para os cinemas e filmes neles vistos. Eis o meu modestísimo contributo: as salas do KIng sucederam ao Vox que ardeu; havia 2 cinemas na Almirante Reis:um perto já do Martim Moniz que foi,depois, o teatro Laura Alves e o outro a meio da avenida-Pathé?. O Royal da Graça, o ???na Barão de SAbrosa, o ??? na cave do Eden, o ???na rua dos Sapateiros defachada arte nova,o ??? perto da Estrela que ameaça ruína.
Obrigado pelo seu contributo, João.
Fui um frequentador assíduo de alguns cinemas extintos, nomeadamente entre 1962-1975.
Estranho que algumas salas consideradas “populares” como o São Luís , Tivoli e São Jorge não sejam mencionadas. Acho que há neste fórum de discussão (recuso usar a palavra “blog” – It is not not British English ).
uma certa tendência intelectual (aquilo que, hoje em dia denominam como art-house “).
Para os cinéfilos portugueses que já se adaptaram à Informática gostaria de citar um facto que talvez desconheçam . No Site da IBDM (Internet Movie Database ) Portugal aparece muito frequentemente, como o primeiro Pais de Exibição. Tal não se deve apenas ao facto de, contrariamente aos maiores Países do “Continente” Europeu, excluindo as Ilhas Britânicas, termos sempre optado pela legendagem em vez da dobragem.
Para muitos como eu foi uma fonte de aprendizagem de mau Inglês o que foi corrigido por uma estadia de 18 meses nos USA. numa equipa de trabalho constituída maioritariamente por Europeus. Com os quais alinhei. e também com um Indiano que falava do melhor British English “.
Claro que o Cinema é a “Arte do Movimento”, tal como o Teatro é a “A arte da palavra”.
Acrescentaria que a Televisão é a “Arte da Estupidez”. Tal não deriva do meio Tanatológico em si, mas do uso que a Humanidade faz dele.
Não vi mencionarem o Monte – Carlo… tb era um cinema perto do Rato… onde nos anos 80 virou uma discoteca… Monte – Carlos e depois Loucuras…
Desse cinema não falei porque não o conheci. Mas gosto de saber que este texto aqui publicado há seis anos continua a suscitar comentários. Devo dizer que me deu um prazer enorme escrevê-lo pois ia recordando boas memórias à medida que alinhavava esses parágrafos.
E deixou-me também algo nostálgico. Com saudades de uma Lisboa que em larga medida já deixou de existir.
Só de ler isto, dá-me vontade de chorar. Vi todos esses filmes e frequentei todos esses cinemas. Como é que alguém, hoje em dia, vê filmes num computador??!!
Hoje em dia pouca gente dá um passo fora de casa, Manuela. Tudo “fica longe”.
E quase já não há filmes para ver. Só séries e mais séries e mais séries e mais séries.
Tem toda a razão mas, é pena!
Às vezes penso que, se voltasse a haver um cinema como o antigo Apolo 70, com um snack bar como havia dantes, talvez as pessoas aderissem a isso outra vez, não sei!
Eu, certamente, iria lá!
Gostava so de acrecentar que comecei a ver filmes aos 12 anos de idade e para tal os meus pais so me autorizavam a frequenter o Cine Oriente que ficava nas imedicoes de minha casa.
Com os anos a passarem eu devorei vorazmente tudo o que era cinema em Lisboa, por isso eu mencionarei mais uns poucos que foram esquecidos pelos nossos amigos blogers como o Olympia onde vi A Grande Evasao das 2 da tarde ate as 10 da noite pois eles repetiam o filme repetivamente.
depois vieram o Polyteama que agora e um teatro, o Rex que deu o lugar ao teatro Laura Alves, o Max na rua Barao de Sabrosa, antes de ser Pathe na Praca do Chile foi chamado Imperial, o Cinearte no Largo de Santos,o Promotora no Largo do Calvario, so nao me recordo onde estava situado o Vox e sei que havia mais dois cinemas que nao consigo recorder-me do nome, um era no Poco do Bispo e outro era um cinema pequeno no Chiado onde tive o prazer de ver Sete Dias em Maio com a belssima Ava Gardner.
E eu que frequentei o Jardim Cinema e que para os que lá iam todos os dias tinha outro nome “palhinhas”, morava eu na Calçada da Estrela e era minha segunda casa, cinema, bilhar, ping-pong, matraquilhos, tinha tudo.. falo dos anos 60 e 70.