1. É certo que esta notícia foi escrita n’ A Bola, mas isso não serve de desculpa. «Cynthia Nixon e a namorada festejam o nascimento de um filho» — diz o título. Mentira. Leia-se o que diz o texto completo.
«Cynthia Nixon, a ruiva Miranda de ‘Sexo e a Cidade’, foi mãe pela terceira vez, mas não da forma convencional. Há sete anos a namorar com a professora Christine Marinoni, foi esta quem deu à luz um rapaz.
Cynthia, 44 anos, assumiu há três anos ser lésbica, depois de um casamento com o fotógrafo Danny Mozes e de ter tido com este dois filhos, Samantha, 14 anos e Charles, 8.
Em 2004 assumiu o namoro com Christine, 43 anos. A paternidade da criança que o casal agora acolhe é desconhecida.»
Devem ter reparado que o texto diz que a senhora «foi mãe pela terceira vez», que namora com uma professora e que «foi esta quem deu à luz». Portanto, a professora é que foi mãe.
Esclarecido este caso de maternidade, restaria a Cynthia ficar com a paternidade! Mas parece que nem isso: não se sabe quem é o pai, mas ele existe e não deve chamar-se Cynthia…
2. Agora, à margem do disparate da notícia, aproveite-se para lembrar que a nossa língua não é anglo-saxónica. Escrever «Cynthia, 44 anos» pode parecer muito moderno, mas a forma correcta ainda continua a ser “Cynthia, de 44 anos” ou “com 44 anos”. Num texto tão curto, fazê-lo quatro vezes é inventar muito.
Tudo isto tresanda a jornalismo modernaço de meia-bola-e-força, não é?

Isto de de encher um jornal futeboleiro com o campeonato interrompido revela-se uma tarefa (h)ercúlea.
A sorte deles é haver lésbicas…
Sorte a deles, que não a minha…
É.
Já não basta serem cada vez piores no seu “core business” que é, enfim, a bola.
Metem-se nos fáit daivers e soa a manequim com tamancos e palas de burro.
Eheh…
Foi mãe no sentido legal.
No sentido biológico não, mas isso é irrelevante, na medida em que o pai biológico terá (suponho eu) abdicado dos seus poderes paternais, ou delegado esses poderes na Cynthia.
O que interessa é que, em termos legais, segundo a lei vigente, a Cynthia tem poderes maternais. É nesse sentido que se diz que ela é mãe.
A sério? Foi mãe no sentido legal? Isso em jornalismo é ilegal…
Moral da história: enquanto a Bola não voltar ao melhor que sabe fazer, não a leias.
Tiro e queda. Nunca mais.
Ler um jornal que pratica censura???? JAMAIS! (ler com sotaque frrrrancês)
Lido e relido. Jamais!
Já agora, João, não sei se (ou)viu na hora de almoço o TJ da TVI.
Parece que uma velha morreu há 9 anos. Pelo menos que andaram esse tempo todo à procura dela…
Foi encontrada morta na cozinha da sua casa, pelo novo proprietário que, comprando a fracção por 30 mil euros posta a leilão pelas Finanças à falta de pagamentos que de facto nunca mais se fizeram…
Isto é a história, de resto muito bem relatada na SIC também à hora de almoço.
A piada é que, na TVI, disseram que a velha – morta há 9 anos, dizem! – “ia completar 96 anos” por estes dias.
A juntar a isto, a velha vivia com um cão, do qual na TVI não falaram apesar de o mencionatem: nem se comeu o corpo eventualmente putrefacto ou se sobreviveu…
Moral da história: teremos em breve uma santa, pois não se sentiram cheiros nauseabundos no prédio, como era suposto serem de cadáveres, incluindo o do cão.
A TVI vai também no andor da beatificação.
p.s. – valeria a pena comparar a história contada na TVI e na SIC. É quase uma diferença do mundo de mortos-vivos para o da vida eterna… 🙂
Hoje não acompanhei, mas pode ser que ainda apanhe a coisa mais tarde. Nem quero imaginar…
A BOLA começou por perder o respeito pelo jornalismo e pela nossa língua (á medida que foram desaparecendo os grandes mestres do passado), passou a perder a vergonha para, agora, perder por completo o tino.
Já deixei de a ler o que em tempos foi a Bíblia há uns tempos!
Entendo perfeitamente.