
Já leio por aí encómios à “dignidade” de Pedro Nuno Santos, por ter assumido uma tal de “responsabilidade política” – nisso comparável e comparado ao falecido Jorge Coelho -, saudando-o por ter sido a real argamassa de uma saudável “geringonça”, homem de até ímpar sensibilidade social, patrióticos desígnios e nisto tudo augurando-lhe um futuro radioso quando regressado à ribalta do poder.
Quanto aos elogios subjectivos cada um fará os seus juízos. Mas há os objectivos: quando há 20 anos caiu a ponte de Entre-Rios, causando dezenas de mortos e uma comoção nacional, Jorge Coelho demitiu-se na hora, assumindo a tal “responsabilidade política” – a qual não era, evidentemente, pessoal ou executiva. Gostasse-se ou não do então ministro, foi um acto digno e, acima de tudo, Político (com maiúscula) – tão diferente do abjecto “não me faça rir” proferido por Costa quando, após dezenas de mortos nos incêndios de 2017 na sequência de inúmeras alterações no modus operandi do combate ao fogo florestal, lhe perguntaram se haveria responsabilidade política do governo naquela desgraça. Declarações que a amnésia da “bolha político-mediática” faz por enterrar bem fundo…
Enfim, o relevante agora é lembrar que Coelho reagiu de imediato sobre algo que, de facto, não tinha responsabilidades pessoais, apenas a tutela sobre os serviços de manutenção de infraestruturas rodoviárias. Já este “Pedro Nuno” não só tem efectivas responsabilidades executivas sobre a TAP, como as fez por engrandecer, tanto desabaratando os fundos públicos para isso. Como ficou dias após as notícias, esperando para onde iriam os ventos… Não há neste caso qualquer “dignidade” que possa vir a ser convocada num futuro, próximo ou distante. Foi um mau ministro, acumulou dislates, até pungentes, e compactuou com este regime de “castas”, “endogâmico” dizem-no, em que uma elite partidário-administrativa subdesenvolve o país e se apropria dos seus recursos. Aliás, é desse sistema “endogâmico” importante agente, propalado “homem do aparelho” do PS que o dizem… Portanto, este paleio da esquerda (o PS-MES e as franjas geringoncicas) que de imediato irrompe em sua defesa é apenas vil.
Mas de tudo isto sobra – já o dizem os comentadores – o triunfo do seu rival Medina, neste sprint de meio-fundo de delfins. Que parece querer sair incólume desta trapalhada. Não era ministro quando a senhora administradora (por sete meses) da TAP rescindiu com meio milhão no bolso, defende-se ele. E faz ainda frisar que a sua mulher, importante membro do gabinete jurídico da TAP, estava então em licença de parto nessa época, mais se defende ele…
Isto é espantoso, uma lenda para contar ao povo: a mulher de Medina é quadro jurídico relevante da TAP. Regressa ao trabalho após a sua licença de parto. De lá saíra há pouco uma administradora com a qual tem relações pessoais, e com uma forte indemnização – e decerto que devido a processos internos de confrontação (repito-me, para que se perceba, após sete meros meses de trabalho). Mas a Senhora Dra. Medina não toma conhecimento disso. Talvez seja verdade, mas é estranho sob o ponto de vista de competência profissional, pois nisso se denotando algo arredia aos assuntos da empresa… Passados meses o seu marido – que, tendo perdido o posto que lhe permitia denunciar militantes palestinos ou russos às autoridades israelitas e russas, passara a ministro – acolhe como sua secretária de Estado a tal amiga ex-administradora. E a mulher do ministro continuou sem saber de nada do que se passou e passa na sua empresa (estranho, sob o ponto de vista profissional) ou sem nada dizer ao marido ministro (estranhíssimo sob o ponto de vista pessoal).
Enfim, o que me parece é que há problemas de diálogo no casal. É uma coisa muito comum, dificuldades conjugais são quase universais. Algo que se não é combatido pode originar divórcios, desnecessários quantas vezes, dolorosos até. E prejudicando as crianças, em especial quando tão pequenas…

Em vez dos alemães a tremer, são os portugueses que tremem com este desgoverno de crianças ccom cartão partidário, tão cheios de bazófia como tão vazios de escrúpulos. Apesar de ter nascido em democracia cada vez tenho mais respeito pelos governantes de antes de abril.
A comissão de celebração dos 50 anos de nova gerência já vai tratar destes casos de descrentes e desapontados – “the beatings will continue until morale improves”, talvez.
Ou então mentem mais alto.
no caso do ps os seus santos foram todos canonizados.
e ainda dizem ‘que santos da casa não fazem milagres’
Resumindo , merdina foi o último a saber…
Ou nem sequer quis saber , sabe-se lá…
JSP
Que grande episódio do “House of Cards” isto dava (o original, da BBC). O Francis Urquhart tem um rival do partido. O rival nomeou uma senhora da terra dele para o CA de uma empresa pública falida; nem dois anos depois, autorizou que ela recebesse meio milhão de libras para sair do cargo; e, quatro meses depois, nomeou-a para o CA de outra empresa pública (praticamente, no mesmo sítio). Por coincidência, a mulher do Francis Urquhart era a directora jurídica da empresa pública falida e amiga da senhora, e ao saber da história, sendo quem é, disse ao marido “tu nomeia essa senhora tua Secretária de Estado, que, num mês, o teu rival salta do governo”. E, entre o Natal e o Ano Novo, o rival demite-se! BBC, roí-te de inveja, porque isto é ficção política da boa!
Uma “cautela” , de se lhe tirar o chapéu, a encabeçar um belo texto que espelha o quão desprezíveis são alguns políticos.
Maria
E o PR não faz a vontade ao PM, e assim ele não sai para a UE.
Parece que é preciso mais uns casos, o diabo agora não pega, para o PM sair por falta de condições e lá vai ele.
Se o JPT lá chegou que espera a comunicação social para fazer perguntas acerca de quem sabia o quê de quem.
José Gomes Ferreira, goze-se ou não com a sua obra literária, aprecio a sua vertente jornalística. Hoje, na SIC, referiu que os leasings dos aviões da TAP pagam rendas 20% acima do que o mercado pratica. A Princesa Fiona, amiga da esposa do referido bufo da embaixada Russa e não só, não fazia parte da garbosa equipa de gestão da TAP quando estes contratos foram celebrados, mas porque, entretanto, as suas funções a tal obrigaram, essa disparidade de valores ter-lhe-á passado pelos olhos. Se fosse bronca não teria reparado, mas como parece que bronca não será, um seu eventual olhar para o lado, combinado com uma pontual e azarada falha de voz, ter-lhe-á valido gorda indeminização acrescida de futuras prebendas dentro do piquinho da pirâmide, mesmo ao lado de onde jorram os euros espremidos aos remediados “ricos” desta rectangular herdade.
Por vontade dos visados, e isto é uma teoria minha, algumas coisas chegaram ao público. As contradições e o jogo da troca de culpas não precisa de ser combinada pois resulta apenas da natureza das coisas, e daí até que rebentassem mais uma vaga de demissões foi uma questão de tempo.
Eles querem sair do governo. António Costa quer ir para Europa. Não tem pachorra, nem quer desperdiçar o charme, a gerir o coice da subida de taxas de juros que aí vêm. Mar chão é para eles, sim senhor, mas quando as vagas engrossam, cumpra-se então a rotatividade democrática e avancem os fachos da direita. E assim se consubstancia a missão do PS.
Eles querem sair dali quanto antes. Dê por onde der. Se necessário for, o papagaio-mor será achincalhado e, se tal for necessário, até pontapeado em directo.
Eles querem sair dali e urgentemente. Não pode é ser por iniciativa própria, porque isso iria complicar-lhe a retórica futura. Têm de parecer que foram corridos e o timing é perfeito. As contas ainda não começaram a atrair moscas, mas isso é uma questão de tempo.
São uns bandidos quase perfeitos.
Medina, como preferido de Costa e seu aprendiz, só poderia fazer o que fez, isto é, fazer de conta que não sabia de nada. Afinal esta tática do desconhecimento quando se trata de casos tóxicos para a popularidade do sujeito, tem sido utilizada n vezes pelo Costa com resultados tão bons que lhe valeram uma maioria absoluta, porque haveria então Medina de não copiar o seu padrinho?? Querem líderes que assumem os erros e responsabilidades? Então esqueçam o Peiésse do dr Costa!
Elite partidário-administrativa? Lamento, mas esta não colhe. Essa dicotomia do nós e eles é centenária, várias vezes centenária. Por muito que custe, nós somos eles e eles somos nós. Com os resultados que estão à vista e que tudo indicia sejam cada vez piores.
Aplica-se aqui a pergunta feita por Nicodemus a Cristo: como pode um homem velho tornar a nascer?
É coisa para muito, muito longo tempo.
E que não venham com a treta do “não me resigno”: se se resignam ou não, o problema é deles. São já muitas as gerações que acreditaram poder dar volta a isto e falharam. A minha é a última ou penúltima. Venha a próxima.