Onde conseguimos arrumar a dor – apenas arrumar – e depois seguir adiante?
Acredito que é uma tarefa que só depende da inteligência.
Não direi que desprezo os piegas.
Mas digo que admiro a força racional dessa inteireza que nos leva a administrar a perda com a audacidade desconfortável da lucidez intacta. E o conforto humano das lágrimas privadas.
Sabemos que nunca mais nada voltará a crescer no lado que nos comeram. Mas fazemo-nos de novo à vida sem desculpas.
Talvez as mulheres aprendam este verbo por herança ancestral.
Esta é a minha pequena homenagem à Helena: sem disfarçar a satisfação que sinto quando as pessoas não me desiludem.
É tão raro. E tem um nome: exemplo.


Bela e merecida homenagem à nossa Helena, Laura.
É um dano ou é um privilégio ter de sofrer uma dor que também é pública? Deve ter um lado consolador, porque o eco conforta e reconhece. Mas também deve ser terrível pela exposição a que obriga, sem abrigo possível. Por isso mesmo, Pedro, é que se podia ter o redobrado direito de não ser exemplar… Mas foi.
Como tu e muitos de nós, também eu fui educada a fugir à pieguice e a não me refugiar em desculpas. Seguir sempre, porque a vida continua e cada um de nós não é o o centro do mundo. Mas há momentos em que isso é particularmente difícil, quase sobre-humano. Só os muito fortes o conseguem assim, com esta lucidez cheia de sensibilidade. Por isso o exemplo que a Helena nos dá é tão inspirador.
Fortaleza, Ana. Quase sobre-humana, mas fortaleza à medida dos humanos, ou daqueles que a têm seja por escola, seja por espírito. E talvez tudo isso junto…
Foi disso mesmo que eu gostei.
Gostei de ler.
Obrigada, querido amigo 🙂
Poderia haver um dicionário de emoções, porque cada um as administra como sabe e pode e a leitura destas coisas não é literal.
Uma coisa é certa: mesmo em Porugal, este país perigoso, jamais haverá um «acordo emotográfico» que reduza tudo à sua expressão mais simples…..