Mas ele confia em sondagens?


Sérgio de Almeida Correia,

O presidente da República, a fazer fé numa pequena notícia de ontem no Público, referiu ter informação de que os portugueses preferem a realização simultânea de eleições autárquicas e legislativas. Essa informação ter-lhe-á chegado de "sondagens que terão sido feitas". Tirando o pormenor do condicional, acredito que se fizessem mais umas sondagens os portugueses também manifestariam a sua preferência por um salário mínimo aí pelos € 2000 mensais e proclamariam que dois meses de férias pagas todos os anos seria o ideal para trocarem o Algarve pela Polinésia e não ficarem com problemas de jet lag. Certamente, como diz o Presidente, haverá mais argumentos, até para a realização de mais sondagens. Mas eu só gostava de perceber em que empresa de sondagens é que o Presidente confia e se isso é baratinho. Se ele tivesse a gentileza de mo dizer, então eu talvez pudesse encomendar uma sondagem, limitada é claro, para também saber se lá em casa me querem para líder do PS. Sempre ficaria com mais argumentos para disputar o lugar ao eng.º Sócrates sem correr o risco de ouvir piadas.

4 comentários em “Mas ele confia em sondagens?”

    1. Estou a ver que é partidário do Presidente passar a fazer uma sondagem antes de vetar uma lei e mandá-la para o TC . De um diz-se que governa por sondagens (e eu até posso concordar), o outro antes de decidir a data das eleições ouve os partidos e manda fazer uma sondagem. Será isto normal? Deveria dizê-lo? É procedimento constitucional? Se calhar é.

  1. Como já aqui referi, espero que o PR não marque as legislativas para o mesmo dia das autárquicas. Com ou sem sondagens. O problema não é as eleições ocorrerem no mesmo dia: é as campanhas serem feitas em simultâneo, o que prejudica(ria) as candidaturas autárquicas. Sobretudo as candidaturas alternativas aos actuais poderes municipais, que teriam muito menos espaço e tempo para expressarem as suas propostas, com quase todos os órgãos de informação concentrados nas legislativas.

  2. Cavaco Silva ficará nos anais da nossa Historia como o Presidente que preferia comentar as novas aquisições futebolísticas e empresariais, em vez de velar pela institucionalidade e qualidade da nossa democracia (vide casos PND/Madeira, BPN/Dias Loureiro). As mais recentes declarações a respeito da existência de supostas sondagens que aparentemente contrariam a vontade expressa da maioria dos partidos da assembleia (excepção do PSD), relativamente às datas das eleições legislativas e autárquicas, parecem resultar de ocultas e extraordinárias capacidades extra-sensoriais de Cavaco Silva, até então desconhecidas.

    Contudo a sua mais recente postura comporta elevados riscos para a qualidade da nossa democracia, com reflexos imediatos quer ao nível da figura do presidente quer na forma como decorreram as próximas campanhas eleitorais.

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