Percorro a pé o jardim do Campo Grande, ao fim da manhã, como tantas vezes gosto de fazer. De súbito, vejo caminhar a curta distância um homem alto, vestido de escuro, cabelos brancos. Tem um andar inconfundível. Digo para mim próprio: é Mário Soares. Aproximo-me dele. Caminha em passo estugado, vem da zona onde tem residência, dirige-se às imediações do metropolitano. Defronte da Biblioteca Nacional, vira para trás, prossegue a marcha em ritmo cadenciado e firme. Cruzo-me então com ele, cumprimento-o: “Como está, senhor Presidente?” Sorri, faz-me um aceno simpático e prossegue a sua marcha. Mais ninguém em redor nesta cidade despovoada num domingo soalheiro. É de algum modo a imagem do suave quotidiano português, nem sempre reflectido nas manchetes dos jornais. E também do próprio ex-Presidente da República, que sempre detestou escolta e segurança pessoal.


E parece que ao domingo continua a ser dia de uma boa feijoada e um belo tinto reserva.
É o que garantem fontes muito próximas.
Concordo que é um marco na historia portuguesa, pena que nem sempre tenha uma reforma sossegada.
Mas isso sou eu, que implico um pouco com as opiniões dele.
Também eu implico, Daniel. Mas este ‘post’ é apenas sobre a pessoa, não sobre as opiniões de MS. Num país em que todo o cão e todo o gato anda com aparato de segurança, este passeio descontraído e solitário de Mário Soares no jardim do Campo Grande pareceu-me bem. É de um senhor.
Mas deve ter almoçado sozinho, porque a drª Maria e o filho João almoçaram no Pau de Canela, na Praça das Flores, na mesa ao lado da minha…