Gosto das lojas do meu bairro porque lá se escarrapacha a minha cidade. Gosto do Albino mulato que encontra a paz numa dúzia de minis e lembra a Angola-paraíso que deixou para trás. Pelo-me pela Cassilda voz de bagaço, que criou a neta, enterrou o filho drogado e assistiu às escaras do pai entrevado – tudo ao mesmo tempo. E pela menina Maria, que nasceu onde mora em 1920, e vem comprar um rajá porque sente tonturas e precisa de açúcar. Joga-lhe o banco o merceeiro, manda-a serenar e encolhe o ombros, apontando à boca. A menina Maria, de cara esveiada, ignora a rodela que o gargalo pintou no beicinho encarquilhado. A menina Maria gosta da pinga, embirra com os euros, pergunta se “é fresco” e denuncia a caloteira que manda a filha, sabendo que à criança o Carlos jamais negaria a saca das carcaças que lhe hão-de matar o bicho.


à alma que me endireitou a Maria e pôs os respectivos tags, a minha gratidão!
Tudo fosse tão fácil de endireitar como a tua Maria escrita, ó vate lisboeta! 🙂
🙂 tankyou
Bonito. A Cassilda e a Maria julguei vê-las para os lados de São Miguel de Seide a escapulirem de um velho romance Camiliano.
ohohoh quase …
Gosto da crónica, gosto do título – e gostava de saber qual é o bairro.
Casal Ventoso/C.Ourique, Mª Pia
mas pode ser qq um 🙂
obrigada
Bem me parecia, Gui. Conheço bem.
nice place 😉 é tudo fresco