Não há Campeonato do Mundo de Futebol que não traga estrelas das competições passadas. No que está a decorrer agora já pude ver o dinamarquês Schmeichel, o alemão Lotthar Matthaus, o brasileiro Ronaldo (o “Fenómeno”) e os colombianos Higuita e Valderrama. E Maradona, claro. A fumar charuto em locais proibidos, a insultar adversários, a criticar opções dos treinadores ou a entrar em transe quando a Argentina marca um golo (ou a sofrer uma vertigem quando sofre outro), a estrela dos anos oitenta e campeão do México 86 está lá sempre.
Confesso que tenho pouca paciência para Maradona, para a impunidade dos seus actos e para a ideia que transmite de que pode fazer tudo e ainda assim é um injustiçado. Era o maior jogador do seu tempo, sim, e um dos maiores de sempre. Mas nunca vi Zidane ou Beckenbauer, tal como não via Eusébio e Cruyff, a fazer semelhantes figuras (Pélé é outro caso, diferente mas não necessariamente exemplar). Maradona critica tudo e todos, não raras vezes insultando, faz o que lhe dá na real gana, arma-se em entendido na matéria, quando como treinador se revelou um desastre, e para piorar as coisas ainda passa por moralista, quando as suas aventuras com a droga – não esquecendo que no seu último Mundial acabou afastado por doping – não o aconselhariam. Para mais, não se exime a exprimir as suas ideias políticas, que passam por usar tatuagens de Che Guevara, tendo sido visita frequente de Fidel Castro, ou por oferecer os préstimos a Nicolás Maduro, participando em comícios do protoditador venezuelano ou oferecendo-se como “soldado da revolução bolivariana” para “libertar a Venezuela e combater o imperialismo”, isso numa altura de fortíssima repressão do regime vigente, com visível desrespeito por pelo princípio da separação de poderes, e de uma crise económica generalizada. E como não podia deixar de ser há ainda as suas “opiniões” sobre a Guerra das Faklandsl/Malvinas, considerando que a Rainha Isabel II e o príncipe Carlos têm as mãos “tintas de sangue”; curiosamente, do tempo em que jogava, não se lhe conhecem grandes críticas à brutal junta militar que comandava a argentina e que deu origem ao conflito que seria o início do seu fim, e que só por isso haveria que dar elogios aos ingleses. Parece que finalmente Maradona culpou os militares pelo desastre dessa aventura. Foram precisos mais de trinta anos…
Tudo isso adorado por uma patética “igreja maradoniana”, com ritos em tudo semelhantes aos da igreja católica mas colocando o nome do antigo craque no lugar dos santos, assim como em Nápoles o seu culto concorre com o de S. Gennaro. As declarações, imagens e situações descritas podem ser vistas no filme Maradona por Kusturica, em que o realizador sérvio faz uma hagiografia ligeiramente envenenada ao argentino, aproveitando para fazer uma crítica ao ocidente.
Toda esta bajulação não é muito diferente da que é feita a boa parte das gentes das artes e das letras, que por mais barbaridades que digam e façam têm sempre uma desculpa, ou no mínimo vêm os seus actos ou declarações sempre atenuados. Se compararmos com os políticos, verificamos que a tolerância para com os primeiros é sempre muito maior, ou, no mínimo, gera sempre menos indignação, esse sentimento tão comum hoje em dia. Nunca percebi bem porquê. Quanto maior é a notoriedade do artista, do escritor ou do desportista maior é a sua responsabilidade. E a ideia estapafúrdia de que um escritor tem de ser um exemplo moral, e que a sua vida reflecte as ideias contidas na sua obra é uma infantilidade que tarda em passar. É a velha discussão do valor da obra Vs a vida pessoal dos seus autores. Artistas há que criaram obras intemporais e magníficas mas que tiveram vidas a todo o título miseráveis. O mesmo se aplica aos vultos literários, e claro está, aos desportistas. Não percebo nada de psicologia, mas a falta de distinção entre obra e autor parece-me dos comportamentos mais irracionais que imaginar se possa. E no entanto é algo tão comum que quase parece natural. Talvez não valha a pena admirarmo-nos com os panos quentes que são passados nestes casos. Maradona poderá sempre proferir barbaridades enquanto fuma em locais interditos e se oferece como “soldado da revolução” que terá sempre um culto qualquer a louvá-lo. Desde que não nos proíbam de os criticar já não é mau.


Concordo com Maradona em muitas coisas, nomeadamente a sua oposição ao imperialismo americano. No entanto condeno a 100% o gesto que ele fez aos jogadores nigerianos aquando do segundo golo da Argentina. Alguém que diz estar do lado dos mais desfavorecidos e contra o imperialismo não pode estar a fazer gestos menos próprios a jogadores africanos. Vergonhoso. Afinal Maradona é um reaccionário racista.
Vai para o alho!. Imperialismo americano????, vai ver a bosta em que tornou-se Venezuela, Argentina e caminho estão Colombia, Peru etc.!!!.
Todo por “remover” o imperialismo.
Debes ser um daqueles que anda no café da zona a criticar tudo a espera de receber o próximo RSI.
ADeus Besta.
Colômbia? Que eu saiba, os governantes das últimas décadas estão muito longe dos da vizinha Venezuela. E o mesmo posso dizer dos que actualmente governam a Argentina.
Não que os actuais governantes da Argentina sejam grande coisa, parece que por lá já se fartaram deles. E nem o Mercado impediu a derrota contra a França.
Tirando Perón os argentinos costumam fartar-se rapidamente de quem os governa.
Quando li o título, pensei “bolas, agora até a andam a meter nos assuntos da bola?!”
Expectante, quando atingi a última linha percebi que afinal estava escrito MaRAdona.
Subscrevo.
Maradona é o ícone típico da américa latina, e não só, pois representa o menino saído do bairro de lata capaz de conquistar o mundo com seus talentos. É olhando a realidade social que se percebe o que pode acontecer a alguém que, por sua condição, é catapultado para o estrelado; e usado por muitos.
No caso das Malvinas não foram chicos a perder a guerra. Foi o apoio dado pelo Chile que permitiu a vitória inglesa. A prova disto foi quando os radares chilenos ficaram temporariamente inoperáveis e permitiram que a Força Aérea da Argentina, apoiada com armamento israelita, provocasse o desastre que provocou com seus ataques.
Sem o Chile o UK não teria vencido. Mas as Malvinas não são baralho descartado para a Argentina. Um dia escutará sobre esta realidade.
Um grande exemplo sem dúvida.
Cocaína e golos com a mão não a dele claro… a de Deus 🙊 😇
Não escrevi sobre exemplos, Kika. E sobre a mão de Deus: os médicos são para os que estão enfermos.
Médicos ? Sim, o problema é que não fazem milagres
Pois, o seu exemplo basta. A fé move montanhas. Quem não a tem fica parado.
E quem não tem fé e anda sempre em movimento ?
Existem os médicos. Fiquei esclarecida .
( não leve a mal… não é falta de médico , simplesmente uma hora tardia).
“No caso das Malvinas não foram chicos a perder a guerra. Foi o apoio dado pelo Chile que permitiu a vitória inglesa.
A prova disto foi quando os radares chilenos ficaram temporariamente inoperáveis e permitiram que a Força Aérea da Argentina, apoiada com armamento israelita, provocasse o desastre que provocou com seus ataques. “
Que tal olhar para o mapa para começar em vez de dizer asneiras desse calibre.
Depois não percebe nada do combate aeronaval e do que se passou no Atlântico Sul como se navios Britânicos não tivessem radar e não existissem Harriers com radar…
As bombas empregues pelos Argentinos eram Inglesas na sua maioria e os mísseis Exocet(em reduzido número) e rockets eram Franceses.
O facto é que marinha Britânica estava estupidamente preparada só para combate anti-submarino, logo as defesas AA eram más, o míssil Seawolf ainda estava entrar em serviço e mesmo assim ainda tiveram sorte com as espoletas das bombas argentinas…
Você deve ter lido umas tretas num site de esquerda e pronto…sai o habitual.
Você, lucky, e mais uma(s) das suas anormalidades. Dar-lhe conversa nesta matéria seria segui-lo nesta condição. Já contemporizei demasiado com tanta estupidez.
Não que o Vento seja propriamente um exemplo nos seus comentários mas até um relógio parado está certo duas vezes por dia.
Grato pela atenção. Verifico que também acerta o seu pelo mesmo fuso.
Mais uma vez sem resposta Vento.
O Chile teve muita importância estratégica para a vitória inglesa, mas estou convencido que, com mais dificuldade, venceriam na mesma. A argentina estava bem armada, mas os efectivos eram constituídos em grande parte por jovens sem qualquer experiência de guerra e sem qualquer preparação, em comparação com os soldados britânicos, muito mais experientes.
Aconteceu algo a um comentário que fiz a este seu comentário. João, não se pretende retirar valor aos ingleses. A questão substantiva, para além da que referi, passa também por descoordenação entre as forças militares argentinas. Repare que a FAA (Força Aérea Argentina) entra em campo praticamente no final, já depois que estava quase garantida a “testa de praia” que levou as tropas britânicas até Port Stanley. É tema que não vou aprofundar.
O Chile, os satélites americanos e os sidewinder fornecidos pelos americanos foram determinantes nesta vitória.
Não foram os chicos que perderam a guerra. Esta questão é um dislate de Maradona, que é aproveitado por uns e por outros.
Por último, o parlamento britânico decidiu manter selado por 100 anos a questão das Malvinas. E eles sabem porquê. Mas o que também se sabe é que o General Batista Figueiredo deixou claro a Reagan que se os ingleses avançassem com alguns de seus intentos em território americano, o Brasil entraria no samba ao lado da argentina. E isto fez para o UK em seus intentos.
As Malvinas serão uma carta que um dia será jogada, e o UK perderá a bem ou a mal. Prefiro que seja a bem.
“O Chile teve muita importância estratégica para a vitória inglesa”
Não . Foram os Ingleses e os falhanços Argentinos.
A maior influência em toda a guerra foi afundamento do ex.cruzador americano pelo submarino Britânico. Colocou a marinha Argentina nos portos.
Falhanços argentinos: não aumentar a pista das Falklands, logo só aviões ligeiros poderiam levantar, espoletas de bombas que não funcionaram -ou seja mau treino – tudo isto num contexto em que os Britânicos estupidamente acreditavam demasiado nos mísseis não tendo nenhuma peça de jeito anti aérea.
Muito mais aviões Argentinos teriam sido destruídos se os navios Britânicos tivessem armados como na segunda grande guerra.
E os Britânicos poderiam ter sido derrotados se os Argentinos tivessem bombas que funcionassem.
Influência tiveram os EUA, com o Vento a finalmente a mudar a táctica e a falar de Sidewinders. Claro ao falar de Sidewinders assim pois a marinha Inglesa já tinha Sidewinders…all aspect…all aspect.
Sim, mas isso também corrobora o meu comentário de que os soldados argentinos não estavam devidamente preparados para um conflito deste calibre. Aquilo era uma prova de força do regime militar que se revelou um tiro saído pela culatra, felizmente. Duvido muito que os britânicos tivessem avançado para o continente, salvo para uma qualquer acção de retaliação se a Argentina lançasse novos ataques. O objectivo era só um. E também duvido que tão cedo as pretensões argentinas sejam atendidas. Não há grandes argumentos no direito internacional em que se possam apoiar – a contiguidade cede perante a autodeterminação dos habitantes das ilhas. Até porque a prazo não compensará tanto explorar o petróleo da zona (ignoro se há outras riquezas naturais e qual a área territorial das ilhas).
O Chile não se limitou a apoiar com os radares. Fez deslocar tropas para a fronteira e a Argentina também moveu soldados e aviões para qualquer eventualidade. Foi a chamada manobra de diversão. Esta deslocação da aviação também permitiu um melhor controlo do uso dos aviões, pois os radares chilenos seguiam as rotas desde o levantamento e informavam os britânicos em tempo real.
Os britânicos jamais avançariam em força para o continente. Mas há operações que podem ser feitas sem um exército no continente.
Nós, Portugal, fizemos a chamada “operação Mar Verde” em 1970 na República da Guiné, um Estado Soberano, e saímos de lá com os prisioneiros feitos pelo PAIGC e com vários alvos conseguidos. Esta operação ainda hoje é desconhecida na sua totalidade devido ao segredo imposto a todos quantos nela participaram. Alpoim Calvão já morreu e Spínola também.
A descoordenação não significa impreparação. Significa antes que as unidades de comando operavam quase que isoladamente. Cada uma tinha o seu quintal.
Foi exactamente isto que fez a Argentina perder a guerra das Malvinas. Imagine um soldado preparado para combate com um comando impreparado. O problema não é e não será o petróleo.
Maradona,Mundial, Falklands. ….salganhada que para aqui vai. Até parece um artigo sobre a Teoria do Caos.
Pois, mas olhe que tem tudo a ver uns com os outros. E nem sequer falei no jogo da “mão de Deus”.
Um cérebro em papa…
O meTadona…….
Depois de fazer uma linha branca do campo, a lateral, é a mais comprida, fica assim…. Nada de novo. O único átomo de inteligencia que lhe resta, está branco!
Acho que estão a dar demasiada importância a este senhor (Maradona),
porque com idiotas e ignorantes como ele não vale a pena perder tempo.
O “idiota e ignorante” é, goste-se dele ou não, um dos melhores jogadores de futebol de sempre. Já você é mais um anónimo.
Inteiramente de acordo com o retrato q faz de Maradona. Q não é exemplo para ninguém. Q tem tido manifestações públicas absolutamente degradantes e inaceitáveis (haja em vista a forma acintosa como se põe a fumar junto de um cartaz q proíbe o fumo). Q tem beneficiado de um estado de impunidade absolutamente inaceitável, até por parte das autoridades, Outro q fosse teria já andado às voltas com a Justiça por tantas e tantas vezes ter desobedecido e prevaricado as leis e ter insultado e ameaçado, com palavras e gestos, tudo e todos. A criatura, pensa q pelo facto de ter sido apodado como grande no futebol, pode injuriar toda a gente. Aliás, um homem que se preza não deixa q lhe ergam altares. Isso só mostra a fragilidade e a pequenez da personagem. E o lado “esquerdino” da pessoa tb cai por terra qdo se passeia em carros e vivendas de luxo, ostentando joias (de mau gosto, diga-se) e qdo não respeita quem lhe faz frente. A esquerdice e as preocupações sociais são só 31 de boca.
Um artigo brilhante.
Se Maradona fosse norte-americano seria presidente.
Melhor comentário.
Deixem a Madona em paz. Quanto ao resto só os atura quem quer.
Maradona é um entre tantos que, qdo a fama chega, pensa q pode fazer tudo e mais um par de botas e sair impune. E depois é labreguice atrás de labreguice, parolice atrás de parolice. É o novo riquismo de gente que não soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe deu para se elevar cultural e socialmente. Maradona podia ter aprendido tanto e não aprendeu nada no que a valores humanos diz respeito. Antes pelo contrário, só ganhou arrogância, soberba, pedantismo e má educação. Foi pena!
Maradona por Kusturika ou “Maradona por Kusturica”?
Escreve-se “Kusturica” e lê-se Cuceturitsa.
Obrigado pelo reparo. Já está corrigido.
Porque é que esse grunho não vai aos USA? Sabe que vai logo de cana. Por isso, porque é execrável, junta-se aos seus semelhantes (Maduro, Fidel, etc.).