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Há alguns séculos no leste do Mediterrâneo contavam-se inúmeras histórias populares. Para fixar e preservar essa oratura, ou folclore como também foi chamado, foi constituído o primeiro Centro de Estudos Etnográficos e Filológicos da história. Ficou conhecido como HOMERO (um acrónimo, ao que julgo saber).
Uma das histórias que esses etnógrafos recolheram foi a do herói – ou seja, bastardo de deus – Aquiles. Um tipo fora a casa de outro e fugira com a “mulher do dono”. Há quem diga que foi um “rapto de mulher”, qual sabina, outros – mais românticos – acreditam que foi coisa d’amor, pouco importa. Os amigos do dono juntaram-se e, em bando, foram recuperá-la. Não foi um coisa tipo KKK, pois apesar do atrevido viver na Ásia não era cigano. Nem preto. Foi muito mais uma cena de “padrinhos”, que um chefe não rouba a mulher do outro, é isso a honra …
Quando lá chegaram houve zanga, e grave: Aquiles era o nº 1 do ranking, o MVP da equipa, e por isso carregava a nº 10. Mas ainda assim o treinador, pois o “capo del tutti capi”, Agamemnon de seu nome, roubou-lhe a escrava que ele usava sexualmente (nem o dr. Ba nem a Comissão da Condição Feminina têm abordado a situação com a atenção devida …). Indignado, Aquiles amuou e recusou-se a ir a jogo. Cumpriram-se várias jornadas da competição e o torneio estava a correr mal aos forasteiros, desprovidos do seu astro. Então promoveram um sub-23, prometedor, deram-lhe a tal camisola 10 e a titularidade. Correu mal. Ao saber daquilo, do junior desgraçado, Aquiles caiu em fúria excessiva – logo tablóides aventaram, e ainda aventam pois sempre em busca de escândalos, que ambos eram LGBT, e isso apesar de toda a bronca devida à escrava sexual. Mas tablóide é tablóide.
Enfim, tão irado ficou o campeão que saiu à liça, teve uma entrada assassina sobre o capitão adversário, devastando-o de tal modo, completamente “à margem das leis”, que o treinador adversário, condoído, entrou em campo a pedir calma.
(É certo que depois as coisas não vieram a correr bem a Aquiles. Pois num torneio posterior um tal de Erínea, ou terá sido o Nemésis, não sei bem, fez-lhe uma entrada venenosa ao calcanhar, tão grave que lhe acabou a carreira, de modo precoce).
A história ficou. E este é o modelo de herói que seguimos, e tanto amamos, há muito tempo. Nós os pérfidos “ocidentais”, netos daquela Grécia. E muitos outros (atrevidos na “apropriação cultural” que desavergonhadamente fazem). Herói pois caprichoso, abusador, furioso, glorioso. Excessivo! E interrompido, breve, pois derrotado após um (in)findável ciclo de vitórias. Nisso tudo Semi-Deus. Frágil nisso, para além da Ética.
A ele regresso sempre. Mais agora quando vejo tanto rato de sacristia resmungar contra o nada-exemplar Maradona, pois nada molde de bom pai de família, de honesto pároco ou de recto professor. Pobre gente que nada percebe. Dos homens. E, mais do que tudo, dos deuses e seus bastardos …
Aqui deixo Maradona no Argentina-Bélgica no campeonato do Mundo de 1986. Há quem perceba … E quem não possa perceber.

Enquanto ajudo a filha com um trabalho de mitologia tento explicar-lhe que os deuses gregos, na sua dividande, eram imperfeitos e que mimetizavam as qualidades e defeitos do ser humano.
Maradona é isso mesmo, um Deus cheio de imperfeições.
O maior defeito dele foi cair no vício, a maior virtude foi assumir o defeito. Uma espécie de fatalismo. Tinha que ser assim.
Grande foto. O ex-coach do SCP à frente, tentando derrubar o Astro. Histórias do desporto, grandes equipas e selecções que nada venceram porque tiveram o azar de apanhar um invencível pela frente. Essa era uma equipa notável, comandada pelo subvalorizado Scifo, e que tinha um conjunto de jogadores excepcional.
Eram 6 e não chegaram.
A imagem é do jogo de abertura de 1982.
E , sem mais nem menos, vá lá saber-se porquê, vem-me à ideia Mané Garrincha, ” a alegria do povo”.
Coisas da (muita) idade, sem dúvida…
JSP
Olha o Vercauteren ali à frente: um rapaz muito azarado na breve passagem pelo Sporting.
Curiosamente a Argentina perdeu este jogo frente à Bélgica no Mundial de Espanha (1982). Mesmo tendo no onze titular vários campeões mundiais de 1978, como Ardiles, Kempes, Bertoni e Tarantini.
tens razão, é de 1982. E a Bélgica então revolucionou a táctica do defender através do fora-de-jogo, que despedaçou as estratégias alheias (protegida contra a URSS pela arbitragem, mas isso são contas de outro rosário)
https://www.the42.ie/diego-maradona-pict ure-938745-Jun2014/
Eis a história
Anonimus obrigado pela história da foto, um artigo interessante. De facto a foto é obviamente icónica: quem percebe um mínimo de futebol logo percebe que se trata de um desmanchar de uma barreira, que não é o pelotão belga em busca do astro solitário argentino. Mas é essa a beleza da imagem, representa muito mais do que aquilo que fotografa.
URSS essa que ficaria de fora do Mundial de 1986 por uma batotice de um tal Chalana, validado por um árbitro (sem VAR, na altura).
Enfim, estivemos no Mundial de 1986 por erros de arbitragem mas se calhar tinha sido melhor termos assistido pela televisão, sem Saltillos.
Pedro Oliveira não é bem assim. A qualificação foi para o Euro-84, de boa memória. Levámos sova em Moscovo e depois ganhou-se -o em casa. Não se tratou de batota de Chalana – mas sim de uma enorme jogada com falta junto à linha da grande área. Sim, não teria sido penaltie hoje em dia, com VAR, mas daí a batota … (e não valerá a pena chorar muito pela selecção da URSS: sim, foi prejudicada neste apuramento e foi assaltado nas eliminatórias em jogo com a Bélgica. Mas a URSS roubava tanto no desporto de então, entre jogos olimpicos e restantes, na indústria do doping, que … azar o deles. Apesar de terem uma belissima equipa) O Chalana está aqui: https://www.youtube.com/watch?v=c0PdTYm 8PDg
Eliminados pelos colegas da Polónia.
Lato, Boniek e Smolarek. E o Redes do Porto(?).
Tive de pesquisar, nem lembrava do formato marado do torneio.
Os mundiais não valem um chavelho do que valeram. Gostemos ou não, a carga política das competições davam outra piada.
Ok.
Estamos de acordo.
Sabia que Portugal tinha afastado, ilegalmente, a URSS de uma competição internacional (não fui pesquisar qual).
Houve batota de Chalana?
Houve.
Pesquisando no arquivo do “és a nossa fé” encontramos a história de um jogador do Sporting que foi dizer a um árbitro: ” Senhor árbitro, enganou-se, o jogador do Benfica não fez falta”. O árbitro anulou a decisão.
Para quem acredita na ginga, na “mão de deus”, na sacanice etc; o miúdo do Sporting fez mal, o puto do Benfica que chore, marcou, está marcado.
Para quem acredita na verdade desportiva, o menino do Sporting fez bem em falar, Chalana fez mal em não dizer ao árbitro uma coisa simples e verdadeira; “sr. árbitro a falta foi fora da área”.
comentei demasiado rápido. A URSS foi prejudicada no jogo dos oitavos-de-final com a Bélgica (Que julgo então ser treinada pelo Goethals) do mundial de 1986. Em 1984, claro, foi eliminada na fase de qualificação.
Caro jpt,
O lance que referi foi, de facto, no apuramento para o europeu de 1984.
De boa memória, sim.
Destaco Chalanix, que iria para o Bordéus e Jordão o avançado com o número três nas costas.