Manuel António Pina


Patrícia Reis,

É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo “eu” entre nós e nós?

in “Como se desenha uma casa” (2011)

3 comentários em “Manuel António Pina”

  1. Comprei o conjunto da sua obra poética pouco depois de ter falecido, e ainda estou para ler um único poema. Mas achei a novela ‘Os Papéis de K.’ uma pequena maravilha assombrosa.

      1. Para mim não é uma questão de tempo, é de escolha, tenho tanto para ler, a minha última algara à Feira do Livro deixou-me com uma carrada de livros à qual não consigo dar vazão. Tenho Torga, Manuel Alegre, Ruy Belo, Fiama , e há pouco tempo descobri que a poesia de Jorge de Sena finalmente foi republicada pela Guimarães, ou seja mais um para comprar em Maio.

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