Manicómio em autogestão


Pedro Correia,

Dez dias depois do referendo que convocou para dizer “não” à austeridade, obtendo quase 62% nas urnas, Alexis Pirro Tsipras fez há minutos aprovar no Parlamento grego um documento que impõe à Grécia um pacote austeritário muito mais severo. Esse pacote, em que o próprio Tsipras diz não acreditar, corresponde à terceira intervenção financeira externa de emergência no país e foi validado por 229 votos favoráveis, com apenas 64 contra e seis abstenções. Resumindo e abreviando: o “não” de 5 de Julho passa a “sim” a 15 de Julho com o aval de 79% dos deputados. O primeiro-ministro obteve mais apoio da oposição do que dos parlamentares que só em teoria apoiam o Governo.

Por estes dias, a Grécia parece um manicómio em autogestão. Como se dizia do velho Portugal revolucionário de 1975.

0 comentários em “Manicómio em autogestão”

  1. Resumindo e concluindo, a UE, Eurogrupo, BCE e a Alemanha, no alto do seu pedestal fazem dos gregos umas marionetes. Gozam, humilham e enclausuram os gregos no impossível. Não se faz e quem semeia ventos colhe tempestades.

    1. E os gregos, a abarrotar de orgulho, apavorados com a mera hipótese de voltarem ao Dracma. Não te cures, não.

        1. Argumentos completamente idiotas são característicos de quem está precisado. Estás a abarrotar de cagufa de voltares ao Escudo, orgulho tens da goela para fora.

          1. Eu também acho! Tchiii….este que toma comprimidos porque vai ao psiquiatra, quer mandar os outros para o psiquiatra, para também tomarem comprimidos. Fala em goela, camufla, idiotas. Este é dos bons, fala bem!… Eu gosto deste!

    2. Quem semeia ventos colhe tempestades. Exactamente. Quem proclamou “a austeridade terminou” e “não reconhecemos mais a tróica” já está a colher as tempestades.

      1. Pelo que vejo e muito me assusta, é o não se querer ajudar um povo. Quer-se arrastar esse povo para onde? Chega de estar sempre a acusar os que não tiveram culpa da situação da Grécia e a ilibar os prevaricadores. Mas afinal que sociedade quer? Será que deseja que o povo grego morra lentamente ou quer o bem desse povo? Pelo que leio deduzo, não lhe interessam os gregos, como se os coitados tivessem culpa. Não vá por aí e pense nos que sofrem. Lembre-se daqueles que sofrem, nos hospitais, sem medicamentos, sem médicos e sem esperança. Vi que é sensível a este sofrimento.

        1. Os que mandaram disfarçar e esconder as piscinas também devem estar a sofrer imenso, com o calor que vai lá pela Grécia. Coitados.

          1. Esses são iguais aos de cá. Iguaizinhos e nunca ninguém lhes pega porque será? Cá para mim, as leis na Grécia, foram feitas como cá. De certeza absoluta.

          2. Olhe que não, olhe que não. Por cá não há 50% de portugueses a viver dos circuitos da “economia informal”. Nem há mais de 60% das pessoas a fugir aos impostos.

          3. Então não vive no mesmo Portugal que o resto dos portugueses. Eles não fogem, raspam-se de mansinho para passarem despercebidos.

          4. Já o PM grego e a sua delegação “raspam-se” para os hotéis de luxo em Bruxelas;
            «The Greek delegation is staying at The Hotel, where rooms go for €300 to €500 a night. The hotel off Avenue Louise has served as host to U.S. President Barack Obama and claims to have the best views in town.»
            E viajam em avião exclusivo do Governo – pago pelo erário público com dinheiro que não há – enquanto os ministros dos países mais ricos, como o austríaco, seguem a bordo das rotas comerciais como qualquer cidadão, o que é normal, visto haver vários voos diários entre Bruxelas e as restantes capitais europeias.
            Leia, se quiser:
            http://www.politico.eu/article/eu-slams-greece-waste-of-time-debt-default/

          5. Claro, aqueles gregos vivem à grande e à francesa, deviam de dormir era na pensão lá do sítio e andar num avião de carga.

          6. Os nossos também. O nosso Presidente anda sempre a passear carregado de convidados, “por acaso” sempre os mesmos e nós pagamos, isto, para não falar nos guarda-costas e da polícia ao serviço deles nas férias.

          7. Pode começar já. A defender o regresso ao escudo enquanto aqueles que pensam como você defendem lá o regresso ao dracma. Acabavam com o euro e instituiam o escudracma, nova “moeda única”.

    3. Foi-lhes oferecido um haircut e assistência humanitária fora da zona euro, com pleno direito de readmissão.

      Obviamente, ambas as alternativas (ficar ou sair) têm condicionantes.
      Mas a opção de ficar é grega.

  2. No Marxismo é tudo possível, e o seu contrário também.
    O Newspeak leva a Newacts.
    Quem tem o poder define o que é revolucionário e o que é contra-revolucionário.

    Há 10 dias votar contra o acordo era correcto hoje é correcto votar a favor.

    Fica claro que quando meteram à frente do Tsipras : cumpres ou sais do Euro. Ele não acreditou na Grécia.

  3. Só acredita na execução do duríssimo plano de austeridade quem quer. Nem Tsipras, nem os gregos nem ninguém acredita nisso.
    Na semana que antecedeu o referendo estive dois dias em Atenas e um taxista disse-me que ter o euro como moeda era como ter uma amante fantástica mas financeiramente muito exigente. Ele achava de a relação devia terminar e preferia a Grécia fora do euro do que manter um namoro insustentável, alimentado por dinheiro dos outros.
    Dentro de algum tempo o Grexit voltará a ser assunto e então será inevitável.
    Os próximos anos serão difíceis para o gregos em qualquer dos cenários e adiar o inadiável mostra como a Europa está a navegar à vista.
    Apesar disto sou dos acredito que o projecto europeu está a viver mais umas das suas imensas crises, da qual saberá sair, pois no fundo nenhum europeu de Lisboa a Helsínquia nem de Atenas a Dublin aceita o regresso ao equilíbrio de forças. Todos nos revemos nos valores europeus da democracia e da liberdade, embora poucos se revejam nas instituições europeias.

    1. Revejo-me no essencial das suas linhas, Paulo. Fazem falta mais vozes moderadas a debater a questão da Grécia. O realismo político de Tsipras – surgido na 25ª hora e após a convocação de um plebiscito referendário que se tornou letra morta em sete dias – é bem a prova disso.

      1. Pedro:
        O problema em causa será apenas realismo político?
        Antes do Syriza não faltou realismo político (e submissão política à UE) e que resultados teve?
        Fosse esse o real problema e estava ao alcance do voto do eleitorado, que não é tão estúpido como às vezes alguns nos querem fazer crer.
        O principal problema (independentemente dos 50% de responsabilidade dos gregos em terem gasto e dos 50% de responsabilidade dos financiadores em terem emprestado) está na arquitectura do euro e dos mecanismos europeus essenciais à moeda única: geradores de afastamento, não de aproximação do desenvolvimento das economias dos países.
        É muito interessante ver a evolução do PIB e do PNB alemão, por exemplo, desde a crise.
        E isso foi detectado e denunciado há muito, perante o silêncio (ou incompetência ou emissão dos responsáveis para resolverem a situação) dos que se escandalizam agora com os resultados de tamanha disfuncionalidade.
        Em vez disso receitam a chapa 5 do costume: cortes aos de baixo, vara larga aos de cima para todos os esquemas possíveis de acumulação escandalosa de riqueza.
        Os relatórios de instituições internacionais (fiáveis e verificáveis) não param de mostrar a acentuação da tendência de aumento da riqueza das elites e de empobrecimento das classes medias e por aí abaixo (isto no mundo ocidental), tendência que se reproduz dentro da UE entre países ricos e pobres.

        1. Pedro:
          Por uma falha técnica, o meu comentário anterior saiu como sendo de um Anónimo.
          Como gosto de assumir o que escrevo, aqui vai a correcção.

          1. M. S. , antes do Syriza a Grécia registava um saldo primário positivo, cresceu 0,8% em 2014 e segundo a Comissão Europeia iria crescer 2,5% em 2015.
            Depois do Syriza tem uma expectativa de recessão para este ano que pode chegar a -4%.

        2. Nunca ninguém negou, os alemães foram os primeiros a dizer, que a arquitectura do Euro é deficitária e deficiente, afinal esta não está assente numa verdadeira união económica monetária.
          O afastamento entre economias existe, mas nada pode escamotear o facto de relativamente a esses países:

          1) os países odiarem ingerências quanto às reformas que fazem ou não fazem
          2) reformas fazem perder votos
          3) só quando as coisas estão mal é que se muda alguma coisa (e pouco)
          4) são essas reformas e a falta de planeamento que agudizam as situações nos países e o tal afastamento – não qualquer tipo de estratégia nem cenarização
          5) sempre que há uma crise os pontos anteriores saltam à vista (obviamente)
          6) os países e os seus cidadãos têm falta de cultura e conhecimento do funcionamento da economia, das leis, do espaço onde estão integrados, responsabilidades, direitos e deveres – principalmente da sua ou da que imediatamente é afectada por si perante os outros (e o Estado)
          7) o conceito de cidadania e o que isso implica é inexistente
          8) os políticos preferem culpar as crises e outros países pelas dificuldades (assim não perdem votos nem fazem reformas)
          9) pelo ponto anterior, em descarado conluio, poupam trabalho aos jornalistas que só precisam de cultivar a noticia soundbite e pouco mais, investigação, questões, promoção da cultura política e do debate sério e objectivo = ZERO
          10) promove-se os arautos da desgraça, os anti-tudo que se alimentam e dão alimento a quem pelos pontos acima não reflectiu, não examinou e não se dá ao trabalho de perceber.

          Se quero estar protegido de recados e afins, tenho de me aviar em terra, tenho de preparar para o que ai vem e para o inesperado. Não é culpa da UE e do Euro que não se tenha feito qualquer planeamento, qualquer preparação e que haja tanta dificuldade em aprender com os erros – isto faz-se em casa, como outros fizeram.

        3. Não há problema nenhum na arquitectura do Euro. Há é um problema cultural- político.

          “É muito interessante ver a evolução do PIB e do PNB alemão, por exemplo, desde a crise.”

          Haha. Mas não lhe interessa ver antes da crise pois não. Já não é conveniente ver o que as formiguinhas sofreram pois não?

          1. Depois da «solidez» do seu argumento: «Não há problema nenhum na arquitectura do Euro», fiquei eu próprio sem argumentos.
            Rendo-me: o euro está bem arquitectado e recomenda-se: o problema é do socialismo.

          2. Ainda não percebeu que o problema Grego aconteceria com Euros ou com Dracmas, como nosso problema aconteceu com Euros(11) e com Escudos(78 e 84)?

            Cultura e Política. Não tem nada que ver com moeda.

      2. O realismo político esteve presente, mas mais do que isso esteve mais uma vez presente a realidade. A realidade pode demorar mas sempre por dar uma abada à ideologia.

        1. Voltou a acontecer isso na Grécia, Paulo. Tsipras optou realisticamente pelo menor dos males. Mantendo a Grécia no euro.
          O contrário seria uma aventura irresponsável. Num país onde mais de 70% das pessoas querem manter-se no euro.
          Já começa a colher frutos, 24 horas depois. O BCE mantém a linha de crédito à economia grega, os bancos vão reabrir na segunda-feira e vem mais um grande empréstimo a caminho.
          Todas as alternativas seriam piores. Governar é escolher. Depois do irresponsável plebiscito que organizou ‘in extremis’, Tsipras tomou um banho de realidade e afastou as opções suicidas.
          Pôs os interesses do país à frente dos interesses do partido. Fez bem.

    2. “Todos nos revemos nos valores europeus da democracia e da liberdade.”

      Não todos, e você também parece que não. Não nota uma contradição entre Democracia e Liberdade?

      A Democracia só foi a favor da Liberdade devido a circunstâncias históricas.
      Mas hoje a Democracia com o desenvolvimento do Estado na maior parte dos casos só pode ser contra a lIberdade.

      Você vota. O que significa o voto? A escolha de um só caminho na maior parte dos casos por exclusão de todos os outros.
      Logo você criou derrotados que vêem a sua liberdade coartada.
      Uma comunidade vota que as casas só podem ser brancas e azuis. Mais liberdade?
      Claro que não, a Democracia trouxe a tirânia da maioria.
      Melhor, na maior parte dos casos a tirânia da maior minoria.
      Sócrtates pode duplicar a Dívida feita em Democracia com pouco mais de 40% dos votos.
      Quanto mais coisas votadas, mais caminhos únicos escolhidos, mais derrotados e menos liberdade.

      Hoje a Democracia segue isto: https://en.wikipedia.org/wiki/James_Burnham

      1. Obrigado por mostar para quem ainda tem dúvidas como a Esquerda Marxista despreza o Povo.

        O Jo é um retrato do Intelectual de Esquerda. Aristocrata portanto.

        Hoje apanharam os taxistas, amanhã serão os merceeiros, no outro dia serão quiçá os fabricantes de sabonetes…

    1. Aconteceu há uma semana mas parece ter sido há um ano. E no dia segunte esse “referendo” já estava irremediavelmente ultrapassado pelos acontecimentos.
      Foi um disparate descomunal ter sido convocado. Aliás Tsipras fez um ‘mea culpa’, o que só lhe fica bem.

    1. Do “24 de Abril” são os neonazis da Aurora Dourada, que votaram “não” no referendo, voltaram a votar “não” ontem no Parlamento de Atenas e querem o regresso imediato da Grécia ao dracma.
      Alguns que se dizem de esquerda não se importam minimamente de andar em tão má companhia…

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