Dois jornais, exactamente com o mesmo título principal. A mesma realidade. Chocante.
7 comentários em “Manchetes que nos fazem pensar”
Eu engano-me com enorme frequênica em números mas vamos lá a ver se acerto desta vez:1 milhão de toneladas a dividir por 10,5 milhões de portugueses dá 0,095 toneladas anuais por português o que corresponde a 95kg, Se dividirmos isso por 365 dias de um ano temos 260 g de desperdício de comida por dia e por pessoa. Se atendermos a que se estão a contabilizar perdas nas transformações dos produtos em bruto para serem vendidos ao consumidor final além das perdas por prazo de validade o valor não daria para fazer uma manchete com parangonas tão grandes. Aliás, nas letras pequenas diz depois que na Europa a média de desperdício é maior.
É um truque habitual dos governantes, lembro-me duma conversa destas do António Barreto há muitos anos, dizer quando é preciso apertar o cinto, que os cidadãos desperdiçam que se fartam e que vai ser fácil viver com menos e “dentro das suas possibilidades”.
Na minha casa costumava reaquecer a carne em banho maria para evitar o gosto a requentado mas com os micro-ondas tudo ficou mais fácil e o meu desperdício é muito inferior aos 260g/capita por dia. Não é por aí que vou conseguir compensar o aumento enorme de impostos.
Mais uma vez aparece meio mundo a dizer que “os portugueses” precisam de “aprender” a fazer não sei o quê e não sei que mais, poupar, comer uma sopinha, e o diabo a sete. Até acho que já vão entrevistar a Sra Jonet de propósito, porque sabem que vai sair dali um disparate paternalista qualquer. Desta vez não foi excepção: precisamos de ser educados nos hábitos de consumo. Mais uma bojarda. Em primeiro lugar, “os portugueses” é um conceito muito duvidoso, mas não vou forçar a cabecinha desta gente a entender detalhes epistemológicos uma vez que nem com ideias banais como substantivos colectivos conseguem trabalhar. Em segundo lugar, como qualquer pessoa que tenha estudado um bocadinho de gestão não terá problemas em entender, o problema do desperdício não é um problema de consumo mas um problema de gestão da produção. Portanto, para todas as religiosas, Jonets, analistas dos jornais e das tv aconselho o seguinte: calem-se e vão dar conselhos para casa do diabo que vos carregue. Seus estúpidos.
A mesma forma de pensar, Pedro. Nada a fazer. E o on-line do Público que era suposto ser um orgasmo intelectual do jornalismo de referência? Até faz comichão. Beijo, bom domingo
Não me parece que seja a mesma forma de pensar; parece-me, isso sim, que beberam ambos da mesma fonte e não repararam (nem desconfiaram) que a água podia estar um bocado inquinada…
O desperdício de comida é, em primeiro lugar, causado pela sociedade capitalista. Queremos ter sempre os produtos frescos à disposição no supermercado, quando queremos, e é óbvio que muito não é consumido e acaba por se estragar. O oposto foi tentado e resultou sempre na fome generalizada. O melhor método de não se desperdiçar tanta comida é cada um cultivar o que consome. Satisfeitos?
Não concordo nada consigo, quando diz que o desperdício é causado, em primeiro lugar, pela sociedade capitalista. E também não me parece que a solução passe por cada um de nós produzir o que consome. Eu, por exemplo, para produzir a hortaliça que necessito para o meu consumo doméstico, planto sempre mais do que o necessário, logo, por regra, na minha casa há desperdício de hortaliça, e por vezes em razoável quantidade, não obstante andarmos a oferecer o que sobra aos vizinhos, todos eles, também por regra, com produções excedentárias. Neste capítulo, penso que, no passado, os desperdícios eram maiores, por muito que isso custe a aceitar. Aqui está uma área onde os Bancos Alimentares tiveram e têm um papel meritório. Com isto não quero dizer que se não deva combater o desperdício. O que me parece é que se está a dar importância demasiada à constatação (cientificamente) feita, não reparando que, como se diz nas notícias, em Portugal esses desperdícios são em menor escala, comparando com outros países. Mas isso não vende jornais…
Eu engano-me com enorme frequênica em números mas vamos lá a ver se acerto desta vez:1 milhão de toneladas a dividir por 10,5 milhões de portugueses dá 0,095 toneladas anuais por português o que corresponde a 95kg, Se dividirmos isso por 365 dias de um ano temos 260 g de desperdício de comida por dia e por pessoa. Se atendermos a que se estão a contabilizar perdas nas transformações dos produtos em bruto para serem vendidos ao consumidor final além das perdas por prazo de validade o valor não daria para fazer uma manchete com parangonas tão grandes. Aliás, nas letras pequenas diz depois que na Europa a média de desperdício é maior.
É um truque habitual dos governantes, lembro-me duma conversa destas do António Barreto há muitos anos, dizer quando é preciso apertar o cinto, que os cidadãos desperdiçam que se fartam e que vai ser fácil viver com menos e “dentro das suas possibilidades”.
Na minha casa costumava reaquecer a carne em banho maria para evitar o gosto a requentado mas com os micro-ondas tudo ficou mais fácil e o meu desperdício é muito inferior aos 260g/capita por dia. Não é por aí que vou conseguir compensar o aumento enorme de impostos.
Precisamente jj.amarante. É o típico jornalismo que temos.
Mais uma vez aparece meio mundo a dizer que “os portugueses” precisam de “aprender” a fazer não sei o quê e não sei que mais, poupar, comer uma sopinha, e o diabo a sete. Até acho que já vão entrevistar a Sra Jonet de propósito, porque sabem que vai sair dali um disparate paternalista qualquer. Desta vez não foi excepção: precisamos de ser educados nos hábitos de consumo. Mais uma bojarda. Em primeiro lugar, “os portugueses” é um conceito muito duvidoso, mas não vou forçar a cabecinha desta gente a entender detalhes epistemológicos uma vez que nem com ideias banais como substantivos colectivos conseguem trabalhar. Em segundo lugar, como qualquer pessoa que tenha estudado um bocadinho de gestão não terá problemas em entender, o problema do desperdício não é um problema de consumo mas um problema de gestão da produção. Portanto, para todas as religiosas, Jonets, analistas dos jornais e das tv aconselho o seguinte: calem-se e vão dar conselhos para casa do diabo que vos carregue. Seus estúpidos.
A mesma forma de pensar, Pedro. Nada a fazer. E o on-line do Público que era suposto ser um orgasmo intelectual do jornalismo de referência? Até faz comichão. Beijo, bom domingo
Não me parece que seja a mesma forma de pensar; parece-me, isso sim, que beberam ambos da mesma fonte e não repararam (nem desconfiaram) que a água podia estar um bocado inquinada…
O desperdício de comida é, em primeiro lugar, causado pela sociedade capitalista. Queremos ter sempre os produtos frescos à disposição no supermercado, quando queremos, e é óbvio que muito não é consumido e acaba por se estragar. O oposto foi tentado e resultou sempre na fome generalizada. O melhor método de não se desperdiçar tanta comida é cada um cultivar o que consome. Satisfeitos?
Não concordo nada consigo, quando diz que o desperdício é causado, em primeiro lugar, pela sociedade capitalista. E também não me parece que a solução passe por cada um de nós produzir o que consome.
Eu, por exemplo, para produzir a hortaliça que necessito para o meu consumo doméstico, planto sempre mais do que o necessário, logo, por regra, na minha casa há desperdício de hortaliça, e por vezes em razoável quantidade, não obstante andarmos a oferecer o que sobra aos vizinhos, todos eles, também por regra, com produções excedentárias.
Neste capítulo, penso que, no passado, os desperdícios eram maiores, por muito que isso custe a aceitar. Aqui está uma área onde os Bancos Alimentares tiveram e têm um papel meritório.
Com isto não quero dizer que se não deva combater o desperdício. O que me parece é que se está a dar importância demasiada à constatação (cientificamente) feita, não reparando que, como se diz nas notícias, em Portugal esses desperdícios são em menor escala, comparando com outros países. Mas isso não vende jornais…