Fiquei há pouco a saber que o Tribunal de Silves aprovou o plano de viabilização do grupo Alicoop, do qual faz parte a cadeia de supermercados Alisuper.
O plano prevê “a fusão das empresas do grupo Alicoop numa nova empresa, que assumirá o passivo, com a injeção de 1,6 milhões de euros, e a conversão de 50 por cento dos créditos em capital social, o equivalente a cerca de 17 milhões de euros“. Para além disso, 50% das dívidas serão perdoadas, bem como os juros respectivos.
É bom que se saiba que o valor da dívida acumulada desse grupo ascende a cerca de 80 milhões de euros.
O principal responsável pela situação a que o grupo chegou foi durante muito tempo dirigente associativo na área empresarial, chegando a presidir à Confederação do Comércio de Serviços de Portugal, e nessa qualidade fartou-se de dar entrevistas, lições de gestão nas televisões, nos jornais e em conferências, e de regularmente se lamentar da falta de apoios do Estado, da carga fiscal e de tudo o mais que podia servir de desculpa para os fracassos de alguns empresários.
A Câmara de Silves, dirigida por uma irmã do principal responsável por esses supermercados, e cuja gestão também não tem sido um modelo de excelência, veio inclusivamente apelar à solidariedade do Presidente da República e das forças políticas para salvarem mais um desastroso investimento do mesmo grupo na Fábrica do Inglês.
Fico satisfeito por saber que foi possível encontrar uma solução numa altura de crise como a que atravessamos e que dessa forma se possam garantir mais alguns postos de trabalho e o sustento de umas quantas famílias, mas convém que sejamos claros.
Quem se tivesse dado ao cuidado de analisar o serviço prestado, os produtos oferecidos ao público e os preços exorbitantes que eram praticados nos supermercados Alisuper e comparasse estas variáveis com o que era praticado pela concorrência, certamente que não deixaria de pensar como foi possível que supermercados instalados nos melhores e mais ricos locais do Algarve atingissem um estado de degradação inqualificável e uma dívida acumulada tão grande numa área de negócio onde normalmente se cria riqueza com relativa facilidade – recebe-se logo, paga-se a 90 e a 120 dias – e em que se contam pelos dedos de uma mão as falências dos grupos com alguma dimensão.
Veja-se o que se passa com os supermercados das cadeias Pingo Doce, Modelo, Jumbo ou Continente, ou até mesmo com os do grupo Apolónia, que estando também implantado no Algarve não pára de crescer e de criar riqueza e postos de trabalho, e comparem-se os resultados destes grupos com os da operação comercial da Alisuper nas mesmas zonas.
O estado a que chegou o grupo Alicoop, a insolvência dos supermercados Alisuper e o que se passou com a Fábrica do Inglês e o Museu da Cortiça, só têm uma justificação. Chama-se má gestão. E quando ela acontece o Estado não tem que vir em seu auxílio, devendo antes promover que os responsáveis pela calamidade se dediquem a qualquer outra actividade onde possam apresentar resultados e façam menos mal ao mercado e à sociedade.

se assim fosse, e gostaria que fosse, de certeza que metade dos problemas existentes neste pais com dinheiro mal gasto não existiriam, e talvez não fosse necessário apertarmos quase todos o cinto para que alguns possam andar com o deles mais folgado sem o merecerem
O estado a que chegou o grupo Alicoop
não será muito diferente do estado a que isto chegou
Alicoop gastou, gastou, gastou. O novo Grupo vai continuar a gastar, gastar, gastar. As pessoas são as mesmas. Irá garantir a alguns trabalhadores o posto de trabalho…….por mais quanto tempo?