Mais Um Beijo


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Há algum tempo o Pedro Correia colocou colocou aqui alguns beijos, a propósito, claro, do excitado beijo do señor Rubiales, e alguns de nós, co-bloguistas, escrevemos sobre o assunto. Em toda essa argumentação, explícita ou até implícita, notei hoje durante o parco almoço, tabuleiro na mão diante da tv, que faltou um item. 

Pois já aqui terei referido o algum apreço que tenho pelo filme romântico Notting Hill (1999), o qual teve um grande sucesso internacional e que, decerto por isso, continua a ser transmitido nos canais televisivos, até em horário indiscriminado (hoje em plena hora de almoço). Ora acontece que perto do final, numa cena que é o verdadeiro  clímax do filme – a conferência de imprensa em que William (Hugh Grant) pede perdão a Anna (Julia Roberts) e esta lho concede – há esta agressão de Bernie (Hugh Bonneville, depois celebrizado pela sua actuação no folhetim “Downton Abbey”) a uma anónima personagem feminina. Bernie, eufórico com o desenlace amoroso do seu amigo, agarra vigorosamente as faces da referida personagem feminina, e “rouba-lhe um beijo”, como antes se dizia…

Este é um problema que a actualidade exige enfrentar. Deverá esta cena ser retirada do filme, de forma a que o contexto romântico, com tons de comédia feliz, não naturalize, legitime, o acto agressor? Ou deve ser mantida a totalidade do filme, respeitando-se a obra, mas impedindo que ela seja transmitida sem qualquer contextualização, em qualquer horário e sem aviso prévio aos espectadores? Confesso que não tenho opinião final. Mas, sem dúvida, urge actuar sobre este corpo delituoso.

15 comentários em “Mais Um Beijo”

  1. Os beijos é o que menos importa. É preciso é voltar ao cinto de castidade para um homem andar tranquilo.

          1. Faz muito bem menina Kika, usar cinto de castidade, nos dias de hoje, todo o cuidado é pouco.

  2. Em tudo na vida, quase tudo depende do contexto:
    – Se o beijo é roubado a alguém de quem se gosta e gosta de nós, bendito é o beijo;
    – Se o beijo é roubado a alguém de quem se gosta mas não gosta de nós, perdido é o beijo;
    – Se o beijo é roubado a alguém de quem não se gosta e também não gosta de nós, escusado é o beijo, etc. etc.
    Não deixa de ser romântico o epíteto ‘ladrão de beijos’…já o beijo do ladrão, tem muito que se lhe diga.

  3. Obviamente, o filme deve ser censurado. Retirado de exibição, arrecadado na subcave com a etiqueta “nunca mais”. Ou exibido com cortes adequados à moralidade e aos bons costumes.
    A bem da noção.

    1. Não voto nisso. O filme é para maiores? Devem ter noções do que hoje é ou não é permitido,
      caso contrário infringem e sujeitam-se.
      Pelo critério censório emergente quase todas as obras de arte seriam banidas. Lembro-me do
      Decameron e dos Contos de Cantuária.das nossas Cantigas de Escárnio e Maldizer,dos Lusíadas que o Censor da Inquisição aprovou para publicação,filmes muitos,pintura e escultura de tempos vários,Poesia,etc.
      Parece um mundo dentro de um colégio de freiras no antigamente.

  4. Façamos também a limpeza do Quatro Casamentos e Um Funeral, no qual a Scarlett (irmã do protagonista), ao sentar-se para o almoço do – penso – primeiro casamento, prega um chocho num desconhecido. A não ser, claro, que isto já não seja abuso sexual e sim um sinal da emancipação da mulher moderna.

  5. Esta só lembra ao diabo com tiques de geometria.
    Bolinhas, quadradinhos, triangulozinhos e outras figurinhas geométricas para avisar os desprevenidos de beijos sem o ‘posso?’, rabos pro ar à procura do sabonete ou pernas traçadas com espera do que vai dar.
    E as imagens daquele templo budista, nem digo o nome

  6. Doesn’t really matter mas é “Downton Abbey”. Há dias pus-me a ver uma série que eu pensava chamar-se “Sandition”, mas afinal é “Sanditon”.

  7. com recurso à IA adicionam um frame da rapariga a dar uma valente estalada ao feioso bernie e pronto , assunto resolvido.

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