Os cemitérios são “muito bonitos”? Para mim é novidade. Sugiro ao humorista barcelonês que conheça primeiro Portugal e depois fale. Ou então, que pergunte primeiro o que acham disso os muitos estrangeiros que cá vivem…
Depois de uma série de cidades que não conheço no oriente, eis a última que visitei e me encantou… talvez seja a cidade com maior animação de rua no seu centro e soube aproveitar como poucas a sua frente mar, mas o seu fascínio é sobretudo Gaudi e as peças e memórias da arte do século XX…
Estive pela primeira vez em Barcelona em 1988. Depois em 1997. Entre as duas datas muitas coisas mudaram por lá, por força, sobretudo, das obras motivadas pelos jogos olímpicos e pelo trabalho iniciado já nos anos 80. E, sem dúvida, que a valorização do que de si já era muito bom na cidade, como a sua arquitectura, foi fundamental. Esse trabalho continua. Mas gostaria de chamar a atenção para uma questão, quanto a mim, muito importante. Barcelona está, definitivamente, no mapa das cidades turísticas. Mas o modelo utilizado, de atracção de investimentos do exterior, foi feito apostando na valorização de determinados períodos, o modernista e o contemporâneo deixando para segundo ou terceiro plano património de outras épocas, medieval, por exemplo, o que é, discutível. E, mais importante ainda, a renovação foi feita, muitas vezes, em detrimento das populações residentes que se viram obrigadas a saírem do centro, sem que a sua participação no processo tivesse sido tida em conta. Claro que se pode argumentar que a urgência em fazer uma cidade nova não se compadece com consultas aos cidadãos, sobretudo se estes não possuem os meios que lhes permitam com facilidade optar entre várias soluções. Mas, e puxando um bocadinho a brasa à minha sardinha, os técnicos das áreas sociais têm aí um importante papel a desempenhar. E a verdade é que são os habitantes das cidades e não os turistas que fazem delas o que são. Tudo isto para dizer que gostei mais da genuinidade da Barcelona de 1988 que de alguma artificialidade da de 1997. Mas a evolução de uma cidade é isso mesmo, feita de aspectos positivos e negativos. E, neste caso, parte-se de uma base muito boa.
Nunca tinha pensado em Barcelona sob esse ponto de vista, Ana. Mas parece-me muito relevante. De facto, as cidades devem ser pensadas fundamentalmente em função dos seus habitantes e não de quem as visita. Eu aprendi a gostar verdadeiramente de Barcelona a partir dos seus bairros típicos, graças aos livros do Vásquez Montalbán – e sobretudo a um: ‘Os Mares do Sul’ (1979). Não é por acaso que estabeleço nesta série uma relação entre escritores e cidades: para mim é um tema fascinante e praticamente inesgotável. Um bom livro pode prender-nos para sempre a uma cidade, seja ela onde for. Pode ser até uma cidade que nunca chegaremos a conhecer ao vivo.
Há uns anos li ‘O Livro das Cidades’, do Cabrera Infante, e confesso que foi essa excelente obra que inspirou esta série. Claro que, por exemplo, não posso trazer aqui o Neruda a falar do Chile porque nunca lá estive – esta é outra regra a seguir. Só falo do que conheço.
Barcelona não é bem “Espanha”. Aliás, os catalães fazem bem questão de destacar-se da cultura da velha Castela. Gosto de Barcelona – é uma cidade especial, diferente de todas as outras cidades espanholas, como Veneza em relação a Itália – mas não é de forma nenhuma a minha cidade favorita em Espanha. E concordo com a Ana Lima, acho que está a ficar um bocadinho atípica com tanta preocupação de modernidade.
E arquitectura. E boa gastronomia. E uma língua tramada… 🙂
Gosto muito da definição da Sophia. Quanto mais poética, mais verdadeira.
Frase el humorista barcelonés Andreu Buenafuente: “Portugal es como los cementerios, muy bonito, pero nadie quiere quedarse allí…….”
Os cemitérios são “muito bonitos”? Para mim é novidade. Sugiro ao humorista barcelonês que conheça primeiro Portugal e depois fale. Ou então, que pergunte primeiro o que acham disso os muitos estrangeiros que cá vivem…
Depois de uma série de cidades que não conheço no oriente, eis a última que visitei e me encantou… talvez seja a cidade com maior animação de rua no seu centro e soube aproveitar como poucas a sua frente mar, mas o seu fascínio é sobretudo Gaudi e as peças e memórias da arte do século XX…
Barcelona sem Gaudí não teria o fascínio que tem: daí a imagem que escolhi, da Sagrada Família.
Estive pela primeira vez em Barcelona em 1988. Depois em 1997. Entre as duas datas muitas coisas mudaram por lá, por força, sobretudo, das obras motivadas pelos jogos olímpicos e pelo trabalho iniciado já nos anos 80. E, sem dúvida, que a valorização do que de si já era muito bom na cidade, como a sua arquitectura, foi fundamental. Esse trabalho continua. Mas gostaria de chamar a atenção para uma questão, quanto a mim, muito importante. Barcelona está, definitivamente, no mapa das cidades turísticas. Mas o modelo utilizado, de atracção de investimentos do exterior, foi feito apostando na valorização de determinados períodos, o modernista e o contemporâneo deixando para segundo ou terceiro plano património de outras épocas, medieval, por exemplo, o que é, discutível. E, mais importante ainda, a renovação foi feita, muitas vezes, em detrimento das populações residentes que se viram obrigadas a saírem do centro, sem que a sua participação no processo tivesse sido tida em conta. Claro que se pode argumentar que a urgência em fazer uma cidade nova não se compadece com consultas aos cidadãos, sobretudo se estes não possuem os meios que lhes permitam com facilidade optar entre várias soluções. Mas, e puxando um bocadinho a brasa à minha sardinha, os técnicos das áreas sociais têm aí um importante papel a desempenhar. E a verdade é que são os habitantes das cidades e não os turistas que fazem delas o que são.
Tudo isto para dizer que gostei mais da genuinidade da Barcelona de 1988 que de alguma artificialidade da de 1997. Mas a evolução de uma cidade é isso mesmo, feita de aspectos positivos e negativos. E, neste caso, parte-se de uma base muito boa.
Nunca tinha pensado em Barcelona sob esse ponto de vista, Ana. Mas parece-me muito relevante. De facto, as cidades devem ser pensadas fundamentalmente em função dos seus habitantes e não de quem as visita. Eu aprendi a gostar verdadeiramente de Barcelona a partir dos seus bairros típicos, graças aos livros do Vásquez Montalbán – e sobretudo a um: ‘Os Mares do Sul’ (1979). Não é por acaso que estabeleço nesta série uma relação entre escritores e cidades: para mim é um tema fascinante e praticamente inesgotável. Um bom livro pode prender-nos para sempre a uma cidade, seja ela onde for. Pode ser até uma cidade que nunca chegaremos a conhecer ao vivo.
Sem dúvida, Pedro. Eu a Barcelona tinha ido, antes de 1988, nos livros de Eduardo Mendoza. 🙂
Há uns anos li ‘O Livro das Cidades’, do Cabrera Infante, e confesso que foi essa excelente obra que inspirou esta série. Claro que, por exemplo, não posso trazer aqui o Neruda a falar do Chile porque nunca lá estive – esta é outra regra a seguir. Só falo do que conheço.
Essa regra é uma das razões pelas quais eu nunca poderia fazer uma série destas. 🙂
esta é a minha preferida. Passei lá uma semana e visitei tudo o que existia para visitar.
Gosto muito de Barcelona e dos catalães, com a sua cultura fortíssima. Sem ser a mais bela de Espanha, é uma cidade única.
Barcelona não é bem “Espanha”. Aliás, os catalães fazem bem questão de destacar-se da cultura da velha Castela. Gosto de Barcelona – é uma cidade especial, diferente de todas as outras cidades espanholas, como Veneza em relação a Itália – mas não é de forma nenhuma a minha cidade favorita em Espanha. E concordo com a Ana Lima, acho que está a ficar um bocadinho atípica com tanta preocupação de modernidade.