Acho que é a omnisciência das mães que mais nos comove. Não tanto o amor, mas a sua memória de nós, mais antiga e completa, o conhecimento que não temos e nos explica dos dedos dos pés até ao fundo da alma. A seguir a coisa mais notável que a maioria delas faz é provar-nos todos os dias que apesar dos nossos defeitos somos amáveis. Isso é melhor que bolacha maria para enganar a fome, vinte vezes mais calmante que adormecer no colo depois de uma birra de sono, trezentas vezes mais importante, falando agora de coisas sérias, que uma promoção no emprego ou um aumento de salário. Sobretudo porque é uma condição que não muda. Porque o amor das mães resiste a todas as decepções e não envelhece. É por isso que mesmo quando já não as temos obstinamo-nos em continuar a relação. E nunca, mas nunca abdicamos do papel de filhos. Nunca.
Mais que o amor
Teresa Ribeiro,


Tenho uma comunicação solene a fazer. Acabei de, muito humildezinho, dizer à minha mãezinha o seguinte: Querida, abençoado útero que acamou este rapazito tão perfeitinho. És mesmo uma fábrica de alta tecnologia, e não compreendo que o nosso Presidente não te tenha nomeado para a atribuição da medalha do Ordem do Infante.
Mas ainda tenho outra comunicação não menos importante. Acabei de ver o nosso Vice Paulo Portas na feira de Ovibeja com o badalo nas mãos. E exclamei: Meu Deus, se a troika deixou assim o nosso Vice, que será de nós!?
“E nunca, mas nunca abdicamos do papel de filhos. Nunca.” Era bom que assim fosse, mas infelizmente não é.
Tem razão, muitas vezes não é assim. A minha reflexão teve pouco de racional e muito de emocional, mas felizmente haverá também muitos filhos que se revêem nestas palavras.